Esta semana, duas coisas me chamaram a atenção quanto aos erros.
A primeira.

No último fim de semana, fui assistir ao espetáculo Quidam - Cirque Du Soleil. Foi bacana? Foi. O Cirque é conhecido por levar suas apresentações a um nível de dificuldade altíssimo, mas justamente num dos números do show aparentemente fácil (fácil para eles que treinam exaustivamente, não me peça para ir lá pular), um dos acrobatas caiu. Até mesmo um ‘atleta circense’ como um participante do Soleil pode tropeçar. Na minha percepção, ele se distraiu porque a platéia o aplaudiu antes da hora. Olhando para o dia a dia da propaganda, fico me lembrando de que um chefe dizia sempre ‘pequenos trabalhos, grandes pepinos’. Ele estava certíssimo. É justamente nos pequenos trabalhos que nos distraímos, que levamos com menos atenção e abrimos as portas para o erro. Achamos que estamos confiantes e seguros o bastante para podermos suplantar aquele pequeno job com os dois pés nas costas. Ledo engano, onde há fumaça há fogo. Não deixe de estar atento a cada detalhe, porque para o cliente, job não tem tamanho. O que existe é a qualidade do que você entregou. Cheque a Língua portuguesa (ainda que você não seja redator), verifique as malditas fontes em curvas, cores CMYK, resolução, as medidas da peça, as observações necessárias, ou seja, os detalhes que fazem a diferença.
Uma vez paguei um trabalho inteiro de impressão das plantas de um empreendimento, apenas porque exportei um logo errado. Foram R$ 800,00 há uns quatro anos, mais ou menos. Meu chefe foi bacana, dividiu, parcelou, facilitou total, mas aprendi mais uma pagando. E às vezes temos que pagar do bolso mesmo para nos tornamos profissionais verdadeiramente completos e preparados.
A segunda.

Foi uma semana atípica. Como nunca acho que terei novamente quanto a eventos de grande porte. Na terça-feira, dia 2, fui também ao show do Coldplay em São Paulo. Tinha tudo para ser um show memorável, e foi, mas negativamente, infelizmente. Por quê? Pelos erros. Claramente houve algo de errado com a parte do som. Não se ouvia direito a banda, parecia que o som ia e voltava, como num mal contato, além dos microfones que cortavam em meio às músicas. Chegou a um ponto em que os setores vermelho e azul gritavam “Aumenta o som”, como não houve resposta (ou seria ouve?) a banda passou a ser vaiada. Um show com tão alta expectativa, tornou-se uma decepção. A experiência com o produto que eu e milhares de pessoas compraram foi seriamente comprometida, um momento que não pode ser reencenado.
E o que acontece com o que uma agência de propaganda entrega a seu cliente? Ou ainda (porque isso existe) recebe e não entrega, o que é ainda pior. Ou ainda quando se tem uma expectativa diante de um determinado resultado que não acontece? A experiência junto ao cliente não pode ser refeita ou remendada. Já foi. Conheço agências que assumem a postura de lavarem as mãos quando fazem um trabalho que não surte efeito, não dá. É preciso dar a cara a tapa e fazer de tudo para a coisa acontecer. Não fazemos parte do meio artístico, mas do meio empresarial. Se nada aconteceu e o produto não vendeu, o publicitário não fez seu trabalho como deveria. Não adianta dizer “não vendeu, mas tudo bem, fiz minha parte”. Tudo bem nada.
Também não se pode partir do pressuposto que ‘ah, errar é humano, tudo bem’. Tudo bem, nada, de novo. O tempo não volta atrás. Precisamos aprender que ao prestarmos um serviço a um cliente, é preciso ter responsabilidade com a grana que está sendo investida. É preciso ter compromisso com aquilo que entregamos. Desde um filme, desde um planejamento, desde um orçamento, a um mero telefonema. Devemos estar preparados o bastante para não permitirmos brechas para o erro. O caminho é a atenção, o zelo com o cliente e o cuidado com o detalhe. Se você procurar seguir isso, meio caminho andado.
Pra fechar
Nem tudo é mau humor. A ação feita pela Ínsula para o Bradesco no Cirque Du Soleil foi sensacional. Criaram um jogo feito com realidade aumentada. Acesse: amagiadocircoemsuacasa.com.br e veja o case, vale a pena.



