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Tríadaz escreve sobre Glauco

quarta-feira, março 17th, 2010

Todos ficamos atônitos pela perda irreparável para as tiras em quadrinhos do Brasil. Glauco Villas Boas se foi. Mas ele deixa um legado de fãs que buscam inspiração no seu trabalho para criar desenhos com traços soltos, cuja mensagem direta atinge corações e mentes de seus leitores. Sensibilizada, a Tríadaz Propaganda e Marketing pediu que seu ilustrador Rogério Ucra – que desde a adolescência admira o trabalho de Glauco e bebe na fonte de sua arte – escrevesse um artigo sobre o tema. O resultado você lê no artigo publicado no jornal Valeparaibano, em 16 de março, intitulado “A herança de Glauco”.

Geraldão está órfão. E com ele, uma legião de ilustradores, cartunistas e admiradores de Glauco Villas Boas também se sente em desamparo. Não é exagero afirmar que o humor nacional está de luto. Com estilo singular, Glauco fazia um retrato da sociedade brasileira, muitas vezes, escondida envolta de clichês, purismos surreais e visões fantasiosas da verdade. A forma de ele enxergar e colocar o social nas tiras de quadrinhos é insubstituível.

Seus personagens nos mostram a realidade que não se esconde embaixo do tapete –a faxina tem que ser completa! Ele apresenta com seu Geraldão o consumismo exacerbado de um adulto infantilizado, acomodado e apático. Quantas vezes agimos como se Geraldão fôssemos? Dona Marta virou símbolo da mulher reprimida que encontra na degradação moral consolo para seus anseios mais íntimos. Já o Casal Neuras espelha os contratempos modernos vividos entre homem e mulher em plena revolução sexual, onde os papéis se confundem. Quem manda na casa, afinal?

Leia o restante do artigo no site oficial do Vale Paraibano.

Criativo Crônico - A Empresa Criativa

terça-feira, março 16th, 2010

law_andy2Um livro mudou minha vida logo no começo da minha carreira. “A Empresa Criativa” é um livro, lá de 2000, em que Andy Law conta como ele e a equipe da Chiat/Day de Londres não aceitaram sua fusão com a TBWA e a agência tornou-se a St Luke´s, extremamente criativa em seu modelo, em seus trabalhos e na composição societária, em que todos os funcionários são proprietários dela. Quem lê o livro torna-se um ‘irmão de fé’. Na época de seu lançamento, a obra oferecia uma série de desafios e questionamentos ao modelo de trabalho do mundo a propaganda. Andy tem uma postura sempre desafiadora e não tem medo de questionar as formas mais estabelecidas de se fazer negócios. Dez anos depois,o mundo dá voltas e achei uma entrevista, que traduzo aqui, em que Andy fala por alto sobre o futuro do trabalho e opina sobre o que está ali no horizonte.

? - O que aconteceu à St. Luke´s? Por que você decidiu se desligar da empresa?

Andy Law: Eu era o cara errado para liderar a próxima etapa da vida da St. Luke´s. Havia co-proprietários ali com uma visão diferente do futuro, sobre o futuro deles, não o meu.

? - Você é agora o fundador e chairman mundial de ‘The Law Firm’. Você poderia nos dar uma pequena sinopse do que ‘The Law Firm’ é?

AL: Meu segundo livro, “Experiment At Work”, dizia como uma empresa poderia ser como uma rede social. A interligação de tudo que conhecemos precisava de um novo modelo. Anita e Gordon Roddick (fundadores da The Body Shop) sentaram comigo e traçamos como uma empresa que enxerga o futuro deveria ser e atuar. De acordo com a minha experiência, queria uma rede que trouxesse à tona o melhor do pensamento mundial sem uma estrutura gerencial onerosa, o que claramente caminha junto às organizações globais. Então, “The Law Firm” é uma operação de franquia, oferecendo comunicação criativa ao redor do mundo.

lawfirmAndy é o fundador e Chairman Mundial de ‘The Law Firm‘ uma rede global de agências que opera em mais de 20 países ao redor do mundo, inclusive no Brasil, em que está presente por meio de João Fernando Camargo, ex-diretor de criação da Lowe e sua agência. ‘The Law Firm’ é uma rede que só funciona inteiramente por conta da Internet. Sua cooperação entre pessoas que estão em Lagos, na Nigéria, e Amsterdam, na Holanda, só é possível com as mudanças nas maneiras com que as pessoas se comunicam e colaboram online. Andy vê que as agências de propaganda precisam trabalhar com um novo tipo de equipe criativa mais jovem, que enxerga de maneira muito mais abrangente e, assim, estruturou sua rede totalmente sobre a plataforma digital.

“Nosso protocolo operacional é baseado no protocolo da Internet. Ao trabalharmos com “Open Source Creativity” (Criatividade de código aberto) temos uma ferramenta que nos auxilia a trabalharmos juntos. Somos totalmente estruturados na tecnologia.”

