A gente podia falar hoje sobre rótulo de garrafa, de compota, de qualquer outro tipo de embalagem que você possa imaginar agora. Mas pense comigo quantas vezes ao dia fazemos outros tipos de rótulos para coisas e pessoas. A gente nem percebe que está fazendo e, pimba, lá foi mais um: “Isso é coisa de criança”, “Coisa de intelectual”, “Coisa de vagabundo, de quem não tem o que fazer”, “Que Baiano!”, “Isso é muito étnico”, “Ô Português”,”Isso é muito gay”, “Coisa de pobre”, “Isso é coisa de gente rica, de gente fresca”, “Programa de Índio”, “Coisa de bicho grilo”, “Papo de mulher” e por aí vai. Quando falamos que não temos preconceitos, isso é a prática? É cultural? A propaganda reforça isso? Dá uma olhada no mapa do Brasil sob a visão dos paulistanos que recebi por e-mail.

Na Internet achei mais esses aqui, de Gaúchos, Paranaenses e Catarinenses.



Eu queria era saber o mapa do Brasil de acordo com os Acreanos, mas vê esse mapa aqui ainda:

Os paradigmas, essas crenças, acabam por limitar não as outras pessoas, mas nós mesmos, na nossa forma de pensar,
de agir, e de criar. Enxergamos as coisas com filtro, com esse guia, tapando os olhos da gente para só seguirmos em um caminho. Igual a um cavalo que puxa uma charrete. Isso pode ser a resposta perfeita para não ousar, não só para fazer o que é conservador, mas também para encaixar tudo somente ao que é considerado ‘moderninho’. Encaixar as coisas à própria visão de mundo, tanto faz a forma, é a mesma atitude. Fico pensando na campanha do Teatro Municipal de “Som & Fúria”, em que a agência “Sapo Martelo”, cujo diretor era o personagem de Rodrigo Santoro, cria uma campanha absolutamente modernosa para a temporada de Shakespeare e é um fracasso. Tem produto que é conservador e precisa de comunicação conservadora, porque tem cliente que precisa disso. Gilberto Gil disse outro dia numa entrevista ao Lázaro Ramos, no Canal Brasil: “É preciso tratar as diferenças diferentemente”. Inteligente é saber falar com o CEO de uma multinacional ou com a tia da limpeza, na linguagem de cada um.
Pense na água. Dentro de um copo, dentro de uma jarra, dentro de uma xícara, dentro de uma caixa d´água, dentro de um cano, esparramada pelo chão, em forma de vapor, num cubo de gelo, não importa onde, ela se adapta onde precisa estar, mas nunca deixa de ser água. Você não deixa de ser você por usar uma linguagem do outro para se fazer entender e dizer o que você deseja. Temos que ser flexíveis para criar e fazer de tudo, sendo nós mesmos, numa boa, autênticos e ao mesmo tempo respeitando as diferenças de públicos e clientes.