É para falar ou calar?
Conversando com um grupo de empresários e diretores de empresas (apesar da caracterização do grupo ser masculina, a maioria eram mulheres, principalmente no alto escalão), o assunto chegou na tal da propaganda. Numa roda onde boa parte dos presentes havia feito especializações, pós e mbas em marketing, senti certo descaso com aquele bracinho mais emotivo e brincalhão desse tão falado leque – a publicidade e propaganda.
Foi dito e falado muito a respeito. Citaram cases de sucesso, de ações de determinadas empresas para melhorar imagem e ganhar mercado, entre outros. E como sempre, alguns expuseram sua propaganda favorita, outros foram além e até mencionaram nomes famosos da publicidade mundial. Mas o que ficou é: quem trabalha em agência são uns pobres coitados – e acredito que só usaram a palavra “coitado” para dividir a atenção com sua antecessora: “pobre”, uma vez que disseram que qualquer assistente de marketing iniciante, ganha mais que um profissional de agência com 10 anos de experiência, salvo algumas pouquíssimas exceções. Durante este assunto proferiram, em tom de brincadeira, comentários como – segue a lista:
- “Também, para fazer isso basta ter um micro com uma versão de corel pirata.”
- “Sem falar quem nem precisa fazer faculdade.”
- “E tem outra, isso é tudo achismo, quem pesquisa mercado e analisa a verdadeira necessidade são os profissionais de marketing.”
- “É, mas pensa esses bichos-grilos, cheios de tatuagem e fumando maconha trabalhando dentro de uma multinacional.”
- “Sem falar que esses caras detestam acordar cedo, a agência só abre as 9 da manhã. Nove?! Eu já estou na segunda reunião do dia.”
E seguiram tantas outras, sempre com esse tom de humor, até que citaram personagens famosos e muito bem sucedidos da propaganda como Washington Olivetto, Nizam Guanaes e, mais recentemente, o Justus.
Enfim, essa postagem é em quase um desabafo. Precisava contar isso para alguém, até porque sai desse bate-papo (para mim, apanha-papo), sem saber direito que postura tomar, sem saber se ficava feliz por viver num universo diferente dessas cabeças fechadas ou se ficava triste de saber que as cabeças fechada eram, em sua grande maioria, bem sucedida profissionalmente, em particular financeiramente.
abril 27th, 2007 as 11:37 am
Não esquenta não, vc estava em minoria.
Marketing é razão, propaganda é emoção.
maio 2nd, 2007 as 2:33 am
maio 6th, 2007 as 7:44 pm
Se o marketing é a razão então eles não estão errados. Não totalmente. Ontem mesmo eu li um texto e fala algo como “…a publicidade perde grandes profissionais que deixam de trabalhar em agências e vão para o marketing de clientes em busca de mais reconhecimento financeiro…”. Era algo mais ou menos assim. São poucos profissionais que ganham realmente bem em nossa área. Se formos comparar quantas agências tem em cada cidade, quantos estudantes estão se formando a cada ano, não é fácil. Se isso um dia vai mudar, se as agência vão reconhecer melhor seus profissionais, sei lá. Vai muito além de reconhecer ou não, é preciso mudar muita coisa para que ela também ganhe mais e possa pagar mais. Agora, já que é o CCVP, vamos falar do Vale do Paraíba. Eu acho quase impossível um profissional se sentir realizado financeiramente nessa região. Mas quer saber, já que popaganda é emoção, dane-se. Vamos trabalhar por ela. A razão a gente divide em 36 vezes. Mas o foda é que os juros são bem altos.
maio 10th, 2007 as 3:44 pm
E não é que concordo com os engravatados?
Bem, essa é a real impressão que todo mundo tem sobre propaganda e não apenas engomadinhos de gel no cabelo.
Aliás, quem é realmente respeitável para esse povo de terninho e reloginho de prata a não ser eles mesmos?
Porém, eles levantaram uma questão muito legal. Qualquer assistente em Marketing ou Administração ganha mais do que um cara que está em uma agência há cinco anos. E, meu amigo, trabalhar como trabalham o povo de propaganda (muito mais do que qualquer profissional assalariado) e ganhar o ganha (muito menos do que qualquer profissional), é realmente lamentável.
Mas, olha só, que coisa, tem um lance que todo mundo aceita como fato inegável, e um belo argumento que ninguém defende.
Propaganda é emoção? Hum, nope, não exatamente. Acho que as coisas se misturaram tanto que o real sentido dela não existe mais.
Achar que pesquisar mercado e novas tendências, é coisa de profissional de marketing é pensar pequeno. Diferente do anúncio do fusca.
Agência que apenas executa o que os profissionais de marketing pedem, não é agência. É gráfica. É pastelaria ou qualquer coisa que não exerce a atividade de propaganda, nem publicidade. E muito menos resolve o problema dos engravatados.
Esse tipo de agência não argumenta. Não está por dentro do mercado do cliente. Não questiona suas ações de marketing, nem pra entender o motivo dela existir.
Essa agência fica lá, colecionando clientes, tentando impressionar os maiores e desprezando os menores, a mesmice de sempre, contratando gatinhas pra trabalhar no atendimento, fingindo que está tudo sobre controle. Essa entidade abaixa o preço porque a gráfica da esquina faz mais barato. Recebe menos, contratam por menos. E, olha só, quem aceita ser contratado pra ganhar mixaria? Estudantes do primeiro ano, pessoas que não se formaram ou que não tem qualquer experiência anterior na área. E dá lhe bucha.
Errou? Paga do bolso. O texto ficou com espaços a mais? Chumbada! O cumputador não tem memória suficiente pra trabalhar com programas gráficos? Se vira.
Cadê os caras que não erram?
Cadê os caras que manjam?
CaDê os caras que pesquisam?
Cadê os caras que QUESTIONAM?
Cadê os caras que gostam do que fazem e tem objetivos bem traçados para a carreira?
Cadê os supervisores que batalham pelos subordinados?
Foram procurar algum lugar que valorize o que eles fazem de melhor: trabalhar bem.