Por que se paga tão pouco por projetos para a Internet.
Por Michel Lent Schwartzman
Quando a turma profissional de web se encontra para bater papo, um personagem que não falta nas histórias contadas é o sobrinho. Todo mundo que trabalha no meio já se deparou ao menos uma vez com a situação na qual, ao apresentar um projeto e sacar o orçamento, recebeu de resposta: “Mas custa tudo isso? Meu sobrinho tem um Pentium em casa e me disse que faz a página para mim de graça”.
No começo da Internet no Brasil, ninguém sabia a diferença entre o trabalho do sobrinho e o de um profissional. Fazer a tal homepage era uma obrigação mais do que uma necessidade e os clientes sem qualquer entendimento do assunto (afinal, QUEM entendia na época?) procuravam a ajuda de quem inspirava mais confiança. Muitas vezes a tal figura era mesmo a do sobrinho. Fazer uma página, então, era bastante básico e os projetos contavam com recursos limitadíssimos.
Atraídos então pela “simplicidade” do trabalho, pela sedução e hype que a Internet sempre provocou desde seu aparecimento, centenas de profissionais, curiosos e sobrinhos das mais diferentes áreas resolveram trabalhar com a criação de páginas, para ganhar “um troco”. Ao começar a se tornar popular, a Rede gerou uma enorme demanda inicial, por que todo mundo “precisava” estar lá, mesmo sem saber porque.
Milhares de empresas saíram em busca de alguém que pudesse fazer sua página e o mercado de homepages se configurou como um lugar para se ganhar dinheiro “fácil” e rápido, criando um ambiente inchado de pessoas brigando por posicionamento e destaque profissional, trabalhando por qualquer quantia ou muito freqüentemente de graça.
Com o desenvolvimento da mídia e do mercado, o cenário mudou e a evolução tecnológica permitiu o aparecimento de projetos maiores e muito mais complexos, como os Internet Banking, comércio eletrônico, sites baseados em páginas criadas dinamicamente, utilização de áudio, vídeo e multimídia em geral. Para o desenvolvimento destes projetos mais avançados, tornou-se necessária a utilização de equipes multidisciplinares, com especialistas em programação, áudio, vídeo, design, marketing, propaganda etc.. Evidentemente, estes projetos mais complexos com a utilização de equipes multidisciplinares têm seu custo muito mais elevado que as simples páginas estáticas com texto e imagem.
O problema é que, aparentemente, esta cultura de preços baixos somada à falta de compreensão da complexidade dos projetos por parte dos clientes, e enorme concorrência por parte das produtoras, continua a impedir que se cobre corretamente por um trabalho profissional. Hoje, mesmo que se apresente uma descrição detalhada do projeto e equipe utilizada, continuamos a encontrar respostas do tipo “meu sobrinho faz mais barato”.
Mas talvez mais prejudicial do que o sobrinho seja a própria ação predatória das empresas e profissionais que atacam o mercado de Internet cobrando preços irrisórios ou até trabalhando de graça em troca de posicionamento de mercado, exposição ou até mesmo para “aprender fazendo”. Estas empresas e profissionais raramente têm a Internet como sua principal fonte de renda e por isso têm condições de cobrar preços tão absurdamente baixos. Tal cenário tem tornado absolutamente inviável a sobrevivência de empresas que se sustentam apenas com projetos para a Internet, por melhores e mais competentes que sejam.
A cultura de preços baixos criou um patamar difícil de ser alterado e, como conseqüência, mesmo as produtoras renomadas e com grande experiência e portfolio se vêem obrigadas a ficar num patamar de verba impraticável. Projetos de complexidade e valor institucional importantíssimos têm verbas absolutamente irrisórias para seu desenvolvimento. A discrepância entre o valor do trabalho e seu custo é tão grande que chega a representar 1/10 ou até 1/20 do seu valor real.
Em função deste estrangulamento econômico, o mercado de produção para Internet no Brasil tem vivido uma enorme decepção nos últimos meses, e o que parecia ser uma mina de ouro para muitos, tem se mostrado como um ambiente impraticável para se manter uma empresa que viva exclusivamente disso. Mesmo as maiores produtoras do país estão apertando os cintos e, quando podem, diversificando sua área de atuação. Compras de pequenas produtoras por agências de propaganda e provedores de acesso estão anunciadas nas páginas dos veículos especializados e parecem ser definitivamente a única forma de se sobreviver ao momento do mercado.
Mas a certeza de que o estamos enfrentando é um problema conjuntural está na constatação de que a Internet continua a crescer, gerar cada vez mais negócios e cada vez mais se configurar como o mais importante acontecimento da comunicação da história do homem. Mas até a hora em que isto começar a se traduzir para a realidade do nosso mercado e do nosso bolso, o negócio é usar a criatividade e continuar remando.
