CCVP, Clube de criação do Vale do Paraíba

Postado por Ale Santos, às 7:22, em artigos.

Por Eduardo Spinelli

Fim de ano sempre foi uma época boa para reflexões. É tempo de fazer uma retrospectiva do ano que passou e algumas resoluções para o ano que virá. Tenho pensado muito no que falta para o mercado publicitário do Vale do Paraíba decolar de verdade e a conclusão chega a ser quase óbvia: falta união. Isso mesmo: união das agências, dos profissionais e, principalmente, união de esforços para fazer a propaganda do Vale realmente acontecer.
Pode parecer influência do sentimentalismo que toma conta da gente nessa época do ano, mas esse sentimento vem me acompanhando bem antes do dia em que eu e meus sócios decidimos largar nossos empregos e abrir a nossa própria agência. Para minha surpresa, quando demos início à nossa revolução de ideias, descobri que vários profissionais de outras agências também se identificaram e abraçaram a nossa causa: mudar o mercado para melhor.
Dessa forma, o que era para ser um posicionamento da nossa agência tomou proporções bem maiores e despertou em muitos colegas de profissão um desejo que já estava latente há muito tempo. Com isso, muita gente se deu conta de que somente uma classe publicitária unida e forte poderia driblar a crise e sair vitoriosa de um ano que tinha tudo para ser um ano perdido.
Mesmo assim, muitas agências ainda encaram as limitações geográfico-territoriais do Vale e a proximidade entre os diversos players do mercado como uma ameaça. Acham que isso é justificativa para atuar de forma antiética, prospectar o cliente do concorrente e praticar uma política predatória de preços, o que acaba prostituindo e prejudicando todo o mercado. Para mim, um mercado como o nosso - onde todos se conhecem e se encontram nos eventos, nos shoppings, nos bares e nos restaurantes - é, na verdade, uma excelente oportunidade de aproximação e diálogo entre as diversas agências da região.
Iniciativas como a criação do Clube de Criação do Vale do Paraíba, a vinda da APP - Associação dos Profissionais de Propaganda - para a nossa região e a realização do primeiro Social Media Vale do Paraíba são dignas de aplausos e me fazem acreditar que estamos no caminho certo, rumo a um nível de profissionalização jamais visto no nosso mercado.
Na última edição do Prêmio Recall de Criação Publicitária, realizado no final de outubro em Ribeirão Preto, tivemos um bom exemplo de união: durante a cerimônia de premiação, todos os profissionais do Vale presentes estavam torcendo não para que sua agência recebesse prêmio, mas sim para que o Vale do Paraíba mostrasse a sua cara. A cara de um mercado criativo, altamente competitivo e com um grande potencial de crescimento.
Bem, meus amigos, confesso que estou muito feliz por estar vivendo esse momento tão especial para o nosso mercado. É preciso termos consciência de que estamos escrevendo um importante capítulo na história da propaganda do Vale do Paraíba. Tenho orgulho de fazer parte dessa revolução ao inaugurar a primeira hot shop do Vale. E para os desinformados, hot shop não tem a ver com o tamanho da agência, tem a ver com o tamanho das ideias. Hot shop é um formato diferente de agência: mais ágil, mais flexível e muito mais eficiente. Ou seja: ideal para a realidade do nosso mercado.
Finalmente, gostaria de desejar a todos um Ano Novo cheio de paz, saúde e grandes conquistas. E que em 2010 nós deixemos um pouco de lado a competição e pratiquemos mais a cooperação. Porque só assim, com união, a revolução sairá do papel e tomará conta das ruas, das mídias e das cabeças dos que ainda não acordaram para essa nova realidade. Viva 2010! Viva a revolução!

* Eduardo Spinelli é redator e sócio-diretor de criação da Molotov/FGS Propaganda, a primeira hot shop do Vale.

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15 comentários sobre “Agências unidas jamais serão vencidas”

  1. Guerra escreveu:

    Legal Eduardo!
    Acho que a competição pode existir sim e é válida quando feita com ética.

    Até mais!

  2. Tato Cochi escreveu:

    Eduardo, concordo com você em vários pontos.
    Bom seria se tivéssemos “realmente” amizade, admiração e respeito pelos colegas de outras agências. Neste mundo competitivo que vivemos, é quase impossível dizer que isso possa acontecer, porque no íntimo, um está matando o outro, no sentido da concorrência.
    No ano que passou, alguns colegas passaram por cima de tudo e de todos, fazendo barganha para conquistar clientes já conquistados por outras agências.
    Falta de ética? Moral? Dinheiro? Ou simplesmente ganância?

    Gostei do seu texto, mas gostaria muito mais se realmente fosse verdadeiro, pois o que pareceu foi uma forma de mostrar que agora sua agência tem um novo método de serviço e uma autopromoção.

    Para fazermos união, devemos realmente estar dispostos a isso, e confesso que sou muito mais emoção do que razão nesse momento. Eu gostaria muito de manter contato com colegas de agências emergentes como a sua.