Muito do pensamento de Andy coloquei na minha própria empresa (que hoje é uma agência full service) e na minha carreira, por isso discordo da postura de muitas agências da região e não sei se sou uma unanimidade por pensar assim. Mas o final é a melhor parte da entrevista:

?- Extraí uma frase de seu site que diz: “É preciso uma agência de propaganda honesta para dizer que a propaganda nem sempre irá funcionar para você.” Com a fragmentação da indústria da mídia, você tem dito isso a clientes com mais freqüência?

AL: E como.

? - Em seu livro “A Empresa Criativa”, você falava das possibilidades para o futuro do trabalho. Já se foram 10 anos desde sua publicação. Com o que o futuro do trabalho se parece hoje?

AL: Ainda mais empolgante. Os altos e baixos da economia trazem várias oportunidades. A necessidade é a mãe da invenção, mas o desconforto é seu pai (dissatisfaction em uma tradução livre). Haverá ainda mais empresas criadas e ligadas à internet. As fórmulas (overhead também em tradução livre) serão reduzidas e a imaginação aumentada conforme as pessoas usarem os incríveis recursos que têm à mão para fazerem o novo. Marx estava quase certo. Os meios de produção estão agora nas mentes das pessoas.

? - Em termos de futuro, o que mais o empolga? E o que você vê como a maior ameaça?

AL: A resposta anterior é o que mais me empolga. A maior ameaça é que os governos não vejam e não tragam suporte para a economia emergente das pequenas e médias empresas.

Criativo Crônico - Herrar é umano. Acertar também

terça-feira, março 9th, 2010

Esta semana, duas coisas me chamaram a atenção quanto aos erros.

A primeira.

quidam

No último fim de semana, fui assistir ao espetáculo Quidam - Cirque Du Soleil. Foi bacana? Foi. O Cirque é conhecido por levar suas apresentações a um nível de dificuldade altíssimo, mas justamente num dos números do show aparentemente fácil (fácil para eles que treinam exaustivamente, não me peça para ir lá pular), um dos acrobatas caiu. Até mesmo um ‘atleta circense’ como um participante do Soleil pode tropeçar. Na minha percepção, ele se distraiu porque a platéia o aplaudiu antes da hora. Olhando para o dia a dia da propaganda, fico me lembrando de que um chefe dizia sempre ‘pequenos trabalhos, grandes pepinos’. Ele estava certíssimo. É justamente nos pequenos trabalhos que nos distraímos, que levamos com menos atenção e abrimos as portas para o erro. Achamos que estamos confiantes e seguros o bastante para podermos suplantar aquele pequeno job com os dois pés nas costas. Ledo engano, onde há fumaça há fogo. Não deixe de estar atento a cada detalhe, porque para o cliente, job não tem tamanho. O que existe é a qualidade do que você entregou. Cheque a Língua portuguesa (ainda que você não seja redator), verifique as malditas fontes em curvas, cores CMYK, resolução, as medidas da peça, as observações necessárias, ou seja, os detalhes que fazem a diferença.

Uma vez paguei um trabalho inteiro de impressão das plantas de um empreendimento, apenas porque exportei um logo errado. Foram R$ 800,00 há uns quatro anos, mais ou menos. Meu chefe foi bacana, dividiu, parcelou, facilitou total, mas aprendi mais uma pagando. E às vezes temos que pagar do bolso mesmo para nos tornamos profissionais verdadeiramente completos e preparados.

A segunda.

coldplay

Foi uma semana atípica. Como nunca acho que terei novamente quanto a eventos de grande porte. Na terça-feira, dia 2, fui também ao show do Coldplay em São Paulo. Tinha tudo para ser um show memorável, e foi, mas negativamente, infelizmente. Por quê? Pelos erros. Claramente houve algo de errado com a parte do som. Não se ouvia direito a banda, parecia que o som ia e voltava, como num mal contato, além dos microfones que cortavam em meio às músicas. Chegou a um ponto em que os setores vermelho e azul gritavam “Aumenta o som”, como não houve resposta (ou seria ouve?) a banda passou a ser vaiada. Um show com tão alta expectativa, tornou-se uma decepção. A experiência com o produto que eu e milhares de pessoas compraram foi seriamente comprometida, um momento que não pode ser reencenado.

E o que acontece com o que uma agência de propaganda entrega a seu cliente? Ou ainda (porque isso existe) recebe e não entrega, o que é ainda pior. Ou ainda quando se tem uma expectativa diante de um determinado resultado que não acontece? A experiência junto ao cliente não pode ser refeita ou remendada. Já foi. Conheço agências que assumem a postura de lavarem as mãos quando fazem um trabalho que não surte efeito, não dá. É preciso dar a cara a tapa e fazer de tudo para a coisa acontecer. Não fazemos parte do meio artístico, mas do meio empresarial. Se nada aconteceu e o produto não vendeu, o publicitário não fez seu trabalho como deveria. Não adianta dizer “não vendeu, mas tudo bem, fiz minha parte”. Tudo bem nada.

