Estávamos discutindo no post do “Corel”, quando ví, que na verdade o assunto merece um espaço próprio.
Acho que até conseguimos “ibope” pro post da Anhaguera…rs (que perdoem a piada)
Sou novo no Vale do Paraíba e acompanho o discurso de “melhorar”, “evoluir e mudar”, com uma frequência enorme, dos mais diversos perfis profissionais.
Vejo uma movimentação boa neste sentido. Temos aí APP, Palestras e eventos bacanas nas faculdades locais. Integração. Não sei se é sempre assim ou se dei sorte no momento em que por aqui aportei, mas acredito que muita coisa irá mudar em médio prazo. Agora, entrando no assunto que nasceu no outro tópico.
Hoje não temos mais uma barreira técnica entre diferentes mercados. São Paulo não mais recebe novidades técnicas antes do Vale, outros países não mais recebem novidades antes do Brasil, ponto.
Todos tem acesso quase simultâneo a novidades e tendências. Muitos dos mais bem sucedidos escritórios de design da europa funcionam em
escritórios pequenos, com equipes pequenas em cidades pequenas, mas atendem grandes contas.
Podemos citar Studio Alice, Keltie+cochrane, factory 311, Preloaded, Studio Small, Enjoythis, Sea Design
e muitos outros com este perfil.
Com absoluta certeza, o destaque destes profissionais não é a ferramenta que usam e sim suas idéias e técnicas, mas como foi o começo de suas carreiras? Quais suas oportunidades iniciais? Qual a preparação inicial? Tenho quase certeza que não foi apenas de idéias na cabeça…
Um outro dia, escutei de duas pessoas o mesmo comentário sobre o mercado local: “O vale está carente de novos talentos em direção de arte”
Em algumas incursões em faculdades locais (Unip, Unitau, Fatea), notei que muitos querem ser atendimento, mídia, planejamento e não criativos.
Olhando de um ponto mais macro, vejo, que provavelmente porque criação é linha de frente e a crítica aqui no Vale é fortíssima.
Alguém posta um trabalho no CCVP (por exemplo) e poucos tentam olhar a estratégia ou a ação. Olham superficialmente a criação ou procuram algo pra criticar.É cultural e as vezes quem faz uma critica ferrenha, nunca mostrou um único trabalho seu ou está começando na área.
E como mudar isso?
Bom, muito já vem sendo feito através de eventos de integração das faculdades de comunicação com o mercado. Como vi na Unitau e na Unip. A APP também tem bons planos. Como citei lá em cima.
Mas ainda falta algo…
E acho que é mudar a mentalidade dos profissionais/estudantes do Vale.
Óbvio que estou generalizando, todo mercado tem destaques excelentes…antes que venham as pedradas…rs
Estou falando sobre uma preparação mais forte na base. Preparar essa galera nova, para que sejam profissionais competitivos e com visão ampla.
Nos últimos 9 ou 10 anos em quase toda as agências onde trabalhei, onde me foi permitido, fiz um trabalho chamado “a hora do estagiário“.
Durante o período de 1 hora, diariamente, os estagiários da agência podiam aprender aquilo que tinham duvidas. O que eu não conhecia, trazia alguém pra ensinar ou pesquisava o asssunto. Dessa iniciativa, surgiram bons diretores de arte, redatores, produtores de evento e produtores gráficos. Óbvio que não foi só por isso, mas creio que possa ter auxiliado.
Acredito que se todos, que tem lugar de destaque neste mercado, se preocuparem com a base. Todo o mercado cresce. Nivela por cima a competição, não por preços e salários…
Mas essa base não é fácil de ser preparada. O profissional de criação hoje em dia não deve apenas conhecer os softwares. Hoje em dia, criação bonitinha não faz nada acontecer. O criativo tem que pensar em resultados, tem q inovar.
Mas vejam. Inovar hoje em dia é muito dificil, porque temos ferramentas aos milhares: Mídia tradicional, marketing viral, marketing de guerrilha, marketing de incentivo, promoção, web e muitas mais…ufa!