    Posso ter interpretado mal o que li e espero que não seja uma desculpa para uma inimizade antes de nos conhecermos, mas repito dizendo que para fazermos união, devemos realmente estar dispostos a isso. Senão vira demagogia, onde “o que eu falo eu não faço”.

    Desejo sinceros votos de harmonia no Vale do Paraíba e que as agências passem mesmo a se respeitar.

  3. Luiz Carioca escreveu:

    Du, parabés pelo texto.

    Quando li CLASSE publicitária vi que realmente algo está mudando.

    Fundei esse clube com meus amigos Marcos e Matheus e dentre os 3 eu sempre tive a idéia de torná-lo uma espécie de sindicato, para proteger os direitos do profissional criativo.

    Vou falar do ponto-de-vista do assalariado. Fica fácil essas agências abaixarem o preço, pois não pagam nem 1/3 dos direitos dos seus funcionários. A corda sempre estoura pro lado mais fraco, o nosso.

    Então, os criativos me perguntam: o q eu posso fazer, o mercado é assim?

    Durante minha breve vida de publicitário, 10 anos, neguei e recusei várias coisas. Sofri perdas, mas fui contra o que eu não aceitava. Não aceitei trabalhar como PJ (pessoa jurídica), não aceitei fazer cambalhacho pra ser estagiário, não aceitei trabalhar sem registro, como um ilegal em meu próprio país. Perdi oportunidades, não foi fácil. Perdi inclusive uma vaga de diretor de criação, mas hoje sou redator em uma agência que respeita meu trabalho e principalmente meus direitos.

    Acho que cada um tem que colocar a mão na consciência. O mercado, não só do Vale, está entrando em colapso. Muito por pressão de clientes que se dizem sustentáveis. Sustentabilidade também se faz no trabalho, não só na floresta.

    Espero que chegue um dia onde as agências se imponham contra o cliente, pois terão que arcar com os custos de funcionários, senão a fiscalização pega. Espero ver isso em breve. Espero contribuir para isso.

    É ótimo ver pessoas como o Du e o Gobbato, que conheço pessoalmente na liderança de agências, o Caio da KMS que conheci recentemente também. Acho que eles tem muito para contribuir para o fim desse trabalho semiescravo que acontece na publicidade, a gente não estuda pra isso. Os clientes precisam perceber, e se vc mostrar valor, eles perceberão, com certeza.

    A corda sempre estoura pro lado mais fraco, mas deixa danos no lado “mais forte” também, como essa concorrência desleal e predatória.

    Ah, não poderia deixar de citar o Josué Brazil, o último idealista da propaganda!

    Viva la revolución,
    Luiz Carioca

  4. Josué Brazil escreveu:

    Obrigado pela lembrança, Luiz. A gente tem essa estranha tendencia de brigar pelo que gosta… rsrsrs…
    E gostaria de acrescentar algo: eu já fui PJ, eu já trabalhei sem registro, eu já fui dono de agência, eu já fiz muita coisa em propaganda.. e o problema não é basicamente este. Aliás, nossas leis trabalhistas são ultrapassadíssimas e a flexibilização das condições de trabalho só não evoluiu mais por aqui porque o atual governo federal vê isso de maneira diferente (numa de suas poucas reservas ideológicas).
    O que vale é a ética. É a prática! É fazer no dia-a-dia de um modo legal, bacana, correto. Eu até topei ser PJ, porque jogaram aberto comigo, eu ganharia mais e eles cumpriram tudo o que me prometeram.E tive vários benefícios acoplados ao salário que não teria com a tal carteira assinada. Eu topei trabalhar sem registro. Porque a empresa e seus donos eram pessoas com quem valia a pena trabalhar. E foram honestos comigo.
    Por isso eu digo:o que vale é como se faz todo dia! É ser honesto e ético. Não “meio honesto”e “um pouco ético”. É o que falta ao país como um todo!!!
    Luiz, entendo seu ponto de vista, mas o que falta ao mercado é entender que antes de tudo está a atividade, a área de atuação, o chamado mercado de propaganda E aí temos que pensar com menos ciúme, inveja, ego inflado e birrinhas bestas (não estou dizendo de modo que este é o caso do Luiz, gente, ele eu conheço muito bem).
    Tem sacanagem em todo lugar! Não é privilégio do Vale do Paraíba. Talvez aqui, como o mercado é menor ainda, ocoram distorções maiores.

  5. Luiz Carioca escreveu:

    Concordo com vc Josué,

    mas o que quero dizer é que cada um tem que fazer a sua parte. E o q vc disse sobre ser “meio honesto” ou “um pouco ético” é perfeito.

    na maioria das vezes as pessoas só são honestas e éticas quando lhes interessa. Vc tem boas histórias para contar sobre PJ e sem registro, mas quantas histórias ruins também poderiam ser contadas aqui, aposto que ultrapassariam as boas.

    Vendo pelo lado do funcionário, quero um dia ser aposentado e brincar numa terça-feira gorda com meus netos.

