CCVP, Clube de criação do Vale do Paraíba

Postado por Gustavo, às 6:00, em Criatividade, Criativo Crônico, Mercado, Referências.

lightmyfire

Um reflexo de que o mercado está aquecido pode ser visto por meio das várias vagas de emprego publicadas aqui no próprio CCVP. Boa parte das agências da região já publicou ao menos uma por aqui recentemente. Em uma roda de publicitários (que acontecem muito mais no mundo virtual do no que real), o papo é que trabalham demais, viram madrugadas e finais de semana trampando como nunca, porque simplesmente não tá dando. Se antes havia um cenário de contas com freio de mão puxado, agências fechando as portas ou se fundindo, a impressão é de que a economia regional está despertando novamente. Aí eu faço uma pergunta: mais aquecimento significa mais inovação? Por mais que o cenário seja favorável, veremos mais pastéis de vento ou mais trabalhos ‘do caralho’?

Tradicionalmente os anos pares são mais favoráveis ao mercado publicitário com Eleições e Copa do Mundo / Olimpíadas, mas uma vez que o mercado publicitário regional se sustenta por meio do tripé varejo-contas públicas-imóveis, percebemos que o eixo anda respirando bem, obrigado. O varejo parece, entre os três, ter sido o menos afetado pela crise, uma vez que diversos segmentos sofreram incentivos e por sentirem que sem anunciar, um mínimo que seja, não vendem. As contas públicas precisam utilizar o restante das verbas dentro do período permitido antes do início do período eleitoral, logicamente, e sem querer querendo, impulsionarem os candidatos de seus respectivos partidos. E o mercado imobiliário? Dá uma olhada nessa notícia do Estadão:

Venda de imóveis cresce 80% em um ano e já provoca alta de preços

“(…) Impulsionados pelo crédito farto e longo, pelo crescimento da renda e do emprego, pelo programa habitacional do governo e também pela volta de investidores ao mercado imobiliário, os resultados de vendas, lançamentos e financiamentos atingidos nos primeiros meses do ano são surpreendentes. As taxas de crescimento já superam a casa de 80% na comparação com 2009. “Foi o melhor começo de ano desde 2004″, afirma o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci. Com a ascensão social das classes de menor renda, (…) agora está realizando o sonho da casa própria, diz.” Veja mais aqui.

Vendo esse crescimento todo e tentando responder a pergunta lá de cima (e torço imensamente para estar errado), sou um pouco pessimista. Apesar de lutar para inovar, acredito que o ‘espírito da pastelaria’ irá prevalecer. Não é por isso que se deve fazer qualquer porcaria, pelo contrário, se não existe riqueza de conteúdo ou de conceito, a peça tem que ser ao menos linda e de bom gosto impecável. Se vai ser pastel, tem que ser o melhor pastel que o cliente já teve na vida, caprichado e com um baita recheio. Tiro essa conclusão ao pensar que a aceleração do mercado automaticamente exigirá uma agilidade natural dos prestadores de serviço envolvidos nisso, inclusive nós. Explicando melhor: sabe quando um músico arrebenta de vender com um sucesso, corre pra fazer um monte de shows e gravar um CD logo em seguida? Então, se o mercado se acelera, ninguém é trouxa de deixar a onda passar e quer aproveitar enquanto é tempo. Para isso, vai ter que colocar produtos no mercado com mais rapidez para atender a demanda. Nesse ritmo, não só clientes vão correr atrás do timing, agências e todas as outras envolvidas no processo (gráficas, fornecedoras de comunicação visual e camisetas, produtoras de áudio e vídeo) deverão todas se adaptarem a essa realidade em que se deverá entregar a melhor qualidade possível dentro do tempo que existe disponível se quiserem sobreviver.

