Juro que sou mais que isso.
Conheci uma consultora de Marketing que veio ao Vale prestar serviços para uma grande multinacional. Embora não tenha conhecido sua imagem, já que tudo foi virtualmente, ela me passou uma imagem – essa real, ao menos para ela – do que viu aqui, especialmente
A análise foi quase a de uma matriz PFOA, mas vamos as suas observações – as dela, é claro:
Disse que a cidade é extremamente limpa, visto que ela se atentou a isso logo no primeiro dia e, observadora, viu cestos de lixo, com saquinho plástico amarelo dentro, por todos os lugares. A ela pareceu uma cidade tranqüila, com boa qualidade de vida, entre outros bons atributos. Disse que o “povo” daqui dirige muito mal, não sinalizam, uns correm demais, outro quase param e que cada um dirige para si. Mas o que a deixou impressionada foi a forma de vestir das pessoas que trabalham: (abre aspas) Aqui todos usam calça jeans e camiseta, o que difere o chefe do subordinado é a marca da calça. (fecha aspas). E bateu nesta tecla por um bom tempo, dizendo ser difícil encontrar pessoas com roupa social, principalmente pequenos prestadores de serviço. Chegou a comentar com um tom quase metido e cosmopolita que
Enfim, o foco deste texto não é ela, mas sim a imagem que vendemos, posso estar completamente errado em meu pensamento, ou até mesmo influenciado por uma situação, mas me questiono se será esse também outro fator, ainda que muito pequeno, de contas grandes de comunicação, de empresas grandes aqui instaladas, estarem nas mãos de profissionais da Capital? Será que sabemos nos vender ou ao menos passar a credibilidade necessária?
É para se pensar.
março 29th, 2007 as 1:22 pm
Concordo em gênero, número e grau com ela. Pelo visto ela é de São Paulo (capital) né?
Foi exatamente essa a sensação que eu tive quando eu vim pra cá. Em tudo, na cidade limpa, nos péssimos motoristas e no jeito de se vestir.
Me lembro de uma ocasião em que a agência onde eu trabalhava, em SC, contratou um atendimento de SP (capital). O cara ficou chocado quando soube que o pessoal usava “apenas” terno nas reuniões com os clientes. “- Como assim vocês não usam gravata??!” disse ele.
:S
março 29th, 2007 as 6:25 pm
Tenho que postar esse comentário. Tentei ignorar, mas não consegui. Minhas mãos começaram a coçar, achei que fosse por causa de dinheiro que tava chegando, mas caí na real segundos depois.
Discordo parcialmente dos três, principalmente da garota capital.
Terno, gravata, roupa social e gelzinho no cabelo é uma combinação muito culta, muito arrumada, muito bonita, mas inegavelmente, contribui para a picaretagem.
Se vender é fácil. Difícil é fazer um trabalho bom.
Conseguir clientes é fácil. Difícil é cumprir os prazos que algumas empresas prometem para aumentar a carteira de clientes, com a mesma qualidade dos impressos do portfolio.
Difícil é rasgar o manto sobre São José que nos diz: “se é da capital é melhor”.
A observação mesquinha de nossa amiga sobre São José apenas reforça um preconceito, muito explícito por sinal, e que acatamos como verdadeiro.
O problema de São José não são as calças jeans e camisetas, é a falta de confiança da mão de obra da região.
É o mal de toda a cidade do interior: Aceitar que, além de ser do interior, é inferior.
“Interior”, apesar de ter uma sonoridade parecida com “inferior” apenas não se localiza na Capital. A palavra “inferior” vem da arrogância e da mania que alguns seres humanos têm de acreditar que existem seres superiores e inferiores, rotulados como “povo”, igual ao que foi mencionado.
Se algumas pessoas não sabem se vender, pode ter absoluta certeza de que não é pelo terninho ou técnicas aplicadas de como conquistar clientes, é por não acreditar em si mesmo.
Ontem, assisti a uma palestra média de um outro ser da capital, de camisa de marca, relógio brilhante e pele tratada em clínicas de relaxamento. Bastaram 15 minutos de conversa.
“Essa pesquisa que apresentei ninguém no mundo fez igual.” disse o ser, arrumando seu lap top Vaio. Ninguém no mundo fez igual?
A base das unhas dele e o reflexo no cabelo não ajudaram a me convencer.
Mas como disse, concordo parcialmente com a Paulistana: Os motoristas aqui são péssimos condutores.
abril 1st, 2007 as 3:12 pm
O que faz da capital um lugar diferente e aparentemente “melhor” é a questão de identidade e personalidade. Apesar da grande miscigenação faz se perceptível as diferenças entre suas tribos. Em SJC, por exemplo, ainda estamos a caminho dessa identidade. Até o prefeito usa calça jeans e camisa de listras entrelaçadas. Pode ser uma característica do interior mas isso não é o que impede a evolução.