Também não se pode partir do pressuposto que ‘ah, errar é humano, tudo bem’. Tudo bem, nada, de novo. O tempo não volta atrás. Precisamos aprender que ao prestarmos um serviço a um cliente, é preciso ter responsabilidade com a grana que está sendo investida. É preciso ter compromisso com aquilo que entregamos. Desde um filme, desde um planejamento, desde um orçamento, a um mero telefonema. Devemos estar preparados o bastante para não permitirmos brechas para o erro. O caminho é a atenção, o zelo com o cliente e o cuidado com o detalhe. Se você procurar seguir isso, meio caminho andado.

Pra fechar

Nem tudo é mau humor. A ação feita pela Ínsula para o Bradesco no Cirque Du Soleil foi sensacional. Criaram um jogo feito com realidade aumentada. Acesse: amagiadocircoemsuacasa.com.br e veja o case, vale a pena.

Digimax Estúdio cria para o Poliedro

domingo, março 7th, 2010

 

 

 

Tipo: Vídeo Publicitário
Título: Pra quem quer passar no vestibular
Redação: Fernando Pereta
Direção de arte: Fernando Pereta e Bruno Torres
Direção de criação: Fernando Pereta
Produção gráfica / produtora: Fábrica das Artes
Agência: Fábrica das Artes
Anunciante: Poliedro
Produto: Curso Pré Vestibular

Criativo Crônico - E agora quem poderá nos defender?

terça-feira, março 2nd, 2010

Antes de sermos publicitários, somos seres humanos. É a pessoa que contém o publicitário, e não o contrário. Terremoto no Chile e no Haiti, chuvas que destroem São Luiz e Angra dos Reis, neve que amedronta a Europa desde o começo do ano (nevar em Roma é um milagre que Papa nenhum seria capaz de prever, e aconteceu), são tantas as loucuras que a Mãe Natureza anda fazendo por aí que não conseguimos entender qual é a verdadeira extensão de seu recado. Tentei seguir o Al Gore no twitter e ver se havia mais alguma verdade inconveniente, mas nada. Aliás, só nos restou sermos todos geólogos e meteorologistas de plantão e tentarmos de uma maneira ou outra explicar o que está acontecendo. A questão me parece de causa simples de entender, mas difícil de se reverter: usamos mal os recursos naturais, passamos da conta na exploração deles e agora pagamos por isso.

Fotos do UOL de Talcahuano, CHI, e S. Luiz, incrível como as tragédias se parecem.

Fotos do UOL de Talcahuano, CHI, e S. Luiz, incrível como as tragédias se parecem.

Diante desse cenário em que 2010 começou com cara de 2012, as redes sociais passaram a ter um valor imenso também na solidariedade. Marcello Serpa (@Marcello_Serpa) mencionou em seu twitter que o “Escritório principal da BBDO Chile escapou intacto. Já a Fierce, segunda operação da BBDO sofreu danos severos.Todos funcionários estão bem.” E que “RT @apedroso: A DDB Chile foi destruída, felizmente todos estão bem também.”

Eu também vivi uma experiência no começo do ano que envolveu S. Luiz. Recebi um e-mail de José Luiz de Souza que repassava uma mensagem do jornalista Luciano Dinamarco (@dinamarco) com links para os vídeos da cidade e o que havia acontecido. Percebi que na mesma mensagem também havia uma primeira manifestação por conseguir arrecadações em Taubaté. O que eu podia fazer? Postei essas informações em meu twitter colocando como se poderia ajudar a cidade. Comecei a ver que meus followers estavam passando adiante a informação com RT. Aí me deu um clique e fui mandando a mesma informação e pedindo para pessoas com grande número de followers como Mentor Muniz Neto da Bullet (@neto), Michel Lent  da Ogilvy(@lent) e o jornalista Claudio Lessa (@LessaCG) que também dessem RT e ajudassem a multiplicar a informação. De repente, vi o poder que isso foi tendo. Todos passando adiante e procurando fazer algo por ajudar, fazendo um mínimo ali. Independentemente do que acontecia no twitter, a dimensão que a tragédia tomou comoveu pessoas que nunca estiveram ali na cidade e de uma maneira ou de outra tentaram ajudar. Veículos de comunicação de toda a região também mostraram seus papéis diante da sociedade e também tomaram a iniciativa de ajudar. De qualquer maneira, o fato é que até agora os moradores ainda estão sob condições difíceis em abrigos e as obras de reconstrução do CDHU estão previstas para serem entregues somente no começo de Abril.