  6. Luiz Carioca escreveu:

    Toda empresa é um reflexo da diretoria. Por isso essa preocupação com o mercado. Entendo bem que essa competitividade danosa começa nas diretorias e entendo o ponto de vista dos empresários de comunicação do Vale.

    É difícil, não se varre uma escada de baixo pra cima.

  7. Josué Brazil escreveu:

    Legal. Luiz!
    A empresa é a cara de seu dono ou de seus donos.

  8. Marushio escreveu:

    Realmente, não tive “sorte” ainda, no vale.

    Desde que aqui cheguei, trabalhei em troca de promessas q não rolaram, visões que não eram embasadas em processos concretos. Não tive sorte nas associações, pelo jeito.

    Tomei “calote”, trabalhei muito e por meses.

    Hoje trabalho como freela, atendendo São Paulo e sozinho, pela primeira vez desde que cheguei ao Vale. Estou conseguindo equilibrar as coisas.

    Este ano vou buscar uma agência bacana no Vale. Me estabelecer e aprender mais desse mercado.

    A qualidade de vida vale o esforço.

  9. Marushio escreveu:

    Realmente, não tive “sorte” ainda, no vale.

    Desde que aqui cheguei, trabalhei em troca de promessas q não rolaram, visões que não eram embasadas em processos concretos. Não tive sorte nas associações, pelo jeito.

    Tomei “calote”, trabalhei muito e por meses.

    Hoje trabalho como freela, atendendo São Paulo e sozinho, pela primeira vez desde que cheguei ao Vale. Estou conseguindo equilibrar as coisas.

    Este ano vou buscar uma agência bacana no Vale. Me estabelecer e aprender mais desse mercado.

    A qualidade de vida vale o esforço.

    Agora é decidir se vale cobrar o preju, ou passar a régua e ir em frente.A consciência de cada um q manda.

    Em São Paulo tem os mesmos problemas do Vale. Só que é eclipsado por bons resultados. Com certeza união e ética entre agências fará a diferença. Porque os bons resultados ficarão mais evidentes.

  10. Marushio escreveu:

    AH, sim. Só pra deixa claro. E não ter mal-entendido. O pessoal da http://www.aisimdesign.com.br são bem sérios e talentosos. inclusive, as agências do Vale deviam conhecer e dar uma chance pros meninos. Valoriza o job.

    desculpem o merchan…rs

  11. Tato Cochi escreveu:

    Marushio, o site dos rapazes está fora do ar. Assim que estiver darei uma olhada.

    Referente ao merchan, é justamente o motivo de eu não concordar muito com o artigo que gerou estes comentarios, dá uma lida na minha resposta acima.

    Até breve.

  12. Marushio escreveu:

    Entendo Tato.

    Com certeza tu deve conhecer mais o mercado do Vale do que eu.

    Esqueci de fazer a análise SWOT antes de vir…rs … quebrando o gelo…rs

    Mas, apesar da minha reclamação, que estava o contexto do post, tem muita gente bacana aqui sim. Amigos como o Cássio da KMS, Gobbato da Arriba!, e tenho muita gente pra conhecer ainda.

    O que aprendi realmente, de forma radical, é que aqui tem-se que ir devagar. Conhecer as pessoas, analisar as propostas. E cuidar para não entrar em brigas que não são suas.

    Ética é importante em qualquer lugar, então nem discuto o assunto.

    outro merchan, meu portifa: http://www.behance.net/marushios

    abraços e desejo um ano de evoluçã e sucesso pra todos nós!

  13. Tato Cochi escreveu:

    Marushio…
    Não da para fazer uma Matriz de Ansoff antes de fazer uma analise Swot mesmo, quase todo mundo faz isso e as coisas se atropelam.

    O Vale é maravilhoso, amo essa região, existem pessoas magnificas, eu mesmo tenho colegas na área que são tecnicamente meus concorrentes e trocamos ideias sem barreiras.

    Talvez um pouco de otimismo e expectativa irá ajudar a todos nós, o Vale é uma região em constante expansão e se um dia você levou um tombo por parte de clientes e amigos, deixe pra lá, eles quem não valiam nada.

    Estive olhando o blog do Josué (já que estamos falando em merchan, fiz de um amigo), lá ele dá 7 dicas para uma agência se dar bem em 2010.

    Nunca devemos ter um pensamento miniminista.
    “Se você realmente deseja, siga em frente com a decisão firmada em sua mente!”

    Vou ver sou portfa.
    Abração!

  14. Marushio escreveu:

    Merchan bom, é merchan merecido! Sempre leio o blog do Josué!

    É como comentaram o Spinelli nesse post e o Gobbato na coluna dele. Cada um à sua maneira. Além do talento, cada cliente ou profissional vai procurar a agência que tem afinidades.

    Daí em diante, basta ter ética, inteligência-emocional e profissionalismo que tudo acontece. =)

  15. Josué Brazil escreveu:

    Já que fui citado, passo aqui só pra deixar um abraço de agradecimento.
    Acho importante, sempre, que os bons liderem. Que não abram espaços paea aqueles que não amam e valorizam a propaganda. Os bons tem que ocupar os espaços!


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