Neste quadro, conhecer software é a pontinha do iceberg e se temos algo a fazer, é preparar o “futuro criativo” pra que seja eficiente.



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Josué Brazil
É bom ver o CCVP de volta a ativa!!!Michelli
cadê?André Leone
Gostaria muito de um desafio. Como não atuo ainda 24hs do meu dia trabalhando, acaba sobrando um tempinho para freelances. Grato pela atençãomarushio
A Globo pelo jeito gostou da ação criada pela Molotov. http://globoesporte.globo.com/lutas/noticia/2012/01/ring-girls-brasileiras-chamam-atencao-eMarcosTeles
Caros, Gostei muito do logo. simples e direto


maio 31st, 2010 as 3:16 pm
É meu amigo, como já falamos e bastante sobre isso o caminho é de todos. Botar a culpa nesse ou naquela ou nisso ou naquilo não nos faz sair do lugar e nem mudar nada. Estou confiante com toda essa ebulição em nosso mercado e espero mesmo que as mudanças saiam dos discursos, dos papéis e venham aqui para o mundo real onde as coisas acontecem. Parabéns pelo artigo! Abraços.
maio 31st, 2010 as 4:22 pm
Olá,
Parabens pelo post. Concordo plenamente com você. Vivencio uma realidade que não imaginava depois da faculdade. Imaginava que o vale seria um mercado mais acessível, mas a realidade é outra. Quando entrei na faculdade, queria muito me especializar em criação, persisitir até o 3º Ano, por que acreditava que ter ótimas idéias ultrapassava a questão de saber usar um corel, photoshop, em diante, pois acredito que bom nessas ferramentas são desgner gráficos, e que a união de um criativo + desgner, resultaria em criação, mas não é bem assim.
Por isso escolhi como outros no vale ser um Atendimento, Mídia e Planner, mas percebi que há uma barreira ainda maior do que essas citadas no seu post. A barreira em que eu falo é a da oportunidade, desde do começo do ano venho tentando entrar no mercado, já fui em todas as agências em Taubaté, mandei currículos para várias em São José e em outras cidades. Tive a oportunidade de fazer algumas entrevista e você sabe o que eu mais escutei:
“Mas você é de Aparecida, como você vai vir trabalhar”,
é muito engraçado, mas acho que muito profissionais como eu que estão parados devem pensar o que é mais importante na hora de uma contratação?
Mas o que mais me impressionou foi quando fui concorrer a uma vaga na área de criação, pois já que nas outras não obtive muito êxito, pensei vou tentar, já que a “pontinha do iceberg” eu tenho, e sabe o que consegui:
Uma frase: “Olhando para você vejo um perfeito Atendimento”.
maio 31st, 2010 as 4:26 pm
Maru, quando você diz “Com absoluta certeza, o destaque destes profissionais não é a ferramenta que usam e sim suas idéias e técnicas”, acerta em cheio a questão.
Na minha humilde opinião, a bagagem cultural prévia e o trânsito entre variadas linhas estéticas são tão importantes quanto a ferramenta.
E a boa ideia, pode surgir num guardanapo rabiscado, não é mesmo?
maio 31st, 2010 as 4:39 pm
Realmente muito feliz e oportuno este post, parabéns !!
Quando no início do ano passado tive a idéia de buscar informações junto a APP Brasil para ver a possibilidade de trazermos um capítulo para o Vale foi pensando em tudo isso, como o Cássio muito bem colocou, não adianta culpar ninguém e nada, temos é que botar pra fazer.
Estou muito otimista com a APP Vale e principalmente como este grupo que está surgindo no Vale, ótimos profissionais e com vontade de botar pra fazer, ops, já estão fazendo, como exemplos o SMVP e Comunicavale.
Então acredito que teremos num curto espaço de tempo uma revolução e evolução no mercado de Comunicação do Vale.
maio 31st, 2010 as 8:08 pm
Oi gente, quase não costumo dar as caras por aqui… Mas as vezes apareço, rs.