Quando o assunto é sermos ambientalmente e socialmente responsáveis, costumo bater numa tecla: como publicitários, o que podemos fazer para contribuir socialmente com nossos talentos? Se somos assim tão bons em convencer pessoas e movimentar a opinião pública, por que não nos movemos? É raro termos uma iniciativa que parta de um cliente, temos que propor nós mesmos as melhores maneiras de passarmos isso adiante. Já falei aqui sobre um projeto do qual a Arriba! participou ativamente junto ao valeparaibano e à Urbam sobre reciclagem de jornais. Já fizemos também parte de outro projeto da Urbam quanto ao Aterro Sanitário de São José dos Campos, há quase 2 anos atrás. Agora é a vez de outro projeto desse cliente que será lançado agora em meados de março. No entanto, essas iniciativas ainda não me deixam plenamente satisfeito, fico com a sensação de que podemos, todos no mercado, fazer mais.

Sermos sustentáveis deve ser um preceito de nossas criações. Ela já deve estar permeada na hora da ‘ideia do caralho’. Agir de maneira responsável já deveria partir do princípio de nossos próprios processos criativos, utilizando com mais propriedade os recursos de que dispomos para fazermos comunicação. Onde quero chegar é que não basta utilizar papel reciclado. Indo um pouco mais longe, passo até a questionar se a propaganda como conhecemos do “Beba”, “Compre”, “Faça” e sempre tão impositiva, volumosa e repetitiva tem espaço em meio a uma necessidade da sociedade em se comportar de maneira menos consumista e impulsiva para mais consciente e responsável. Não sou o cara mais ecologicamente correto desse mundo, posso evoluir muito, mas fico imaginando se este não é o momento de revermos também conceitualmente o papel da propaganda dentro da sociedade.

Criativo Crônico - O ano do tigre

terça-feira, fevereiro 23rd, 2010

_tigre

Se no Brasil, o ano só inicia mesmo depois do carnaval, para os chineses ele também acabou de começar. A TV consulta os astrólogos para saber as previsões e como lidar com o ano que vai chegar. Pois bem, com o ano novo, neste caso o chinês, fui consultar também a minha guru para saber como lidar com o ano novo. Às 00h51 do dia 14/02 começou o ano do tigre. Fique de olho porque ele te pega quando você menos esperar. Exatamente o detalhe que ficou debaixo do tapete, e que você não cuidou, vai ser aquele que vai te pegar. O ano de Tigre é o ano do 8 ou 80, na montanha russa mesmo, ou é algo muito bom, ou algo muito ruim. Num dia o time perde de 6X0, no outro ganha a Taça do primeiro turno, em cima do mesmo rival. Nada de meio termo. Se você nunca viveu isso, ainda vai viver: o cliente sempre escolhe a opção que você não quer. Se você não quer que ele escolha aquela, faça outra, porque nunca antes na história desse país, a chance disso ocorrer foi tão grande. Sabe o dito popular ‘onde há fumaça há fogo’? Se agir sem pensar, com pressa, sem se ater aos detalhes, dançou. Sabe a famosa “Lei de Murphy”? Então, se existe um ano em que o bicho vai pegar, é esse. Surpresa é a palavra-chave.

“Será um ano de muita atividade e grandes oportunidades, mas para que elas sejam aproveitadas é preciso coragem e capacidade de adaptação ao ritmo veloz imprimido pelo Ano do Tigre. Alguns tendem a se sentir desconfortáveis com esta intensidade vertiginosa e com as mudanças que alteram o rumo das coisas, mas se você se mantiver agindo e alerta, tem tudo para superar eventuais problemas e explorar ao máximo um período de enorme potencial.”

Se o ano do Tigre é o da Lei de Murphy, fui consultar também a biblioteca. Há anos, tenho comigo um livro de título quase óbvio “A Lei de Murphy – mais errado porque tudo dá motivos”. Traduzido e transubstanciado por Millôr Fernandes, a obra traz a definição literal da famosa lei: “Se alguma coisa pode dar errado, dará”. Mas nem só de cautela vivem essas páginas. Nele, consta também  a lei Ayrton Senna: “O erro geralmente é mais previsto do que cometido”. O que é uma verdade imensa. Se pisássemos em todos os buracos que vemos pelo caminho, não chegaríamos a lugar algum. O fato é que é preciso ter coragem ainda que seja para ver esses buracos. Alguns deles simplesmente estão no nosso nariz e não queremos enxergá-los. Por isso, coragem.
Pode ser que você não acredite em nada disso, ache tudo isso um imenso papo furado, e que tigre pra você só no zoológico, na caixa de Sucrilhos, ou na frente dos postos Esso quando criança (Em Caçapava e em Aparecida havia uns gigantes). Saiba apenas é que vivemos uma época de mudança. Ainda passamos por tempos em que se separa o joio do trigo no mercado e a tolerância para erros é mínima e pode fazer com que foi construído ao longo do tempo, possa afundar rapidinho. Por isso, jogue sério. Se você tiver garra, como um tigre mesmo, esta é a oportunidade para trazer novas idéias e superar situações de risco e descascar verdadeiros pepinos. Se você resolver, será como nunca.  Agora, se você não se ligar, vai perder o bonde, nem que seja o do Tigrão.