É apenas uma questão de “mais”. Acreditar mais, arriscar, investir, apostar e trabalhar mais.
Seria bem mais esquisito, como numa cidade “operária”, ver o peão andando de bicicleta e terno. Boa parte dos que se vestem bem para o trabalho não aparecem nas ruas no dia-a-dia. Não temos um centro empresarial concentrado. Nem mesmo o centro da cidade tem essa característica, apesar das incontáveis agências bancárias.
E um quadro pior. Se você recebe um engravatado na sua empresa assusta. Ou é advogado, ou é religioso. É estranho, mas isso não faz parte da nossa cultura.
Isso é respeitar a nossa identidade e cultura. O que é certo ou errado eu já não sei dizer.
abril 3rd, 2007 as 1:56 am
Acredito que esta não seja caracteristica do brasileiro, e sim, do próprio que o paulistano. Por morar numa metropole global, adota esta postura “internacionalizada”.
Certa vez, li em uma revista um artigo sobre a tecnologia desenvolvida no Brasil e mostrava a maneira informal que nossos cientistas trabalhavam (INPE).
Acredito também que depende do mercado em que se trabalha. Já vi altos executivos trabalhando apenas de camiseta pólo. Depende do local. E o mais importante, depende da cultura.
Temos que tomar cuidado. Como dizem por aí, existem muitos “comem frango e arrotam peru”.
Insatifeita, vá para Buenos Aires.
: )
abril 3rd, 2007 as 8:24 pm
Lembrando também, não sei como pude esquecer ao postar minha opinião, da gigantesca Microsoft, famosa por seus diretores, gentes e colaboradores trabalharem de tênis e bermuda.
Fora a Google, onde os colaboradores praticam esportes, jogam GTA e tem 1/4 do tempo de trabalho para se dedicarem a assuntos que nada tem a ver com trabalho, na hora que quiserem.
O que faz uma empresa ter sucesso não é o terninho, não é o Vaio, é o quanto o profissional se envolve com o projeto e traz resultados para a empresa.
abril 4th, 2007 as 1:47 pm
Um erro não justifica o outro. O cara pode ser um exceletente profissional e AINDA assim, se vestir bem. Não é porque ele é bom que vai relaxar. Boa aparência é um plus, não uma troca.
Essa é uma questão de cultura como disse o Matheus, e deve ser respeitada. Eu respeito essa cultura local, mas não faço dela uma regra.
Penso que isso seja uma questão de bom senso. Se o povo daqui (povo no bom sentido, se é que existe um mal sentido pra essa palavra) se assusta com um cara engravatado, vá sem gravata! abra o botão de cima, relaxe. O x da questão é estar em equilíbrio com o ambiente. Com o que você está fazendo lá. Quem assitiu “Os piratas de Silicon Valley” viu o Steeve Jobs cortar o cabelo, fazer a barba e usar um terno quando foi necessário, e em outro momento ficar descalço e de bermudão rasgado dentro da sua empresa. (quem quiser, eu tenho esse filme, é só pedir)
Quer queira, quer não, aparência é o cartão de visita pessoal. Mas eu não preciso falar sobre isso. Vocês são designers.
abril 4th, 2007 as 1:53 pm
Ok, trabalhe de terno nesse baita calor que anda fazendo e eu continuo aqui com a minha horrível camiseta branca.
Concordo com você. Visual é plus, não crucial.
abril 4th, 2007 as 4:35 pm
Lembra da história do foco, então… vamos ao foco: se quisermos contas grandes, de empresas grandes, onde 95% estão muito bem vestidos, temos que nos comportar assim também. Quem acha que não, prospecte um bom cliente em qualquer capital do pais e vá vestido de jeans e camiseta, se fechar qualquer proposta tem mil reais para pegar comigo.
Abraços.
abril 4th, 2007 as 7:26 pm
discordo de novo, é um desafio interessante, mas não fujamos do foco.:)
abril 4th, 2007 as 11:05 pm
Sandro, eu concordo com o que você diz, mas eu não quero acreditar nisso! rsrsrs.
Se tiverem a oportunidade de conhecer sobre a IDEO, vale a pena. Os caras ralaram por 20 e tantos anos para chegar nos dias de hoje como a empresa mais inovadora do mundo. Parte do sucesso da Apple tem a mãozinha da IDEO. Verei se encontro algo na net e posto pra vcs. Abs
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