Achei o post bem interessante…
Quando me formei no ensino médio (a long time ago) e decidi fazer publicidade (achei que era fácil) as coisas eram muito diferentes… Eu queria ser redatora (podem rir!), o google ainda não era um Deus, o CCVP talvez fosse só um projeto no papel (ou nem isso), o acesso às informações não era tão facilitado, o Claudinho ainda fazia dupla com o Buchecha, e desde então: Sim, realmente o mercado do Vale evoluiu muito.
Concordo que as possibilidades são as mesmas, mas o que pode diferenciar o mercado do Vale do de São Paulo é a bagagem que cada um tem. As estruturas são totalmente diferentes, não falo de criação (nem poderia se quisesse), mas da agencias como um todo. A criação só tem job quando a conta é ao menos prospectada pelo new businness ou atendimento, e ela não faz o trabalho sozinha, para sair um “job do caralho”(em lingua de criativo)é necessário uma equipe (mesmo que de uma pessoa só). A criação não pode ser reverenciada se o plano de mídia não alcançar o resultado que o cliente quer, ou se a qualidade final não ficar melhor que o esperado por ele. E são nesses departamentos que a estrutura faz a diferença, e por isso a disputa ainda continua tão desigual. Sim, as novidades tecnicas estão para todos simultaneamente, mas e o investimento para se ter acesso à elas? E isso com certeza molda o profissional.
Mas a auto-confiança é um dos fatores que mais sinto falta nos estudantes e profissionais do vale. São poucos os que arriscam. Cobranças existirão em todos os lugares, ai, aqui, em NY, no Japão… Sim… Pelo amor de Deus… Arrisquem-se! Se joguem, nem que seja pra cair e levantar quantas vezes for necessário. não falo só aos criativos, mas a todos do mercado. Não se prendam a barreiras geográficas, culturais, idiomáticas, ou quaisquer outras que possam surgir no caminho de vocês.
Sim, queremos fazer a base crescer, mas tudo isso gira em torno de uma única peça que faz toda a diferença: pessoas comprometidas. Para a evolução do mercado precisamos de gente (gente de verdade) gerenciando projetos e inovações. E que principalmente de gente (gente de verdade) com vontade de aprender e coragem de se arriscar.
PS.: Relendo para checar os erros, achei que fugi do tema… Mas já que escrevi tudo isso… Rs!
maio 31st, 2010 as 8:11 pm
Muuito bom este texto, acho também que para ter bom criativos, tem que se ter uma base legal nao só em softwares mais ideias, inovações e tem que dar resultado. Ninguém melhor pra ajudar do que os profissionais que estão na area, mas também os novos profissionais tem que querer conhecer e inovar. tem que ter vontade de aprender e ser mais criativo e eficiente. assim, inovar o vale, inovar o jeito de criar, inovar a criação das campanhas. e creio eu que com a APP Vale isso vai alavancar rápido.
maio 31st, 2010 as 10:24 pm
Gostaria de contribuir com alguns pontos:
Sou designer gráfico, trabalho numa produtora de vídeo em Taubaté. Concordo com a questão do “aprender o software”. SEmpre que posso, digo a todos que não é o programa que vai fazer o cara. A curva de aprendizado do after, por exemplo, é super rápida. 1 mês e você consegue montar um comercial. Digo “montar”, por que é infinitamente diferente de “criar, desenhar…design.” A pedra máter de tudo. E design, de verdade mesmo, eu acho que é aquele onde o cara pelo menos ouvir falar de retângulo ou proporção áurea, sabe pelo menos dizer o que é pop art e coisas básicas do gênero. o problema é, para ser este básico, tem que estudar. Tem que gostar. Tem que saber conciliar as vontades do cliente, nem sempre boas, com um forma de efetiva de comunicar. David Carson, que qualquer designer deveria conhecer, diz que “muitas vezes, estar legível, não significa comunicar”. É verdade.
