
Por mais apaixonados que sejamos pela propaganda, você já a xingou, e muito. Esbravejou pelas peças reprovadas, pelas noites mal dormidas, pela dedicação e pelo esforço incansável… eu também, por mais que tenhamos fases em que a cabeça nas nuvens dá lugar ao pé no chão. Na última semana, fui até a GPM Vídeo e encontrei a Maíra e o João, um talento raro da edição, para finalizar um filme. Estávamos verdadeiramente ferrados, ainda assim, conseguimos rir de uma situação. Foi aí que o João comentou: “Não são todas as pessoas que têm a nossa sorte. Estamos ferrados, sem dormir e ainda conseguimos nos divertir com o que fazemos”. Aquilo foi uma lição. De repente me veio um clique que, bem ou mal, não estamos na Propaganda apenas para nos orgulharmos do resultado final, mas para sentirmos prazer durante este processo. É óbvio que TODOS, sem exceção, encontramos dificuldades pelo caminho. A cada vez que as superamos, ficamos mais fortes. Se tivermos disciplina o suficiente, aprendemos com esses erros e mudamos. A diferença das outras profissões é que nosso processo de produção é tenso por natureza na mesma medida em que é prazeroso. O segredo é dar foco ao trabalho sem deixar que a tensão te bloqueie, nem que a diversão te tire do caminho.
Antes de sermos publicitários, somos seres humanos. É a pessoa que contém o publicitário, não o contrário. Apesar de termos que nos despir de preconceitos, já temos uma idéia concebida sobre um trabalho ou sobre alguém antes mesmo de conhecê-los verdadeiramente. E a emitimos sem muita reflexão, seja numa conversa do mundo real ou seja num comentário do mundo virtual. E isto não se limita ao nosso mercado regional, mas também a outras esferas. Por exemplo, a matéria “Qualidade da propaganda brasileira é questionada em meio a recorde em Cannes” ilustra bem isso. Eles não deixam de ter razão, mas vale a pena criticar dessa maneira? Devemos acrescentar e não dividir. Ao invés do ‘desempenho de cyber ser fraco’, podemos encarar como uma ‘oportunidade para crescermos em cyber’. Às vezes a Propaganda cai em descrença conosco (ou como diria Dunga, com nós) mesmos. Especialmente quando o talento em forma de campanhas dão lugar às más decisões. Seja em Cannes ou nos breaks comerciais, quantos você criaria de maneira diferente? Eu sei sua resposta. Sabemos que há comerciais verdadeiramente intragáveis, e pior, repetidos à exaustão. Mas sem conhecermos o contexto de cada um, repetimos o erro do julgamento sem base mais uma vez. Vivendo e não aprendendo é uma constante perigosa. Infelizmente, nós publicitários nos colocamos sempre no papel de eternos jurados.
Voltando à visita à GPM, durante conversa enquanto finalizávamos o filme, o nome de uma pessoa surgiu em meio ao papo e ouvi da Maíra: ‘Gustavo, você precisa conhecer e ver que a pessoa não tem nada a ver com a ideia que você faz dela’. Percebi que realmente não a conheço, o que sobra é o senso comum quanto às atitudes profissionais e que nunca nos permitimos conversar de verdade fora das quatro linhas e nos conhecermos. Provavelmente o outro lado também pode ter uma impressão errada de mim, simplesmente por que observamos apenas os títulos, não nos permitimos deixar a ‘concorrência’de lado. Desejo continuar com a ansiedade por ver o anúncio no dia seguinte, por ver a veiculação com meu filme na TV, mas também aplaudir o trabalho bem feito dos demais profissionais, sem barreiras ou preconceitos ou receio do que o eterno júri vai dizer. Hay que endurecer, pero sin perder la ternura, jamás.



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Josué Brazil
É bom ver o CCVP de volta a ativa!!!Michelli
cadê?André Leone
Gostaria muito de um desafio. Como não atuo ainda 24hs do meu dia trabalhando, acaba sobrando um tempinho para freelances. Grato pela atençãomarushio
A Globo pelo jeito gostou da ação criada pela Molotov. http://globoesporte.globo.com/lutas/noticia/2012/01/ring-girls-brasileiras-chamam-atencao-eMarcosTeles
Caros, Gostei muito do logo. simples e direto


junho 29th, 2010 as 9:32 am
Muito bom. O preconceito, ou melhor, o pré-conceito que carregamos nos bloqueia para conhecer a realidade de cada coisa ou pessoa. Deveríamos nos despir desse mal.
junho 29th, 2010 as 8:24 pm
Muito bom o texto, com sempre.
Esse lance de “pré-conceito” é jogo duro mesmo. E desde que saí de sampa, tenho aprendido muito mais sobre o assunto. Não que não tenha isso por aquelas bandas, claro que tem. Mas o lado bom do coração frio dos paulistanos (encontrei um lado bom nisso!) é que é dificil alguém ficar magoado com uma palavra fora do lugar.
Já aqui no Vale, me deparei com isso aos montes. Mas pra mim, pelo menos, a coisa foi positiva. Porque a grande maioria das pessoas que me foram indicadas com chatas ou problemáticas, no fim se mostraram pessoas bacanas e que tem o que dizer, quando as conheci pessoalmente.
Espero que continue assim, com boas surpresas =)
julho 2nd, 2010 as 4:57 pm
Vamos à minha área de conhecimento. Em Geometria, três pontos não alinhados definem um triângulo. Vamos atribuir a cada ponto, um sentido:
1- paixão pelo que faz;
2- competência.
Somando 1 + 2, acho que ainda dá 3:
3- excelência no resultado do seu trabalho.
Sem essa tríade, não existe nenhum profissional feliz. Podem existir os milionários, os famosos e os que enganam bem. Mas os realmente em paz, só pela soma acima.
E o autor da crônica sabe que, segundo a frase do Pequeno Príncipe, “só se vê bem com o coração”.
julho 2nd, 2010 as 10:58 pm
Já sei de quem o Gustavo puxou este lado didático / comunicador…. Parabéns Yara