Criativo Crônico - E agora quem poderá nos defender?
Antes de sermos publicitários, somos seres humanos. É a pessoa que contém o publicitário, e não o contrário. Terremoto no Chile e no Haiti, chuvas que destroem São Luiz e Angra dos Reis, neve que amedronta a Europa desde o começo do ano (nevar em Roma é um milagre que Papa nenhum seria capaz de prever, e aconteceu), são tantas as loucuras que a Mãe Natureza anda fazendo por aí que não conseguimos entender qual é a verdadeira extensão de seu recado. Tentei seguir o Al Gore no twitter e ver se havia mais alguma verdade inconveniente, mas nada. Aliás, só nos restou sermos todos geólogos e meteorologistas de plantão e tentarmos de uma maneira ou outra explicar o que está acontecendo. A questão me parece de causa simples de entender, mas difícil de se reverter: usamos mal os recursos naturais, passamos da conta na exploração deles e agora pagamos por isso.

Fotos do UOL de Talcahuano, CHI, e S. Luiz, incrível como as tragédias se parecem.
Diante desse cenário em que 2010 começou com cara de 2012, as redes sociais passaram a ter um valor imenso também na solidariedade. Marcello Serpa (@Marcello_Serpa) mencionou em seu twitter que o “Escritório principal da BBDO Chile escapou intacto. Já a Fierce, segunda operação da BBDO sofreu danos severos.Todos funcionários estão bem.” E que “RT @apedroso: A DDB Chile foi destruída, felizmente todos estão bem também.”
Eu também vivi uma experiência no começo do ano que envolveu S. Luiz. Recebi um e-mail de José Luiz de Souza que repassava uma mensagem do jornalista Luciano Dinamarco (@dinamarco) com links para os vídeos da cidade e o que havia acontecido. Percebi que na mesma mensagem também havia uma primeira manifestação por conseguir arrecadações em Taubaté. O que eu podia fazer? Postei essas informações em meu twitter colocando como se poderia ajudar a cidade. Comecei a ver que meus followers estavam passando adiante a informação com RT. Aí me deu um clique e fui mandando a mesma informação e pedindo para pessoas com grande número de followers como Mentor Muniz Neto da Bullet (@neto), Michel Lent da Ogilvy(@lent) e o jornalista Claudio Lessa (@LessaCG) que também dessem RT e ajudassem a multiplicar a informação. De repente, vi o poder que isso foi tendo. Todos passando adiante e procurando fazer algo por ajudar, fazendo um mínimo ali. Independentemente do que acontecia no twitter, a dimensão que a tragédia tomou comoveu pessoas que nunca estiveram ali na cidade e de uma maneira ou de outra tentaram ajudar. Veículos de comunicação de toda a região também mostraram seus papéis diante da sociedade e também tomaram a iniciativa de ajudar. De qualquer maneira, o fato é que até agora os moradores ainda estão sob condições difíceis em abrigos e as obras de reconstrução do CDHU estão previstas para serem entregues somente no começo de Abril.
Quando o assunto é sermos ambientalmente e socialmente responsáveis, costumo bater numa tecla: como publicitários, o que podemos fazer para contribuir socialmente com nossos talentos? Se somos assim tão bons em convencer pessoas e movimentar a opinião pública, por que não nos movemos? É raro termos uma iniciativa que parta de um cliente, temos que propor nós mesmos as melhores maneiras de passarmos isso adiante. Já falei aqui sobre um projeto do qual a Arriba! participou ativamente junto ao valeparaibano e à Urbam sobre reciclagem de jornais. Já fizemos também parte de outro projeto da Urbam quanto ao Aterro Sanitário de São José dos Campos, há quase 2 anos atrás. Agora é a vez de outro projeto desse cliente que será lançado agora em meados de março. No entanto, essas iniciativas ainda não me deixam plenamente satisfeito, fico com a sensação de que podemos, todos no mercado, fazer mais.
Sermos sustentáveis deve ser um preceito de nossas criações. Ela já deve estar permeada na hora da ‘ideia do caralho’. Agir de maneira responsável já deveria partir do princípio de nossos próprios processos criativos, utilizando com mais propriedade os recursos de que dispomos para fazermos comunicação. Onde quero chegar é que não basta utilizar papel reciclado. Indo um pouco mais longe, passo até a questionar se a propaganda como conhecemos do “Beba”, “Compre”, “Faça” e sempre tão impositiva, volumosa e repetitiva tem espaço em meio a uma necessidade da sociedade em se comportar de maneira menos consumista e impulsiva para mais consciente e responsável. Não sou o cara mais ecologicamente correto desse mundo, posso evoluir muito, mas fico imaginando se este não é o momento de revermos também conceitualmente o papel da propaganda dentro da sociedade.






INSTRUTOR