Por essa você não esperava
Ação feita para promover a Coca Zero.
Ótima idéia, que na minha opinião pode ser adaptada para pequenos clientes.
VEJA O VÍDEO
http://www.youtube.com/watch?v=hMayvVXNbM0&mode=related&search=
Ação feita para promover a Coca Zero.
Ótima idéia, que na minha opinião pode ser adaptada para pequenos clientes.
VEJA O VÍDEO
http://www.youtube.com/watch?v=hMayvVXNbM0&mode=related&search=
Como eu disse já há algum tempo nesse blog, viral funciona no interior. Talvez seja a grande saída para orçamentos tão apertados. Não falo dos clientes que já anunciam no interior. Me refiro aos que nunca anunciam pois reclamam do preço das mídias. Com o marketing de guerrilha, eles podem facilmente se tornar clientes potenciais de agências. Por exemplo: lojas de calçados que não têm dinheiro para veicular em grandes mídias podem facilmente organizar uma chinelada, sapatada ou algo parecido. Num sábado de manhã em uma cidade pequena você atinge praticamente toda a população.
O caso do vídeo, não é totalmente publicitário, mas nos deixa a idéia da potência de um viral em cidades pequenas. Mesmo que alguns discordem do meu ponto de vista, o fato, no mínimo, é muito curioso.
PARA ENTENDER MELHOR, ASSISTA AO VÍDEO:
O Menino 666 atrapalha show da Calypso
http://www.youtube.com/watch?v=ZFPluTH03UU&eurl=
Porque utilizar tabelas para layout é estupidez:
Sei que muitos já devem conhecer, mas como não sou um dos mais esclarecidos sobre internet, achei interessante a forma de transmitir a mensagem. É um site que mostra as vantagens do CSS e o novo padrão de linguagem para internet.
Para muitos webdesigners, posso estar chuvendo no molhado, mas é uma ótima forma de explicar ou ensinar um pouco mais do seu trabalho para um cliente.
http://www.plasmadesign.com.br/stupidtables/index.html
“Não existe cliente mal cantado, existe cliente mal comido”
- Adriana Cury.
Vamos lá, essa é mais uma dica pra comer bem comido…rs.
Talvez idealismo, talvez solução. Pode parecer falta de grana e trabalho. Mas não. Acredito piamente neste formato e tenho comigo que isso só não vai para frente por pura falta de empenho.
Vejo um monte de colegas fazendo materiais diversos, muitas vezes migrando para áreas que não dominam, sem falar na máxima empreendedora que assola nosso país: sim, eu faço tudo. Porque na frente do cliente se diz isso e depois corre atrás de quem faça determinado trabalho.
Na questão de valores então vivemos um caos de dar inveja a qualquer torre de controle aéreo. Sites variam de 90 reais a 30 mil reais. Cartões de visita vão desde “brinde” a 700 mangos. E não vou citar mais disparates orçamentários senão este texto vai ficar enorme.
E ainda tem outros problemas graves: softwares piratas, sonegação de impostos – muito embora o governo pareça incentivar tal postura, tamanha são as taxas –, arquivos “fechados” erradamente, clientes mal atendidos, um enorme contingente de recém-formados sem rumo e sem trabalho e, por fim, um mercado muitíssimo mal trabalhado e inteiramente aviltado.
Dêem suas opiniões, vamos discutir esse assunto.
Como publicitário, acho que me encaixo no quadro dos criativos idealista. Sou daqueles que pira e vai até outro planeta buscar a melhor idéia para o cliente. Muitas vezes tive idéias reprovadas, algumas por serem realmente alienígenas, mas outras por puro gosto e capricho do cliente. Isso me revolta, e em várias revoluções de mesas de bar já planejei diversos atentados terroristas contra os clientes que querem ser publicitários por um dia, ou por uma campanha inteira. Mas será que os atentados fariam efeito? Acredito que não, pois o problema está além do cliente, mas não é nada de outro mundo, Freud explicaria. Quando vamos a um médico ele não puxa uma maleta de trás de sua mesa e coloca-a a nossa disposição para escolhermos qual remédio queremos. Imagine o diálogo:
- Eu tenho para você comprimidos amarelos, azuis e rosas. Qual você prefere tomar?
- Putz doutor, não gosto de amarelo…
- Então fique com o rosa, eles são pequenos e fáceis de engolir.
- Pô rosinha doutor?
- Ok. Você toma remédios no trabalho, em restaurantes, realmente comprimidos rosa seriam uma afronta a sua posição na sociedade. Fique com o azul mesmo, eles combinam com a sua gravata e afinal azul é cor de homem mesmo.