Por que temos este problema de criativos no vale? Eu acredito que temos ótimos e bons criativos no Vale. O problema é mais embaixo: Falta planejamento por parte do cliente. Várias agências tem este problema. Mesmo que elas tentem normatizar a coisa, tentem ajudar o cliente a elaborar planos de mkt de pelo menos médio prazo, elas não conseguem.Todo o processo tem que ser rápido e
barato. Rápido por que? Por que o cliente não quer perder o feriado do dia dos namorados para anunciar,
mas só se decide poucos dias antes do feriado. E que margem esse prazo super apertado dá ao criativo para ele pensar numa peça legal, que realmente comunique? Que realmente faça o produto vender, de forma leve, simples e eficiente? E por que tem que ser barato? Por que, com a abertura de novos formatos para entrega de vt, mais o fenômeno “Eu”gência, e “EU”produtora, alguns clientes optam por anunciar e produzir com estes, que por sua vez, veem como alternativa para entrar no mercado, derrubar os preços. É um círculo vicioso. Por conta dessa derrubada de preços, o mercado é invadido de “motion graphics”, que custam beem mais barato, e tem alguns clientes achando, também errôneamente, que “a produção tem quer ser 20% da veiculação. Ora, vá ver o preço de um ator, e não colocar o filho no filme, vá ver quanto é uma locução bem feita, e não o próprio cliente fazer a locução. São coisas que infelizmente acontecem no Vale e sei que em outros mercados também, como no nordeste e em São Paulo. Já gravar “live action”, exige deslocar uma equipe, exige alimentar uma equipe, apoio, cinegra, Diretor de Arte, Diretor de Cena, Diretor de Fotografia, etc. Existe um jarguão nessa área pra quem faz um tipo de trabalho sem qualidade que é “Aperta o rec e vai”, que é justamente quando você vê um comercial sem pé nem cabeça, nem enquadramento, sem respiro, com sangria etc, e sabe que o cara “apertou o rec e foi que foi”. Já para as gráficas e produção gráfica, onde já trabalhei anos também, a coisa não difere muito. Clientes apertados, gráficas fazendo trabalho ruim, errando coisas básicas e assim, jogando os preços do mercado no chão. Nesta parte, quando existe um mínimo de tempo, os criativos, podem se soltar muito mais, pois demanda custos de produção e execução bem mais baixos, sem todo o custo de gravar um vídeo. É o diretor de arte e redator, lápis papel, e posteriormente, o micro. Sim. Devemos voltar a desenhar. Acho que falta isto ao cara que deseja se chamar “designer” ou “diretor de arte” ou qualquer nome bonito. Acho que falta ousar um pouco, nas cores, falta ousar um pouco no design, falta ousar um pouco nas ideias. E principalmente, falata estudar, mas estudar mesmo, qualquer coisa relacionada com o design puro. A teoria. Grandes nomes da pintura, como Turner da Arquitetura, como Zaha Hadid, por exemplo, para que possamos nos inspirar em outras áreas e termos um novo olhar sobre a nossa. Como digo, vejo que no Vale, muitas vezes fazemos q que eu chamo de “bula de remédio”. Dificilmente, apostamos no lado lúdico, no lado emotivo,no lado que realmente faz um produto ser percebido como melhor que outro similiar, mesmo que ele, de fato, não seja. Na maioria das vezes, os comerciais e nem tanto as peças gráficas, tendem as ser muito racionais, o que como você pode notar, contrasta, e muito, com comerciais de grandes produtoras e anunciantes. É lógico que temos que ser mais criativos que estas agências e produtoras, pois não temos os recursos financeiros que eles. Também concordo com o texto, quando diz que o que chega para grandes agências, também chegam nas pequenas. MAs acho que eles tem bem mais recursos para colocar as ideias em prática.
