Criativo Crônico - My name is

Dar nome a um produto é pior que dar nome a um filho. ‘Gustavos’ existem aos montes por aí. Até mesmo ‘Gustavos Gobbatos’ também (Orkut existe pra isso, olha lá). Mas e um produto? Toda vez que vejo a vodka SKYY (propriedade da Campari) me lembro na hora da SKY (TV por assinatura). Entre Skol e Sol, prefiro Brahma. Os chineses então são mestres em fazer cópias. Já viu o laptop que ao Inês de Sony VAIO é VAIC? Então, já teve até campanha dos Mini Coopers usando como argumento a falsificação. Como só é falsificado aquilo que é precioso, usou-se essa tática para valorizar os carrinhos ingleses da BMW (?! estranho, mas é verdade).
Mesmo com essa salada de países, acredito que batizar uma marca seja ainda mais difícil ao analisar também o mundo digital. Temos que escolher nomes que tenham um sentido para seus endereços ‘www’. Nesse jeitinho pra poder encaixar o nome da empresa que já existe a um endereço registrável às vezes se cometem erros que descaracterizam a marca ou a abreviam de uma tal maneira que só com Google mesmo. A proteção da empresa também precisa ser avaliada. Quando a marca VIVO foi lançada, a marca MORTO e seu endereço eletrônico (www.morto.com.br) foram registrados também por ela de forma a evitar críticas ou paródias mal intencionadas. Olha lá no registro.br e procura, o domínio continua sob poder da Vivo.
Não são só das coincidências ou das cópias temos que nos proteger. Não podemos cometer gafes de colocar nomes que gerem um outro sentido seja na nossa língua ou num regionalismo. Não compreendo como alguém em sã consciência permitiu que algum executivo desse a ordem de registro de nomes de carros como BESTA, CHANA,PICANTO ou ainda Honda FIT. É, isso mesmo. Honda FIT. Já fui testemunha de uma dona desse carro tentar instalar um som numa loja. “Hã, Honda da FIAT? Não entendi.” Pra ver mais cases de nomes esdrúxulos de carros, veja aqui. Quando a marca LG chegou ao Brasil, ela foi lançada com a sonoridade em inglês ‘EL Gee’, confundida facilmente com ‘Elgin’. Sonoridade também conta.
Um dos grandes nomes do ‘naming’ no mundo, David Placek, da Lexicon Branding conta que possui “82 lingüistas em mais de 40 países. Eles trabalham para ter certeza que algo como BlackBerry não tem conotações negativas, nem signifique algo que poderia confundir o consumidor. O processo demora entre seis e dez semanas.” Imagine fazer isso na nossa região seria inviável. Ele foi responsável por nomes como a própria BlackBerrry, além de Zune e Powerbook. Na mesma entrevista, ele conta que gostaria de ter criado nomes como Oracle, Dreamworks, e, claro, Apple (Até eu!)
Dar um nome a uma marca não é trabalho fácil. Deve ser feito com critério, solidez e pesquisa, muita pesquisa e adequação ao público-alvo. Costumo contar a história do meu próprio nome. Minha mãe, professora, estava grávida e nesse momento surgem naturalmente os papos de ‘qual vai ser o nome da criança?’. ‘Se for menina, será Júlia. Se for menino, será Ricardo’. ‘Ricarrrrdo, que nome lindo’. Prevenindo-se contra a dificuldade que eu teria com o sotaque característico da nossa região, minha mãe voltou pra casa e escolheu um nome que não tinha ‘R’, Gustavo.
Minhas desculpas aos leitores por publicar a coluna na quarta-feira, semana que vem volto às terças na programação normal.
Outro dia, fui almoçar numa padaria aqui em São José e quase tive um treco. Na hora de pagar vi uma, umazinha só, tava lá, uma verdadeira jóia descansando no caixa do lado dos diamantes negros, dos suflairs e dos alpinos, uma barra de chocolate WONKA. Não acreditei que estava diante de uma WONKA BAR! Os olhos brilhavam e eu parecia uma criança diante daquela preciosidade única. Única mesmo. Peguei antes que algum Oompa Loompa viesse me dar um safanão. Abri ali na hora e mandei ver. Era apenas uma barra de chocolate Nestlé com flocos de arroz dentro, tipo um chokito invertido, delicioso, nada de espetacular, mas era um chocolate WONKA (como esse da foto). Sou do tempo em que Willy Wonka era Gene Wilder e não Johnny Depp. Quantos da minha geração não queriam estar lá no meu lugar realizando um sonho mais doce e colorido do que qualquer sessão da tarde. Até guardei a embalagem para provar que era verdade que provei adulto um pedacinho da minha infância.
Depois, olhando para a embalagem, fiquei pensando no poder de uma marca. O que despertam em nós? Que emoções provocam? Somos fascinados por elas. E se não fosse assim, como seria o mercado das falsificações? Ou você nunca viu uma Louis Vuitton da 25 de Março? Por exemplo, a 