Para não dizer que essa fórmula de comparação com médico já é manjada e não tem nada a ver, pensei em outra. Imagine um momento um pouco menos racional, o casamento. O padre chega para os noivos e diz:
- Declaro-os marido e mulher. Pode beijar a noiva. Mas temos também a opção de bater no sogro, ou ainda, se preferir, pode beijar a irmã da noiva, que por sinal é muito bonita.
Essas atitudes podem estragar o relacionamento de qualquer um. Gritamos para todo mundo escutar que somos profissionais de comunicação, e por isso somos nós, e não o cliente, quem entende de comunicação. Porém, posso parecer radical, mas não acho uma atitude profissional deixar uma campanha depender do gosto, do capricho e até mesmo do humor do cliente, com uma opção para cada temperamento, que varia de acordo com o dia. Parece um absurdo, mas muitos atendimentos e criativos acabam fazendo isso. Levam cinco opções para o cliente, sendo que sempre ele preferirá aquilo que já está em sua mente, o comum a ele. Até que um dia uma nova agência o surpreenda e abra seus horizontes e ele nos chute para outro planeta. Aí além de publicitários alienados, nos transformaremos também em pobrecitários.
Luiz Henrique Nascimento
“Nossa Luiz, você está tão distante”, ela me disse isso olhando nos meus olhos.
Minha esposa me disse isso e depois ficamos um tempo em silêncio. Foi um golpe fatal. Não havia como me desculpar ou argumentar. Ela havia acabado de me acertar com mais uma verdade pontiaguda. Mudamos de assunto, fechamos a conta do bar e fomos para casa. Mas aquilo não me saiu da cabeça, realmente o conceito que eu havia criado para a campanha estava muito distante. Muitos que vissem a propaganda, não entenderiam. Eu entendia porque estava vivendo aquilo 24 horas por dia. Eu respirava o briefing dia e noite. Eu havia me esquecido que o significado das palavras não estão exatamente trancados dentro delas. Meu título poderia soar bem para mim, mas mal para outros, e provavelmente não seria entendido por muitos. Esqueci que o significado vive dentro da cabeça de cada leitor, de acordo com a sua cultura. Ele é como um vírus, que contagia as pessoas, mas só é capaz de sobreviver dentro delas. Não existe significado solto no ar, não por muito tempo. Talvez, como um fã incondicional de literatura, eu estive um pouco longe da vida real, longe do cotidiano imediatista, longe da minha época. Era preciso retornar, pousar novamente na Terra, mais precisamente no Brasil, no interior do estado de São Paulo, no ano de 2007. Realmente, para falar com o consumidor daqui, não era possível ir muito longe. Eu acabava de cair na real e descobrir mais um óbvio ululante: quando se quer falar com alguém, falar na mesma língua ajuda muito.
Em casa, no momento vago, curtindo meu ócio, resolvi assistir tevê. Vi um comercial que mostrava um espantalho dirigindo um carro em vastos campos, percorrendo um bom pedaço de estrada. Até que, finalmente, ele chega à beira mar. Lá ele abre os braços como de costume e curte o vento no rosto. Isso me chamou muito a atenção. O que será que esse espantalho quer? Será que ele roubou o carro do fazendeiro? Entrando no carro novamente o espantalho volta pela estrada, até o meio de uma plantação. Lá, esperando por ele está um jovem cabeludo e de roupas modernas em seu lugar. O jovem está de braços abertos, fazendo o trabalho do espantalho, que desce do carro e volta para o seu lugar. Mas antes disso, ele entrega as chaves do carro e agradece o cabeludo, e os dois se abraçam como velhos amigos, ao fundo uma música de emocionar, daquelas forte. No final, aparece a assinatura do comercial com a marca do carro e a frase: “Grande por dentro”. Puta que pariu, genial. Nunca pensei em me emocionar com a vida de um espantalho. Jamais. Esse era um comercial argentino, estava passando num programa sobre o Festival de Cannes. Putz, Argentina, nossos hermanos, aqui do lado. Além do meu queixo caído num misto de inveja e admiração, é lógico que eu entendi que o comercial falava sobre o espaço interno do carro. Pô, quem não entenderia?… Talvez o brasileiro. Não sei. O consumidor pode até entender, mas o que eu sei é que o anunciante não entende. Esse eu sei que não entende, pelo menos, mais precisamente no interior do estado de São Paulo, no ano de 2007.
- Luiz Henrique Nascimento
Aqui somos, na maioria, profissionais de comunicação. Ainda sem interessar de qual área sejamos, ou uma empresa é, o negócio é vender. Vendem-se projetos, construções, serviços, produtos. Vende-se beleza, saúde. Vendem-se dinheiro, sonhos, desejos, necessidades. Vende-se passado, presente, futuro. Enfim, tudo é ou será vendido – é fato! É assim que se produz dinheiro.