Criativo Crônico - Uma Longo história

terça-feira, fevereiro 9th, 2010
www.walterlongo.com.br

www.walterlongo.com.br

Um dos grandes nomes que acompanho na propaganda é Walter Longo. Conhecido por suas frases contundentes (Siga seu twitter e me entenderá) e pelo “Aprendiz” como conselheiro de Justus, fui apresentado a ele no livro “Tudo o que você queria saber sobre propaganda e ninguém teve paciência de explicar”. Sempre sua franqueza e transparência me chamaram a atenção. Por um motivo ou por outro, resolvi dar continuidade à série de colunas sobre orientação profissional nos bastidores das agências escrevendo um texto com minhas interpretações por entre citações dele.

“Existem hoje duas grandes escolas de Administração na análise da motivação corporativa: uma escola que diz que o ideal é botar a cenoura na frente das pessoas, outra escola diz que o negócio é botar a cenoura atrás das pessoas. E essa decisão sobre a posição das cenouras é o que normalmente se discute em Gestão Empresarial.”

A propaganda é como é porque existe pressão ou existe pressão porque a propaganda é como é? É como o cachorro correndo atrás do rabo. Tudo o que envolve prazo, aqui se inclui a propaganda, prevê algum tipo de pressão. Se pudesse dar alguma receita de como fazer a coisa não ficar tão no fio da navalha, diria que teria organização e sangue frio. Se você se organizar, a coisa vai fluir mais rápido, ainda que você tenha um enorme pepino pela frente. Não adianta sair fazendo. É preciso saber o que irá fazer. Faça um rafe, veja uma referência, troque uma idéia e planeje seus passos. A experiência conta que assim a coisa rola mais ágil, e se é mais rápida é menos sofrida. Por outro lado, não adianta ficar nervoso, só você e a sua gastrite é que vão sofrer com isso, relaxa. Se o estupro é inevitável, você sabe o resto.  Agora, quando um líder é capaz de transformar pressão em objetivo a ser alcançado, eis um gênio.

“É melhor perder a prova do que a vergonha.” em “O Aprendiz”

Faça propaganda de acordo com seus valores. Se você tiver atitudes em que você acredita, as coisas acontecem pra você. Seja flexível para poder aprender e absorver coisas que acontecem pelo caminho, mas não desobedeça pilares sobre quem você é verdadeiramente. Não dá pra esconder que nossa profissão é verdadeiramente fascinante, mas também pode ter um fator destrutivo. Como tudo que é feito em excesso, aliás. Mas não podemos fechar os olhos para certas coisas que acontecem. Ultrapassar princípios que temos em nome de resultados, e principalmente dinheiro, não se justifica. Entenda que sacrifícios são necessários. Nem tudo no mundo profissional é bacana de se fazer, mas é preciso. Tenha sabedoria pra entender o que são adaptações necessárias para o crescimento (fazer um social, ir a eventos, trabalhar em fins de semana e noites adentro…). Fazer este tipo de atitude não é descaracterizar sua ética. Se quiser um parâmetro pra isso, a vergonha com certeza é ela. Se você não se sente confortável em contar alguma atitude sua ou de sua agência, algo não anda bem.

“Nada é coincidência tudo é consequência do que você faz”

São nossas escolhas que representam os tijolos com os quais construímos nossas carreiras. Os efeitos colaterais que a propaganda pode trazer são diversos, é verdade. Conheço agências que optam por não contratarem nem fecharem com clientes que passaram por um concorrente do qual discordam da atitude. É como na canção “Insensatez”, quem semeia vento só colhe tempestade. Cuidado com o que você planta, será o que você terá logo, logo. Afinal de contas, “O grande sintoma da ignorância humana é esperar resultado diferente fazendo sempre a mesma coisa.”

Para refletir: Chomsky e as estratégias de manipulação

segunda-feira, fevereiro 8th, 2010

O lingüista estadunidense Noam Chomsky [ 1 ] [ 2 ] [ 3 ], que se define politicamente como “companheiro de viagem” da tradição anarquista, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade.

Entre outros estudos, ele elaborou excelentes livros e textos sobre o papel dos meios de comunicação no sistema capitalista. É dele a clássica frase de que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o estado totalitário”. No didático artigo abaixo, Chomsky lista as “10 estratégias de manipulação” das elites. Vale a penar ler e reler:

1- A estratégica da distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

2- Criar problemas, depois oferecer soluções.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da degradação.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente aplicar progressivamente, em “degradado”, sobre uma duração de 10 anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas têm sido impostas durante os anos de 1980 a 1990. Desemprego em massa, precariedade, flexibilidade, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de forma brusca.

4- A estratégica do deferido.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que?