29 jun
Que atire a primeira pedra quem nunca passou por uma dessas situações.
Ao contrário do que sempre ouvimos desde a faculdade, de que um cliente insatisfeito passa esse sentimento para 14 pessoas e o satisfeiro para no máximo 4, isso parecia ser antes do ‘vou xingar muito no twitter’. Isso não parece ser o que um estudo lançado pela Faculdade de Saúde Saúde Pública de Harvard parece ter concluído após acompanhar 5 mil pessoas durante 20 anos. Faz mais ou menos um mês que li a coluna do Gilberto Dimenstein que dizia isso: ‘A Felicidade é contagiosa’. O estudo afirma que as pessoas felizes tendem a passar esse sentimento adiante para familiares e amigos. O interessante é que a a forma se assemelha a um contágio. Como se você pegasse uma gripe e passasse aquele vírus pra frente. A tristeza também se alastra mas de maneira menos intensa.
Dimenstein ainda fala que: “esse tipo de informação faz parte de um esforço de Harvard de encarar a felicidade, objeto do besteirol de autoajuda, cientificamente. Daí ter sido criado na escola de medicina a ‘ciência da felicidade’, usando as novas tecnologias para mapear o cérebro. O que se descobre ali é aplicado em hospitais. Ou até em políticas públicas: professores da universidade estão orientando prefeitos a criar um índice de felicidade.”
O estudo chega a ser revelador para nossa área ao prever que quando compramos coisas e temos objetos que queremos, o cérebro responde com menor intensidade, nas áreas responsáveis pela satisfação, do que quando se leva uma vida simples com a natureza, quando estamos com amigos, ou quando manifestamos a solidariedade.
Para um brasileiro, três coisas não se discutem: futebol, política e religião. Os assuntos são polêmicos, é verdade, mas não é por isso que publicitário não gosta de cutucar os três assuntos. Não por acaso, estava lendo no CCSP, que em um dos painéis de Cannes 2011, que existe um estudo dizendo que o local no cérebro ativado pelas marcas é o mesmo que pelas religiões. Por mais que isso pareça notícia de tablóide, dá pra entender. Vou deixar os caras falarem por mim:
” Em seminário realizado agora há pouco, no Festival de Cannes, o especialista em marcas Martin Lindstrom e o presidente executivo da Goviral, Jimmy Maymann, foram enfáticos ao afirmar que a mesma região do cérebro que é ativada pela exposição a marcas, é ativada por pensamentos religiosos.
O estudo elaborado por Lindstrom traça um paralelo entre as marcas e as religiões, assuntos que se baseiam em contar histórias e dispõem com um amplo arquivo de imagens e símbolos. Segundo ele, quando os consumidores fazem esse tipo de associação, a história da marca tende a ter uma vida mais longa em relação a seus concorrentes. Ele cita como exemplo a Apple, que tem grandes histórias que contribuem para dar força para a marca, com o passar dos anos.
“Marcas com histórias para contar são tradicionalmente associadas a grandeza, visão, um inimigo conhecido e um certo grau de mistério”, salienta Lindstrom. Quando o consumidor faz essas associações, a história da marca tende a ter uma vida mais longa em relação a seus concorrentes. Ele cita como exemplo a Apple, que reúne grandes histórias que contribuem para dar força para a marca, com o passar dos anos.
Hoje, segundo Maymann, para uma marca obter sucesso, não basta ter apenas clareza sobre o seu destino. Essa marca também deve ter o que ele chama de “distribuição de marca”, um planejamento que ajuda a gravar a sua história a fazê-la presente na mente do consumidor.”
O ’storytelling’ ganha uma força imensa com este tipo de argumento. Já conhecemos diversos cases em que marcas contam histórias e se dão bem com isso, conseguem o tão sonhado engajamento e vão além. É fácil perceber que a Apple tem fanáticos (sempre ela), mas vejo que outras marcas nacionais também tem os seus sem adotarem exclusivamente o storytelling como estratégia, mas simplesmente por terem algo interessante e divertido a dizer. Volkswagen é uma, com certeza. Skol é outra. São marcas que amamos, e já que o verbo vem da religião, por que não dizer que as idolatramos.
Já repararam que algumas pessoas estão sempre com dificuldades de realizar?
Pra cada missão, são 20 obstáculos contra ele e 2 contra os outros.
E quando alguém realiza, o sujeito olha e diz: “foi sorte” ou “trabalhei mais, eu merecia”
Bom, trabalhar muitas horas não é sinônimo de trabalhar bem.