Voltando aquela conversa que somos profissionais de comunicação, aqueles que vão “dizer” como, quando, onde e para quem será vendido, me pergunto: nós sabemos mesmo vender?
Vender me parece ser muito mais que layouts, designs, títulos, mídia etc. Não fazemos cursos que não seja da “área”, nossas faculdades são superficiais, nossos MBAs em nada acrescentam – exceção feita ao de marketing.
Às vezes penso que nos falta aprimoramento. Não, não estou falando de Miami Ad School, nem de especializações em outros paises. Falo de cursos rápidos, cursos básicos como os de retórica, de falar em público, de PNL e, claro, de vendas.
É isso.
Dia chuvoso em São Paulo. A melhor opção era o metrô. Foi isso que ele fez. Deixou seu carro em casa e pegou o metrô. O dia foi bastante produtivo. Aquela reunião no fim do dia então, rendeu uma nova conta. Era um passo importante para o futuro da sua carreira. Ali devia estar começando uma nova fase da sua vida. Flávio, pensativo, como bom publicitário, sempre antenado às tendências, aproveitou o passeio para observar os outros passageiros. Observar comportamentos, conversas, pessoas.
“Eles me deram três tiros e me jogaram da ponte. Foi o cão do policial que me encontrou no dia seguinte. Depois eu fiquei assim, aleijado. Um deles era o meu cunhado, eu consegui tirar a máscara dele” disse um rapaz moreno, curvado e de mão repuxada conversando com uma senhora que estava sentada ao seu lado. “Então foi por isso que ele atirou em você, pra não reconhecer mais tarde”, respondeu a senhora. “Ele há de encontrar o caminho dele, o que é dele tá guardado.” Essa foi a última frase que Flávio conseguiu ouvir. Quanta desgraça. Não era disso que ele estava precisando.
Mudou seu foco. Olhou para uma mulher bonita que estava de pé ao seu lado. Ela tinha uma aliança na mão e o olhava como um cão que farejava o seu pé. Com um medo, com uma desconfiança. Nos socos do metrô, a mulher se movimentava, e então Flávio pode ver alguns hematomas em seu rosto. Não conseguiu esconder seu olhar de aversão. Disfarçou e olhou para o lado. “Menina, hoje eu fui ruim pro trabalho, tô com uma dor de garganta que não dá nem pra engolir saliva direito. E eles não me dispensaram. Fiquei ruim o dia todo.” Disse uma senhora de uns 60 anos. Se não fosse por esse testemunho, Flávio juraria se tratar de uma aposentada. “Ih, mas hoje é assim mesmo, pra ser dispensada só de ambulância ou carro de funerária. E eles ainda são capazes de dizer – não tinha dia melhor pra morrer não?” falou uma garota nova, dando continuidade à reclamação. “Tchau pra você viu minha filha. Se cuida, eu vou ficar aqui na Sé. Manda um abraço pra sua mãe.” “Pode deixar que eu mando. E se cuida a senhora, vê se melhora hein. Se não melhorar nem vai amanhã trabalhar, vitamina C e cama, viu?”. As duas se sorriram se despedindo.
Flávio começou a ficar entediado. Já bastavam seus problemas, não queria ficar ouvindo os problemas alheios. Não viu nenhuma tendência nova. Nenhum grupo de jovens com aparelhos portáteis, gestos ou gírias novas. Só problemas. Resolveu ficar em seus próprios pensamentos. Seu dia havia sido ótimo. Aquela tristeza toda só o levaria para baixo. Não precisava disso. Não podia perder tempo com essas dores-de-cabeça alheias. A partir daquele dia, decidiu valorizar cada minuto do seu dia. Chegando na sua estação, se sentiu agradecido de fugir de tudo aquilo. A porta do metrô lhe abriu uma passagem para fora daquela atmosfera negativa. Todos aqueles problemas transitando no ar, entrando pelas narinas e saindo pelas bocas.
Chegando em casa, sentiu-se feliz por estar em lugar aconchegante, sem cunhados assassinos, e outras desgraças. Sentiu-se bem por deixar todo aquele desgosto para traz. Jantou, tomou banho, checou seus e-mails, fez seu ritual habitual e foi deitar. Amanhã seria o dia seguinte ao triunfo. Ele precisava estar bem disposto para a nova fase da sua vida. Dormiu tranquilamente. O dia estava bonito, sem chuva. Tudo parecia perfeito, a não ser uma dor de garganta que não dava nem pra engolir saliva direito.