Finalmente acredito que o mercado, apesar de tudo, tem melhorado como um todo, embora os preços em alguns pontos esteja caindo, os clientes, bem aos poucos estão notando que um mal design e uma má comunicação, pode comprometer ou mesmo acabar com um negócio.
maio 31st, 2010 as 11:11 pm
Bom…como recém “refugiada” deste mercado, atualmente lecionando no RN, mas tendo atuado no Vale por 22 anos, parte em veículo e parte no ensino, tenho algumas considerações:
Acho perigoso o discurso de que conhecimento da ferramenta não seja importante ou seja menos importante do que a bagagem. Minha ex-chefe (por 10 anos), Fátima Gamallo, sempre usou a palavra “repertório”. Sim, repertório faz toda a diferença, mas conhecimento técnico também. De nada adianta se apresentar para uma vaga de criação sem o domínio mínimo de softwares básicos. Falo isso com base nas palavras de colegas da área de criação, que sofrem para contratar pessoas minimamente capazes de compreender um briefing e executar algo a contento. Falta base, interpretação de texto, repertório e sim, domínio de softwares. Os primeiros pré-requisitos deveriam vir do ensino médio, mas com mais de dez anos em sala de aula em diversas universidades, percebo que cada vez mais a situação se agrava. Além disso, nota-se a redução de carga horária e a proliferação de cursos unicamente tecnicistas, que retiram de sua estrutura curricular disciplinas que criam ou estimulam o desenvolvimento de repertório, a interpretação de texto, a formação geral, o pensamento crítico. Disciplinas essas, antes chamadas de tronco comum, simplesmente desaparecem do currículo ou passam a ser ensinadas a distância. A pergunta de todos sempre é: “pra que eu vou precisar disso”? O aluno que “saca” a utilidade dessas disciplinas e compreende a sua importância, é o mesmo que fará diferença no mercado. Mas reafirmo, o conhecimento das ferramentas também faz diferença. O domínio você pode aprender com a prática, mas o básico é realmente essencial.
Outro problema é a voracidade em se fazer comunicação sem estratégia. Sempre “bati na tecla” de que não se faz boa propaganda sem uma boa dose de marketing. Retirei essa frase de um texto que li em 2002 na Exame, chamado “A Reinvenção do Publicitário”. Na minha opinião, deve-se compreender que o problema do desenvolvimento do mercado passa também pela conscientização dos clientes desse mercado. Em primeiro lugar, deve-se entender que o pequeno cliente precisa de uma consultoria e não somente de criação. De nada adianta comunicar, se esse cliente está enfraquecido em outros quesitos básicos. Assim, vale a estratégia e bom senso na programação de mídia oferecida pela agência a esse cliente. Vale mais ganhar uma boa comissão de veiculação uma vez ou pequenas comissões crescentes por muito tempo? A conscientização desses clientes também passa pelo esclarecimento de que comunicação não é “gasto” e sim “investimento”. Sem contar a questão ética, na preservação das comissões de veiculação (20% por lei) e na não utilização de “escraviários”. Estagiários são “aprendizes” e não “feiticeiros”! Há que se lembrar disso sempre!
Outro problema passa pela falta de comprometimento de alguns docentes, que encaram a sala de aula como um “bico” pra “ganhar um dinheirinho extra”. Sem o comprometimento e real engajamento, especialização e sim, “doação” dos professores, os cursos estão fadados a ser um amontoado de informações desconexas na cabeça dos alunos. Nesses 10 anos de docência conheci muitos professores realmente dedicados, mesmo quando saíam diretamente de horas na agência para a sala de aula. Acolher e compreender o aluno e suas dificuldades, informar e, sobretudo, formar é a missão do mestre. Entretanto, também vi muita gente descomprometida, dando aula de coisas que desconhecem, inclusive em pós-graduações! Título não é tudo, óbvio. Sou doutora em comunicação, mas não deixo de afirmar que experiência, especialização e reciclagem são imprescindíveis. Adequação à realidade regional também é importante. Em uma plenária da APP realizada com professores em um Fest’Up de 2008, foi discutido exatamente isso. Os alunos aprendem a desenvolver campanhas para clientes nacionais, com verbas ilimitadas, tudo lindo e “muito legal”, quando a realidade é de clientes pequenos, na maioria intermediários (varejo) e com verbas muito aquém do ideal. Aí eu é que pergunto: e agora, José? Brincar de de fazer campanha na “facul” é uma coisa, tirar leite de pedra e fazer “mágica” com uma verba limitada, é outra beeeem diferente.
