Tenho uma teoria que a vida é como um chinês equilibrista e seus pratos. Você vai rodando cada um, deixando todos virando no ar. Quando um balança, você corre, vai lá e põe de novo pra rodar e não deixar cair. Pois em 2009, ventou nos pratos, e aí? Só os mais preparados conseguiram fazer a coisa se equilibrar. O brasileiro está acostumado ao jogo de cintura, a ser criativo e a ‘dar um jeito’, mas só isso não foi suficiente dessa vez. A competência e uma nova postura se mostram maiores que isso e se a sensação de separar o joio do trigo já vinha há alguns anos predominando no nosso mercado, o ano de 2010 deve selar a profecia.
E o que será do ano novo? Se eu comentei anteriormente que faltava uma promessa a ser cumprida, acho que levo para 2010 o desejo que a trave fique um pouco mais pra lá para todos nós. É isso mesmo, se o que você queria que rolasse bateu na trave, que o ano que vem role a superação que tornará a distância entre as traves um pouco maior para a bola entrar. Chega de quase, tem que ser gol. Quase aconteceu. Quase aprovado. Quase fiz. Quase bom. Quase feliz. Essa é a hora de refletir no que falta para acabar com o ‘quase’ do nosso dicionário? Ou é ou não é.
Sei que agora essa música virou filosofia da novela das 8, mas ‘o momento do sim é um descuido do não, sei lá, a vida tem sempre razão’. Acredito que o melhor que eu poderia desejar é que todos possamos enxergar melhor esse momento de descuido e que as oportunidades possam ser aproveitadas. Oportunidades para ver onde as portas estão abertas. Oportunidades para fazer algo a mais que ninguém fez. Oportunidades para dar a atenção que andou meio de lado. Oportunidade de se fazer presente quando alguém mais precisa. Oportunidades para aplaudir as conquistas dos amigos. Oportunidades para fazer novos amigos. Oportunidades para ver a nossa evolução e a de outros também. Oportunidades de superar a desconfiança e o medo para transformar idéias em realidade.
Se o ano começou com ventos de incerteza, ele termina com a impressão de que a calmaria vai deixar o barco correr novamente. Sei que mesmo com toda sanha, toda façanha, toda picanha, toda campanha, a gente foi levando, mas não dá mais pra seguir de acordo só com a maré. É preciso ditar o rumo por onde queremos ir. Talvez por acabar de fazer 30 anos, ando com esse momento de reflexão e de observar com mais cuidado os mares por onde navego. Fico pensando nos profissionais que passaram pela minha carreira, colegas, parceiros, fornecedores, chefes e as rotas que me ensinaram. Fico pensando nos mestres de quem fui aprendiz e nos aprendizes que hoje se tornam meus mestres. Fico pensando nas pessoas da minha família que me ajudam e naqueles que agem como se fossem parte dela. Fico pensando na equipe da Arriba! que está no barco comigo e que, tenham certeza, não chegaria a lugar algum sem eles. Ah, se eu fosse marinheiro, mesmo com o todavia, com todo dia, com todo ia, com todo não ia, eu encararia sempre o mar de frente. A vida é pra valer, companheiro. A vida é uma só. É um caminho sem volta, de jangada ou de transatlântico, que nos leva ao porto dos nossos sonhos. Por isso, não importa para onde o vento sopre, siga na direção dos seus planos, em 2010 e sempre.
Como a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida, agradeço a 2009 por me trazer a oportunidade de estar com vocês nessa coluna do CCVP. Estou de volta no dia 12/01. Até lá, gente.