“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

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Criativo Crônico - The blue pill or the red pill? (parte 2)

terça-feira, fevereiro 2nd, 2010

up_in_the_airSemana passada falamos sobre a hora de entrar numa empresa, agora falamos sobre a hora de sair.Quando sabemos que é a hora de virar a mesa e pedir as contas ou encontrar forças para virar o jogo diante de uma demissão. Já está em cartaz o filme (do diretor Jason Reitman, de Juno) ‘Amor sem escalas’, tradução muito ruim para ‘Up in the air’ e que não traduz o que é a história de verdade. George Clooney é um consultor contratado para demitir funcionários de empresas que não tem coragem para isso. Imagine o quanto as empresas americanas de todos os cantos não precisaram dos serviços dele durante a crise (e ainda hoje). Ele voa pelo país inteiro demitindo pessoas e tentando fazer isso da forma mais aceitável possível para elas. Num determinado momento, um demitido, que está nervoso por conta disso, pergunta o que irá dizer a seus filhos e que gostaria que se sentissem orgulhosos do pai. O personagem de Clooney o aconselha que mais do que ter um emprego, deveria fazer o que gostava, no caso, voltar a cozinhar. Uma pessoa que tinha um curso de refinada cozinha francesa certamente não deveria ter se sentido feliz por um minuto dentro daquela empresa. E que seus filhos iriam se orgulhar de vê-lo trabalhando com alegria. Por isso, se você decidir tomar a pílula vermelha de Matrix, e chegou a hora do adeus, você tem alguns cuidados aqui para esse momento profissional.

1 - Jogue limpo, seja sincero - Walter Longo tem uma frase que é “Você conhece as pessoas quando as demite e não quando as contrata.” Por isso, jogue limpo, não sacaneie a empresa nem cometa uma atitude que possa trazer prejuízos a você e a ela. Se você foi íntegro até aqui, por que iria se perder agora? Se você deseja sair por um motivo interno à empresa, tenha coragem, seja educado e diga o que é de verdade. Não invente uma historinha. Será um favor à empresa. Pode ser que seu chefe nunca tenha se tocado daquele ponto fraco e que agora pode ser consertado. Se você esconder o real motivo, as coisas continuarão como sempre foram e seus colegas é que irão continuar com aquele problema sem solução.

2 - Se seu problema é grana - Explique e peça um aumento. Ok, grana pesa. Claro que pesa. Se você precisa ganhar mais, exponha sua situação ao seu chefe. Você não precisa sair caçando um novo emprego antes de conversar com ele. Se você também receber uma proposta maior para sair da empresa, converse também antes de aceitar. Se você for uma pessoa fundamental, será reconhecido. Só saia se a situação não tiver mesmo conserto. Ainda que seja muita grana, dê a chance de seu chefe cobrir a oferta.

3 - Se seu problema é reconhecimento - De novo, troque uma idéia com seu chefe e fale como você está se sentindo. Primeiro, tente isso com bom humor, numa hora descontraída, por entre uma piada, disfarçada, e veja se surte efeito. Senão, abra o jogo e explique que você tinha expectativa de um feedback positivo quanto a uma peça que notadamente trouxe resultado. Aí avalie, se o cara reconhecer ou explicar seus motivos, tudo bem. Se não divide sucesso, não assume falhas e nem esboça reação, aí sim, procure outro trampo.

4 - Dê o sangue até o último minuto - Sua imagem profissional vale mais do que qualquer coisa. Não deixe a peteca cair só porque você está saindo. Deixe sua barra limpa ainda que você seja demitido e não você quem tenha pedido a conta. Lembre-se de que para conseguir seu próximo emprego, ou algum outro, perguntarão referências de você. Por isso, evite falar mal da empresa de que sair. O mercado é um ovo, não esqueça.

5 - Aviso prévio não rola - Se você decidiu ir, é como terminar um namoro ou um casamento. Já vi casais que se divorciaram e continuaram morando juntos, ou namorados que mesmo sabendo que não dava mais, insistiram. É péssimo, fala a verdade. Só se você percebe claramente que a empresa possui um projeto no qual você está muito envolvido, ou que ninguém mais vai segurar a onda, ou que alguém está com férias marcadas, ou que se você sair e vai ferrar um colega por tabela, aí sim, tope fazer um período de transição, mas fixe uma data-limite.

E como fazer para evitar uma surpresa e acabar sendo demitido?

1 - Preste atenção. Seu chefe dá sinais - Se você está sendo fritado, sente a chapa esquentando. Não tem jeito. Veja se seu chefe está dirigindo a palavra a você. Veja se ele aceita seu trabalho sem muito critério e o acaba refazendo. Até mesmo, por mais estranho que possa parecer, se ele parou de dar bronca. Um técnico a beira do campo só grita com um time se está querendo ganhar. Se ele sentou no banco e cruzou os braços, mau sinal.