Por fim, acredito realmente na importância da valorização do mídia. Das agências do Vale, quantas possuem um mídia? Procurem saber e pasmem com a resposta! Certa vez, ouvi em uma palestra da DPZ uma frase que guardo e replico até hoje: “a mídia está se tornando tão ou mais criativa do que a criação”. Uma agência não é formada só por bons criativos. A criação 360 graus está aí para provar. Vamos dar mais importância às demais áreas da agência?
Assim, o atendimento não pode mais ser um simples “tirador de pedidos” e sim um consultor; o planejamento deveria ser realmente estratégico e adequado à realidade do cliente regional; o mídia tem que entender que nem só de veiculação em TV vive uma agência e a criação tem que estar atenta a todas as informações e insights que partem de seus colegas, que também podem ser brilhantes, embora não sejam os “criativos” da agência. Isso sem contar os demais departamentos. Até um bom tráfego faz a diferença.
Concluindo, já que hoje sou “peixe de fora” e já me estendi demais, torço realmente pelo crescimento do mercado publicitário do Vale do Paraíba. Que o crescimento saia do discurso e traga bons resultados para todos os segmentos desse mercado, onde estão meus amigos, minhas raízes e minha formação publicitária!
Grande abraço e sucesso a todos!
Saudades…
Lucimara Rett
maio 31st, 2010 as 11:17 pm
Ah, voltei, mas é rapidinho, como dizia @realwbonner no Twitter…
Os publicitários que querem trabalhar com criação têm hoje como “concorrentes” os designers, que “quase de berço” dominam muito bem os softwares, a técnica e têm uma noção estética extraordinária! É só apurar quantos egressos de DI estão nas agências em vagas de criação
Fica a dica! Ainda dá tempo de “correr atrás do preju”!
Há espaço para todos! Boa sorte!
Lucimara Rett
junho 1st, 2010 as 8:13 am
Comentar algo após este post da Lucimara Rett é redundância. Posso apenas complementar. A palavra é equilíbrio. Nestes anos na área acadêmica, e contando até o tempo de mestrado na Unicamp, me deparei com profissionais em formação que dominavam softwares, mas lhes faltava bagagem, repertório cultural. Por outro lado houve aqueles que desprezavam os avanços tecnológicos, que abominavam aulas práticas em laboratório.
Desde o final dos anos 90 até o momento, posso fazer o seguinte balanço, muita gente ainda não descobriu o verdadeiro potencial da tecnologia. Ela oferece as ferramentas, os softwares, mas também todo um universo de pesquisa e de fontes para se beber, para ampliar os horizontes e aumentar o repertório, pena que a maioria fica apenas com a primeira parte. Criam, mas fazem defesas obtusas de suas criações.
O Bene Viana, o titã da publicidade do Vale, em suas palestras sempre reforça, que o que vale é a idéia, você precisa saber executar, mas só o suficiente para saber o que pode exigir de quem executará a sua idéia, o criador deve concentrar-se em criação.
Sou uma apaixonada pelo tema criatividade, sempre solicito aos alunos que pesquisem processos criativos de artistas e de profissioanis da área. Há muito o que aprender com eles, com a forma de criar de cada um. Não se trata de imitar, mas de entender a poética da criação.
E para não encerrar com um tom negativo, eu acredito que estamos preparando bons profissionais. Alguns assimilam logo e ainda na graduação já conseguem destaque, outros são mais lentos, e só perceberão depois, mas, antes tarde, do que nunca!