Dá uma olhada nessa idéia dos hermanos argentinos. A gente os odeia, mas é preciso tirar o chapéu pros caras. Contar é estragar a surpresa. Quem está lendo aqui vai querer me matar e dizer que uma idéia assim precisa de meses, com o que concordo. A lição que deve ficar é que para inovar, devemos ter idéias muito ajustadas ao perfil de comportamento do consumidor, para que se surpreendam e se identifiquem, independentemente de formato ou mídia. A idéia tem que ser inquestionável de tão adequada, como essa para a cerveja Los Andes. O cliente precisa ser um cego pra não ver que essa idéia traria resultado. A chave é entendimento e compreensão para ir na veia. Quanto melhor a gente entende uma pessoa, mais fácil e mais liberdade temos para fazer isso. Ou você zoaria um desconhecido? A cultura do brasileiro é não planejar mesmo, ponto final. Os prazos serão curtos e por isso não adianta chorar. Para sermos os mais criativos o possível precisamos estar abastecidos ao máximo de referências, cultura e dados para encurtar o período que a idéia fica encubada na nossa cabeça e, como ouvi em uma entrevista do Bruno Mazzeo, fazer com que a inspiração nos encontre trabalhando.

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4 comentários sobre “Criativo Crônico - Light my fire”

  1. Marushio escreveu:

    Opa, que bom que o mercado está aquecendo!!!!

    Vejo com otimismo.

    Quanto a questão “pastelaria”, acredito que se aquecer também a verba e não só a correria (rs), pode ocorrer o inverso.

    Atualmente, entre os poucos clientes que atendo no Vale, meu discurso tem sido “segure verba pra fazer melhor, em vez de gastar atirando pra todos os lados de forma ineficiente”.

    O que, provavelmente, dará fôlego financeiro e principalmente de tempo, pra fazer melhor. Porque sem tempo e sem verba, haja repertório criativo…

    Sobre o “teletansporter”, mercado aquecido ou não, é uma puta idéia com muita verba, muito tempo e, principalmente, muita coragem do cliente para aprovar algo “politicamente incorreto”.

    É o tipo de idéia q tu olha e pensa “gostaria de ter pensado nisso”.

    E que venha uma nova realidade de mercado!

  2. Caio Braga escreveu:

    A frase citada por Bruno Mazzeo é atribuida a Pablo Picasso, que teria dito: “A inspiração existe, mas tem que te encontrar trabalhando.” ou “Quando vier a inspiração, que me pegue trabalhando.”

    Muito bom o post.

  3. Luís. C Braz escreveu:

    Fico feliz e um pouco infeliz com essa crônica.
    Feliz: Sou a favor da evolução publicitária no vale, apesar de alguns anunciantes “retrô”. Concordo com você Gustavo “Se vai ser pastel, tem que ser o melhor pastel que o cliente já teve na vida, caprichado e com um baita recheio”, acredito nisso, fazer sempre o melhor possível, mesmo contando as vezes com as impossibilidades.
    Infeliz: Se estão contratando mais profissionais de publicidade, me fale: qual é o perfil do publicitário aqui no vale? O que é preciso fazer para entrar nesse mercado? Essas questões pode ser uma pauta para sua próxima crônica!! Sou um defensor da publicidade vale paraibana, mas as vezes fico em dúvida, sou um profissional que sei fazer um “ótimo pastel” e fazer a diferença, mas as oportunidades não surgem!

  4. Josué Brazil escreveu:

    Boas palavras, Marushio!
    Mas não sou tão otimista quanto você. Tendo a concordar com o “pessimismo” do Gustavo. Embora acredite que nos momentos em que a coisa está boa é que se deve promover mudanças e tentar fazer ainda melhor. Não nos momentos em que a vaca westá quase toda atolada no brejo.
    As agencias precisam investir numa boa administração e gestão para conseguir buscar e reter pessoas realmente talentosas e que possam evitar a pastelaria. Não é uma equação simples de ser montada e resolvida. Entretanto, acredito ser este o caminho para aqueles que querem aproveitar o bom momento para fazer ainda melhor.
    Também é preciso investir tempo na educação dos clientes. As vezes perder um outro aqui e ali, mas ganhar aqueles que topam ir além e fazer coisas verdadeiramente relevantes.


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