- Luiz Carioca
Nelson trabalhava em uma agência do interior do estado de São Paulo como atendimento. Era jovem, tinha boa oralidade, feeling, desenvoltura e criatividade. Estava sempre antenado no mercado, não se esquecendo das peculiaridades de cada cliente. Desde seu primeiro estágio, surpreendia com seu ponto de vista nas reuniões, sabia que o futuro ainda o levaria para longe. Com o apoio e incentivo de amigos, bem diferente da trajetória de sua família de origem simples, ele decidiu procurar emprego na cidade de São Paulo. Procurou contatos, passou dias enfiado na internet. Procurou ex-colegas de trabalho, importunou quem pudesse lhe arrumar uma oportunidade. Com muita insistência conseguiu uma entrevista numa agência de grande porte.
Chegado o dia da entrevista, Nelson se arrumou e pegou um ônibus para São Paulo. Suas roupas não escondiam suas origens simples. Ele estava bem vestido, mas seu cabelo penteado era uma agressão ao visual totalmente despenteado do metrô de São Paulo. Sua camisa abotoada nos punhos contrastava diretamente com os rasgos que desfilavam a sua frente. Em meio a um festival de modernidade, sentia que sua pinta acima dos lábios era a forma mais primitiva de manifestação de um piercing. Aos poucos isso foi incomodando ele, não tinha como não incomodar. Chegando ao endereço marcado, parece que ele saltou alguns anos na frente. As roupas estavam cada vez mais ousadas.
Após uns minutos de espera, Nelson foi chamado para a entrevista. Entrando na sala, viu um homem baixo, muito bem arrumado, com roupas que ele nunca havia visto na sua cidade, nem para vender. Até mesmo a cadeira da sala lhe era estranha. Deu o primeiro passo tímido, depois pensou que estava ali decidido de seu sonho, então, levantou a cabeça e caminhou até a cadeira com um ar decidido e confiante. O homem não podia esconder a sua surpresa. Nelson possuía um currículo muito bom e atualizado, mas parecia recém saído de um seriado americano na época da Guerra Fria. O diretor da agência resolveu não perder a chance de desafiar e tirar uma com a cara dessa figura que se apresentava tão estranha e ao mesmo tempo confiante na sua frente. Após algumas perguntas de praxe, deu início ao desafio.
— Nelson, gostei muito do seu histórico, mas me pergunto se o seu perfil, é o perfil empreendedor que a empresa procura.
— Posso garantir ao senhor — respondeu Nelson firme.
— Então, mas o atendimento hoje me dia precisa ser antenado, ser moderno e ate mesmo… digamos, sedutor.
— Eu garanto que nunca tive problemas com esses fatores.
— Então, façamos um teste.
Nelson consentiu com a cabeça.
— Vou apresenta-lo ao pessoal da agência. Se alguma mulher se interessar por você, comprovando que você tem o ar sedutor, o emprego é seu.
— Ok.
Os dois começaram a visita pela agência, que era enorme, tinha 3 andares. Começaram pela criação. Lá estavam as pessoas mais mal vestidas da agência. Talvez elas nem tivessem notado a presença de Nelson se ele não estivesse acompanhado do diretor da agência. Passaram pelo administrativo, pessoas bem arrumadas, muito bem educadas e altamente concentradas. Nenhuma das mulheres quebrou a concentração por causa da presença de Nelson. E assim foi, passaram por todos os departamentos, terminando a visita pelo atendimento, onde estavam as mulheres mais bonitas e mais bem vestidas. Todas altamente sedutoras. Algumas não escondiam o leve escárnio causado pelas roupas de Nelson. O diretor da agência, em sua frieza, também não conseguia esconder um sorriso malicioso no canto da boca brilhante, isso mesmo, até a boca dele brilha, e eu, um fosco completo, pensou Nelson. A cabeça de Nelson já não estava mais tão erguida. Era hora de voltar à sala do chefe, pegar suas coisas e voltar para o interior.
No corredor, em sentido contrário, caminhava Dona Maria, conhecida pela grande maioria como a tia do cafezinho. Enquanto o diretor caminhava quase que saltitante na frente, Nelson levantou sua cabeça e estampou um sorriso em seu rosto. Deu o bom dia a Dona Maria e pediu-lhe um café.
— Bom dia. Posso pegar um cafezinho?
— Lógico. — respondeu com um sorriso.
— Nossa, que delícia de café. Muito obrigado.
— De nada.
Agora era a Dona Maria que não conseguia esconder o sorriso no rosto. Tinha achado Nelson extremamente simpático. Ela já não se lembrava do último elogio que havia ouvido no trabalho. Nelson seguiu com o diretor da agência, para a sala dele, observados cuidadosamente pelo olhar totalmente seduzido de Dona Maria.
- Luiz Carioca