2 - Demitir é tão difícil quanto ser demitido - se o seu chefe chegou ao ponto de dispensar você, é porque ele refletiu bastante sobre isso. Afinal, vocês dois são seres humanos, se seu chefe não pensar em fazer isso da maneira mais aceitável possível e partir pra guerra, ele não o merecia mesmo. No entanto, para ele são muitas as conseqüências, tanto financeiras quanto no ambiente interno. O que vão pensar os funcionários que ficam? Administrar conflitos da equipe são pepinos grandes e que precisam ser solucionados logo ou implodem a credibilidade do líder.

3 - Empresas que têm cortes devem fazê-los todos de uma vez - Um band-aid tem que ser arrancado logo. Se várias pessoas serão demitidas, que sejam de uma vez. Nada pior do que trabalhar em clima de terror sem saber se vai ou se fica.

4 - Observe a sua postura - Preste atenção se você ligou o botão ‘foda-se’. Por mais que você esteja de saco cheio, revoltado com aquela empresa ’sanguessuga’ e tudo mais, não assuma a postura do ‘já fiz minha parte’. Se chegou nesse ponto, siga o conselho do Capitão Nascimento, ‘pede pra sair’. Não se torne um profissional apático ou conformista. Não vai fazer bem pra você. Se não vibra mais no dia a dia, seu rendimento caiu e você assumiu uma postura indiferente, não adie a felicidade, peça demissão.

5 - Se você percebeu que o tempo fechou e quer ficar, reaja - Veja se você faz parte do problema “oh, vida, oh céus, oh azar” ou da solução. Veja se aprendeu com seus erros. Se você está tendo dificuldade, não se esconda, ‘ai meu deus, tomara que ele nem me veja, nem fale comigo hoje’, saia da toca e peça ajuda. Abra o jogo, diga que você quer melhorar e busque uma orientação. Você vai ganhar respeito quando passar ileso pelo mesmo problema novamente. É só procurar compreender e seguir os pontos que conversarem, assim você vira o jogo. Só não desista sem atingir os objetivos ali dentro que estejam a seu alcance.

6 - Sandálias da Humildade - Conhece o cara que tem na ponta da língua uma justificativa pra tudo? Nada é com ele, nunca? Não é possível. Empurrar para o outro seu próprio erro é erro crasso da vida profissional. Não existe profissional perfeito. Outro perfil é o ‘fodão’. Quem se acha a última bolacha do pacote um dia cai do cavalo. Demonstrações de afirmação, quedas de braço com o chefe, grosserias aos colegas e desleixo, como chegar atrasado ou atrasar um job porque se sente acima do bem e do mal são sinais amarelos. A demissão para esses dois perfis, mais cedo ou mais tarde, acaba sendo inevitável.

Chegar é uma experiência bem menos traumática do que sair, é claro. Uma empresa séria vai tratar o processo da melhor maneira possível e com transparência. A melhor palavra para lidar com isso é diplomacia, afinal, o que é combinado não sai caro. Mas nada melhor para a sua maturidade como profissional do que encarar isso de frente, de maneira natural para uma carreira. Parece fácil falar, eu sei, mas não é o fim do mundo. Só não entregue os pontos porque isto não é um termômetro sobre sua qualidade profissional. Avalie sendo honesto com você mesmo (mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira) suas fortalezas e fraquezas que pode contornar. Tenha garra que você dá a volta por cima, e rápido, basta apenas a boa e velha confiança. Quanto melhor você se conhecer, mais a terá.

Criativo Crônico - The blue pill or the red pill? (parte 1)

terça-feira, janeiro 26th, 2010

pills

Todo profissional tem certeza de dois momentos em sua carreira: a hora de chegar e a hora de sair. Hoje, a primeira parte vai começar pelo começo, falando sobre a hora da contratação. Em Matrix, para abandonar aquela ilusão e viver um mundo de liberdade era preciso tomar a pílula azul e não a vermelha. Dar um novo passo na carreira é como tomar a azul. Não sabemos o que vai ter do outro lado, como vai ser, mas ficamos cheios de anseio, receio, curiosidade e insegurança. Nós, publicitários, somos chegados a uma dança das cadeiras. Qualquer veículo do meio publicitário dedica uma área para isso, M&M, Propmark, além de sites como o Quem pra Onde. Mas a finalidade aqui é ajudar com alguns cuidados que se deve ter antes da pílula milagrosa.

1- Conheça a empresa -Tenha a maior quantidade de informações possíveis da empresa onde você quer trabalhar ou que procurou você. Tenha referências de quem são os profissionais que trabalham lá, seus talentos, suas propostas de trabalho, (pode parecer baboseira corporativa, eu sei) mas missão, visão e valores de uma empresa contam o que fazem ali e no que acreditam suas cabeças. Você só vai ser feliz trabalhando dentro de um lugar em que se vê trabalhando. A pior coisa do mundo é começar num lugar e ver que aquilo não é pra você. É desgaste pra si mesmo e pra agência que esperava ter preenchido a necessidade e que agora tem que começar tudo de novo.

