Faça o que você gosta

Há mais ou menos 8 anos atrás eu decidi fazer o que eu gostava. Fiquei entre uma vaga numa grande empresa, num departamento burocrático de comunicação e uma carreira em agências de publicidade. Escolhi trabalhar em criação, em agências de publicidade, eu iria fazer o que eu gostava. Criar, redigir, gravar VTs, spots, jingles, etc.




O tempo foi passando e fui mudando de agências, mas sempre na criação. Um dos motivos que me levava a mudar de agência quase sempre era o salário. Era uma forma de se obter aumento. Evolui bastante, aprendi muito, estudei pra caralho e hoje sou um redator pleno. Com experiência nas mais diversas mídias, desde tablóides, passando por VT’s, jingles, indo até webwritting e SEO. Sei que não cheguei no topo de nada, nem sei se esse topo existe. Seria medido por prêmios, dinheiro, fama? Qual seria a sua medida justa para se medir o topo? Mas voltando ao assunto, dentro da profissão que escolhi, estou apto a fazer de tudo.




E nessa, se passaram 8 anos. Hoje, eu tenho 2 filhos, e o que gosto de fazer é me divertir com eles. Viajar, meter a mão na areia, sentar no chão pra comer, entre outras mil coisas que esquecemos o quanto é bom, enquanto o tempo passa e a gente cresce. Só que atualmente, o salário de um redator pleno (pelo menos o praticado pela maioria das agências do interior) não permite que eu faça o que eu goste. Não dá para se ter uma família com esses salários praticados. Meus irmãos falam da minha tatuagem, mas hoje acredito que meus 2 filhos sejam maior empecilho pro empregador do que a tatuagem que nem mesmo fica à vista. É desumano pensar assim, mas muitos donos de agência pensam. Talvez porque quem é pai, sabe o que é bom e tende a lutar pela família.




Então, o maior conselho que posso dar hoje para quem está começando, é realmente pensar no que gosta. Pensar que isso pode ser relativo. Que muda com o tempo. Que trabalhar na criação pode se tornar uma rotina. E dependendo da agência, essa rotina e os seus títulos serão controlados por clientes que você só conhece por telefone. Mas é claro, isso tudo pode valer a pena, escolha bem as agências em que você trabalha. Cuidado com anúncios de estágio que procuram profissionais especializados, com conhecimento avançado em diversos softwares, isso quase sempre significa fria. Não vai ter ninguém pra te ensinar, vão te cobrar como profissional e pagar como estudante. Na minha opinião, o interessante é que o estagiário tenha boas idéias, bom gosto e caráter, software todo mundo aprende. Lute por salários melhores, normalmente, as agências podem pagar, mas nunca dirão isso de primeira. E, finalmente, não deixe ninguém atrapalhe ou impeça que você faça o que você gosta.

3 comentários sobre “Faça o que você gosta”

  1. Fabio escreveu:

    Belo texto. Aplica-se muito bem a quem vive de propaganda, porque vejo que, muitas vezes, o mercado é ingrato com a nossa profissão.

  2. Sandro Mendes escreveu:

    Concordo viu! Salário de agência aqui não é salário, é ajuda de custo, ou seja, quanto custa pra vc se manter vivo e vir aqui trabalhar. Aí depois vem iludidos achando que dá pra competir com sp e blábláblá…

    Abs.

  3. Josué Brazil escreveu:

    Calma aí, gente. Eu fui dono de agência e os donos, aqui, também não ganham o suficiente, muitas vezes, nem para compensar o risco de ter um negócio. O que precisamos fazer é brigar para que o mercado cresça, para que nossa profissão/atividade seja mais respeitada e conhecida e, é claro, brigar por salários menores!
    Está havendo cada vez mais procura por criativos melhores e, quem quiser os melhores mesmo, vai ter que começar a pagar por isso.
    Agora… fazer o que se gosta não tem preço..MESMO!!!

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