Na verdade, as coisas não mudaram tanto quanto dizem. Quantos de nossos colegas de faculdade estão no mercado? De cada turma, alguns poucos se sobressaem e estão no mercado de trabalho. Este assunto rende, mas concluo com a visão otimista do Cássio Rosas, o próprio surgimento do CCVP e da APP Vale são sinalizadores positivos de que mudanças estão ocorrendo. Parabéns pela proposta do tema! Abraços.
junho 1st, 2010 as 11:36 am
Vim aqui só para dizer uma coisa. Sou daqueles que fazem coro quanto a falta de diretores de arte ou aprendizes de diretores de arte no mercado e concordo com tudo que foi dito, mas acrescento algo que também venho dizendo em conversas por aí: isso é cíclico. Estamos num ciclo de ausência de talentos nessa área. Já tivemos ciclos com profusão de bons diretores de arte e aprendizes de diretores de arte.
Tenho conversado mais proximamente de muitos alunos novos que querem ir para essa área e dito a eles tudo isso que estamos discutindo aqui. E falando a eles que é preciso acelerar a formação, investir mais tempo e as vezes até mais dinheiro, buscar com mais sede.
Não dá também para mandar o cara muito novo e muito cru para o mercado. Vejo agências dando estágio para aluno de segundo e primeiro ano e querendo dele mais do que ele pode dar. pelo menos por enquanto. E muitas não dão a contrapartida de efetivemente treinar e aprimorar esse estudante. Ele tem que ter alguém senior ao lado dele para que possa se desenvolver mais e melhor.
Tenho certez que em breve, poderemos mandar novos talentos para o mercado. mas o mercado precisa colaborar mais conosco.
E acho que está disposto aisso hj mais do que esteve antes.
junho 1st, 2010 as 1:37 pm
Josué, apoiadíssimo! Fátima, obrigada pela complementação! Ambos sabem das dificuldades que passamos ao tentar formar essa “galera” que é inserida precocemente no mercado pra fazer função de gente grande. Pior anda, quando deixam a assiduidade na sala de aula para isso…ou, simplesmente, trancam a matrícula…lamentável!
Leônidas, grata pelo enfoque na co-responsabilidade do cliente. É uma das chaves! Muito importante, por sinal! Também concordo e já vi muitos exemplos de “EU”qqcoisa se dizendo publicitário, expert, etc, sem o mínimo de formação, bom senso, bem como responsabilidade com a profissão e a manutenção de custos sadios para a preservação de todos os segmentos do mercado publicitário. Meu irmão, por exemplo, ilustrador e cartunista, inúmeras vezes perde trabalhos para os “meninos”, “filhos”, “primos” e “filhos do amigo” do cliente que “desenham bem” e já resolvem!!! Baratinho!!! O resultado é, muitas vezes, catastrófico, como cansamos de ver pos aí nos pequenos mercados (e às vezes nos grandes tb). E isso não é exclusividade de ilustração. Serve pras diversas áreas…Já ouvi muito: “minha filha é bonita, pra que pagar uma atriz”? Ou: “eu mesmo faço essa locução da assinatura”… (?!?!)
Além disso, quando diz “Também concordo com o texto, quando diz que o que chega para grandes agências, também chega nas pequenas”, o que não chega nas pequenas é a grande verba, né?
Enfim, escrevi os posts anteriores tarde da noite e, talvez por cansaço, posso ter me expressado de maneira pessimista, mas reitero aqui, em tempo, que a visão é otimista. Acredito que o panorama está mudando, lentamente, mas está, e que tem muita gente realmente a fim de fazer a coisa acontecer!
Abraços,
Lucimara Rett
junho 1st, 2010 as 1:51 pm
Muito bacana a participação no post!!!
Quando pessoas como Lucimara, Josué, Fatima. Cássio, Armindo, Carlos e outros do mercado participam, com certeza fará uma diferença grande aos que leêm. E esta é a intenção do post, trazer pro debate pessoas que conhecem o mercado do Vale bem mais do que eu.
=)
Vou ler com atenção para aprender mais sobre o novo mercado onde atuo.