2 - Empregabilidade. O que é isso? - Traduzindo, é a capacidade que a gente tem de fazer com que uma empresa tenha vontade de nos contratar. O que nos torna desejados? Em Criação, tem que ter uma boa mistura do talento e da parte técnica. Pessoalmente, acho que tem que ter talento, correr atrás, humildade e vontade de aprender sempre, o resto a gente ensina. Se você curtir ser ratão de programa ou de referência, meio caminho andado. Se escrever corretamente, então, passa a ser um artigo raro.

3 - Portifolio hoje é digital - Coloque seus trabalhos num carbonmade, num álbum do flickr, num blog, até perfil do Orkut tá valendo. E se for webdesigner, crie seu próprio site. Os diretores de criação podem não ter o tempo (de verdade) para receber ao vivo, mas pra ver seu portifólio na internet, sim. Se você for bom, bom mesmo, a propaganda precisa de você. Ainda que não seja contratado naquele momento, ele pode te indicar (mas isso vem em outro tópico). Se você for chamado, aí sim, leve a famosa pasta, vá arrumado, chegue na hora e leve um currículo impresso. Tudo como manda o figurino. Se alguém não te respondeu, não encane. Se for seu, será. Pode ser apenas que o diretor de criação estava lotado de trabalho mesmo e não conseguiu te responder, mas não espere a eternidade pra partir pra outra.

4 - Não seja bicho do mato  - “Não tenho oportunidade” é uma frase que não existe mais no seu dicionário. Conseguir um e-mail de um diretor de criação ou alguém de dentro de uma agência que te interessa hoje é fácil. Use o que você ouviu na palestra sobre redes sociais (tenho certeza que você já viu uma) e coloque o twitter, o Orkut e o facebook a seu favor. Entre no site da agência, comente aqui no ccvp, vá a palestras, eventos (se levar um cartãozinho de visita, melhor ainda), ligue na agência e seja educado (ninguém se nega a abrir as portas para quem pede com educação), mande um e-mail convencendo que você merece uma chance. Só não vale ficar com vergonha. Você continuará sendo um talento desempregado.

5 - QI existe e é assim que funciona  - No nosso mercado, todo mundo conhece todo mundo. Se alguém não conhece você diretamente, conhece alguém que te conhece. A principal via de contratação é conhecer alguém que está no mercado (em negrito mesmo), seja numa agência, numa gráfica, numa produtora… não importa, ninguém vai contratar ninguém sem consultar algum tipo de referência, nem que seja sua mãe. Por isso, cuidado, ande na linha e não queime seu filme porque no mercado um liga um pro outro, pede indicação e parecer sobre quem se tem interesse em contratar.

6 - Aluno bom desperta os olheiros - Se você é um aluno interessado, tenha certeza que os professores falarão bem de você. Eles adoram descobrir novos talentos e serão os primeiros a fazer QI a seu favor. Nem eles também vão querer te colocar numa fria, por isso, são uma fonte segura de começar a fazer QI. No mercado publicitário, a sua grande chance de se colocar na área é durante a faculdade. Se você não trabalhar na área durante essa época, fica muito difícil. Fazer uma pós pode ajudar, e muito, na sua empregabilidade, corrigindo suas falhas, mas não responderá sozinha pela falta de experiência profissional. Ela será um aperfeiçoamento. Quem consegue virar o jogo, e ser descoberto ainda que tardiamente, é uma bem-vinda exceção.

7 - Dinheiro não é tudo, mas é 100% - até seu chefe, ou seu futuro chefe, quer ganhar mais, é claro. Mas não estruture sua carreira apenas pela grana. Fazer leilão no seu emprego atual com uma proposta maior de outro lugar pode ser uma cartada que não funcione e que acabe trazendo prejuízo pra você mesmo. Nada pior do que se sentir escravo do dinheiro num lugar em que você foi trabalhar apenas por considerar a grana, mas que não tem nada a ver com você.

8 - Componente pessoal - Você tem que ir com a cara do seu chefe e dos seus colegas e eles com a sua. Não adianta vocês se obrigarem a conviver horas e horas todos os dias. Não rola. Ninguém gosta de quem não é verdadeiro, honesto e transparente. Jogar limpo e jogar aberto só conta pontos a favor. Se você se está afim, mostre que sim. Se você não está afim, agradeça e siga em frente numa boa. Não se sinta a última bolacha do pacote, ou demonstre ser algo que você não é. A melhor atitude é ser sempre verdadeiro e o outro lado se sentirá obrigado a agir assim com você.

Semana que vem tem a segunda parte. Até lá.

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  • Eduardo Martins: Sabias palavras, grande Ucra. É um prazer trabalhar com esse talento. Parabéns pelo artigo.
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