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Josué Brazil
É bom ver o CCVP de volta a ativa!!!Michelli
cadê?André Leone
Gostaria muito de um desafio. Como não atuo ainda 24hs do meu dia trabalhando, acaba sobrando um tempinho para freelances. Grato pela atençãomarushio
A Globo pelo jeito gostou da ação criada pela Molotov. http://globoesporte.globo.com/lutas/noticia/2012/01/ring-girls-brasileiras-chamam-atencao-eMarcosTeles
Caros, Gostei muito do logo. simples e direto


março 9th, 2010 as 10:47 am
Olha, nem tanto o caso do primeiro, mas o segundo foi uma tremenda falta de compromisso em entregar um produto de qualidade ao cliente, hein! Se fosse eu a responsável pelo show, teria vergonha. Já na área publicitária, acho que se cliente não se preocupasse com qualidade, não contratava agência. O mínimo que temos que fazer é fazer com qualidade. E isso leva ao sucesso do cliente (e ao nosso consequentemente).
Será que é uma lógica tão difícil de entender?
março 9th, 2010 as 2:35 pm
Sempre que posso digo aos meus alunos que o pior do erro é não querer aprender com ele. Todos erramos, mas devemos observar efetivamente os erros para tirar lições.
O pior ‘r dar de ombros, como se acertar ou errar não fizesse a mínima diferença.
E, como se diz em alguns esportes, para vencer é preciso minimizar os erros.
Abraços!
março 9th, 2010 as 6:02 pm
ótimo texto. realmente vejo a minha volta que as vezes o que seara o bom do mal profissional não é nem seu talento, mas sua falta de atenção. Chato que sou, fico de bode qdo trabalho com alguém desatento. Embora eu não aparente ser dos mais concentrados, sempre fico de olho nesses detalhes que podem estragar tudo.
Eu concordaria com cada palavra do texto se não fosse por esse parágrafo:
“Uma vez paguei um trabalho inteiro de impressão das plantas de um empreendimento, apenas porque exportei um logo errado. Foram R$ 800,00 há uns quatro anos, mais ou menos. Meu chefe foi bacana, dividiu, parcelou, facilitou total, mas aprendi mais uma pagando. E às vezes temos que pagar do bolso mesmo para nos tornamos profissionais verdadeiramente completos e preparados.”
Acredito que a agência tenha que ter um fundo de capital pra esses erros, não considero justo cobrar o funcionário. Outra solução que vejo é investir em profissionais experiêntes. Nas maiores agências que trabalhei, a questão de descontar ou não nem se discutia. Descontar do funcionário é fora da realidade.
Sou um militante da causa, certa vez desafiei um chefe meu: coloque no papel o lucro que eu dei nesse mês, subtraia o custo do erro, se eu der prejuízo, por favor me demita. É uma forma de eu rever o meu trabalho e melhorar.
Na época o erro não havia sido meu, mas ninguém assumiu ia sobrar pra todo mundo. Acredito que a política de desconto de salário destrói o ambiente saudável e de confiança que precisa existir dentro de uma agência. Vira a brincadeira da batata-quente.
março 10th, 2010 as 9:04 am
Luiz
Concordo com vc. Não se deve descontar do funcionário porque , em última análise, o erro é da agência. Então ela assume. Ocorreu qdo. tinha agência e quem bancou foi a empresa. Negociamos com o fornecedor para parcelar com ele a refação. E não parcelar o desconto do funcionário. Mas cada empresa uma sentença.
Isso não tira a validade do texto, só o corrobora.
março 10th, 2010 as 10:22 am
Com certeza Josué,
o texto é um ótimo alerta pra quem está começando e também pra quem se acha infalível.