E ter sorte, como tudo na vida, é relativo.
Acredito em estar preparado ou não.
Acredito em fazer as coisas no tempo certo ou ser apressado.
Acredito em pensar direito ou ser impulsivo.
Olhem esta série de anúncios:



Achei muito boas estas peças.
E as mesmas poderiam ter sido criadas em uma agência mega super estruturada ou na casa de um freelancer. Não há nada super caro na produção deste anúncio. Existe apenas um preparo profissional e uma mente afinada por trás. Além, claro, de um cliente que aprova uma boa idéia.
A grosso modo, temos papel recortado e uma boa foto pra expressar uma idéia.
O que fez diferença, com certeza, foi o repertório criativo e talento dos profissionais envolvidos.
Talento da dupla de criativos pela idéia.
Talento do atendimento em trazer o briefing correto e defender a idéia depois.
Talento do cliente pela visão, já que aprovar é uma responsabilidade, sim.
Talento do fotógrafo e do arte finalista.
Então é isso, hoje a coluna existe pra falar que todos podem ter um resultado muito bom, independe de estruturas colossais. Depende mais do seu intelecto e repertório profissional.
E você? Qual sua desculpa pra não realizar o que deseja?
Boa semana a todos
Maru
twitter @marushios
02 jun
Está chegando o dia galera, não deixem de prestigiar =)

Na semana passada o vídeo que está no final desta coluna foi divulgado no twitter e teve boa repercussão.
Não é pra menos, há décadas o assunto é motivo de preocupação entre empresários de comunicação e freelancers. Não é assunto novo, mas também não é assunto esquecido, pelo contrário.
E clientes, não se ofendam com esta coluna, assistam o vídeo e pensem no assunto, há dois lados da moeda e o benefício é mútuo. Afinal, negociação bem-sucedida é quando ambos os lados ganham. O profissional recebe o que merece, o cliente ganha qualidade e resultados.
Existe, ainda, entre as médias e pequenas empresas (bem menos nas grandes empresas), uma desvalorização dos profissionais de comunicação. Seja porque, aos olhos do empresário, o investimento importante é o do ponto de venda e estoque. Seja porque muita gente aprende “coreldraw” e faz “arte” facinho… Nivelando por baixo a classe toda.
O que é necessário ser compreendido, é que o negócio de criação/comunicação é um negócio como qualquer outro, precisa ter lucro pra se manter e atender melhor. Quando achatam nossos preços ou não nos valorizam, o profissional tem que trabalhar em ritmo e custo de pastelaria. Não existe como entregar um trabalho excelente sem prazo, calma (sim, pra criar é necessário sossego) e verba.
O mundo ideal é cobrar pela idéia + horas/homem. Mas hoje até mesmo cobrar pelas horas/homem mostra-se uma luta. O profissional quase tem que pedir por favor. Sendo que um trabalho de comunicação bem feito (seja uma identidade visual, um anúncio ou estratégia), traz lucro e reconhecimento pra marca durante anos.
Bem, falei bastante, vamos deixar o vídeo mostrar mais do assunto.
Pirateado na cara de pau do Post do Felipe Batista, anterior a esta coluna.
(o que é ótimo, porque sofro pra inserir vídeos aqui)
Original no blog Sketcheria, do ilustrador Montalvo Machado, legendado.
Uma excelente semana a todos e que possamos mudar esta realidade.
Maru
twitter: @marushios
12 mai
Desculpa a grosseria, mas é realmente o que dá vontade de falar quando temos dificuldade de receber de algum cliente. Esse vídeo é de uma palestra de Mike Monteiro, da Mule Design, que rolou no Creative Morning, evento muito bacana por sinal. Mike e seu advogado dão alguns exemplos de situações comuns de desculpas de clientes e as saídas que teve que tomar para resolver esses problemas, além de explicar qual é a melhor maneira de evitar esses transtornos.
Vídeo retirado do Sketcheria, blog do ilustrador Montalvo Machado, que fez esse favorzão de legendar a palestra toda!



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Josué Brazil
É bom ver o CCVP de volta a ativa!!!Michelli
cadê?André Leone
Gostaria muito de um desafio. Como não atuo ainda 24hs do meu dia trabalhando, acaba sobrando um tempinho para freelances. Grato pela atençãomarushio
A Globo pelo jeito gostou da ação criada pela Molotov. http://globoesporte.globo.com/lutas/noticia/2012/01/ring-girls-brasileiras-chamam-atencao-eMarcosTeles
Caros, Gostei muito do logo. simples e direto