Valeu mesmo pessoal, espero q o debate continue!
abs
junho 1st, 2010 as 2:36 pm
Parabéns pelo post Alexandre!
Lucimara, obrigado pela aula gratuita nos comentários! Nem te conheço e já admiro.
junho 2nd, 2010 as 1:40 am
Em tempo. meu artigo não desmerece nenhum profissional ou professores que batalham há anos pelo mercado publicitário do Vale.
O POst nasceu num outro tópico e direcionou a discussão pra cá.
A idéia base, é fortalecer pela base, mas não só na faculdade e sim no meio profissional. Para que os iniciantes tenham maiores chances no mercado do vale e fora do vale.
=)
junho 2nd, 2010 as 2:00 am
Este post é o mais puro reflexo do mercado, gente querendo fazer, alguns sem a experiência necessária, outros com muito a ensinar, outros ainda com sede de aprender para poder fazer, alguns com muito a compartilhar, enfim todos embuídos de um único espírito, fazer o melhor para ser o mehlor !!
Que essa emoção transcrita em palavras possa contagiar cada criativo, atendimento, planejamento, mídia, assessor, assistente, estagiário, estudante e professor, e que assim possamos fazer do Vale o melhor lugar para se trabalhar !!
junho 2nd, 2010 as 1:45 pm
Henrique, muito obrigada!
Sou joseense, mas saí do Vale para lecionar na Federal do RN, em Natal. Vida nova desde fevereiro de 2010.
A minha pretensão aqui não foi “dar uma aula” e sim, compartilhar um pouco da minha visão, mostrando também o lado de quem tá no dia-a-dia em sala de aula
Beijo =*
junho 12th, 2010 as 11:56 am
Fico feliz e preocupado ao mesmo tempo com este post.
Feliz, por todos terem a oportunidade de raciocinar e comentar e preocupado pelo fato de ver algumas contradições dos colegas que comentaram neste e no outro post do Corel, mas isso cabe a cada um analisar.
Ressalto a explanação da Dra Lucimara Rett que abrangeu muitos fatores importantes como o da condição dos clientes, estagiários, preparação profissional dentro das agências, etc. Como foi dito: ” “Brincar de fazer campanha na “facul” é uma coisa, tirar leite de pedra e fazer “mágica” com uma verba limitada, é outra beeeem diferente.” ”
Como a questão é o Criativo, sua faculdade intelectual e suas ferramentas, vale notar que este profissional é de grande importância dentro de uma agência. Como postei no meu twitter outro dia, a frase na qual me baseei na ESPM no curso Miami ad School, “DESIGNER GRÁFICO RECEBE INFORMAÇÕES COMPLEXAS E SIMPLIFICA-AS PARA QUE SIMPLES MORTAIS POSSAM ENTENDER. FAZ DO CAOS PURO ENTENDIMENTO.”
Notem que não foram especificadas ferramentas e sim a capacidade de executar, transformar, criar, dar a entender, comunicar…
Na minha agência, FATOBrasil, há setores distintos, como atendimento, planejamento, redação, programação, criação… cada setor tendo um profissional especifico, formado… etc. No entanto, por incrível que pareça, todas as informações caem nas mãos do criativo, pois ele quem vai dar vida a tudo o que foi pensado e analisado nas intermináveis, mas obrigatórias e importantes reuniões. Ah, saibam que o criativo sou eu… ☺☺☺
Estou dizendo isso com categoria, pois vivo na prática e não na teoria por quase uma década.
Por um tempo deixei de postar trabalhos e até de comentar no CCVP, pois como disse o Marushio, “criação é linha de frente e a crítica aqui no Vale é fortíssima”. Ganhei deste site tomates, ovos, e xingos na cara, pois os “críticos” das outras agências estão acostumados a bater o olho e julgar a aparência e não analisam o que vem por trás do conceito, como também disse Marushio.
Sou sincero em dizer que gostei deste debate, ajuda a nos alargar em conhecimento, abre nossos olhos para algumas coisas.
Um aperto de mão para todos.
Tato Cochi