CCVP, Clube de criação do Vale do Paraíba

Postado por Gustavo, às 6:00, em Criativo Crônico, artigos.

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Isso não é fim, mas um novo começo.  É a época em que já não estou mais pensando, aliás, já estou trabalhando efetivamente, e olhando para 2010. Fazer uma retrospectiva dá meio que preguiça. Sou naturalmente um cara que não olha pra trás (e às vezes peco por isso). Já pedi a Papai Noel algumas coisas para 2010. Algumas que pedi pra 2009 ele só me entregou agora, mas tudo bem. Tá na hora de fazer aquelas promessas que não vão se cumprir (as minhas para 2009 eu fui meio que forçado a fazer, não teve jeito, mas faltou uma, mas isso é assunto para semana que vem). É hora também da propaganda se vestir de branco e trabalhar mais uma vez a esperança no imaginário das pessoas. Talvez o comercial mais bacana de ano novo que eu me lembre é um de Visa, falando sobre os segundos. E a importância de viver cada segundo intensamente.

Existem outros comerciais que exploram o ‘carpe diem’ publicitário e acabam por valorizar este desejo por bem estar idealizado. Se a publicidade mira bem nas carências e torce a faca sobre a ferida, acredito que se existe uma fórmula que funciona hoje é essa. Tem uma cara despretensiosa de ‘não sou propaganda’, de uma filosofia de vida facilmente compreensível e  que sensibiliza hoje todos nós que não temos tempo para aproveitar amigos, namoradas, família, filhos, enfim. Pergunte a qualquer um hoje o que é mais doído? A falta de grana ou a falta de tempo? Honestamente, não conheço uma pessoa com crianças em casa, pai ou mãe, que não desejasse poder conviver mais com os filhos. Se esses comerciais tiverem crianças então, o tiro é certeiro. Eu mesmo já fiz uma me rendendo ao que chamaria de ‘estética filtro solar’ e confesso que gosto desse filme.

defaultPor outro lado, nada melhor do que entrar nas casas das pessoas e poder incluir um pouco do bem em suas vidas. Inserir junto à propaganda um pouco de poesia diante de tantos 17 vezes sem juros.  Fico me lembrando também de um comercial de Samello, belíssimo. Uma das coisas mais sensíveis que já vi na Propaganda. Não me lembro do autor da poesia, acho que é Borges, mas acredito que bem ou mal, se nossa intenção é de comover para convencer, beber de fontes como a poesia não deve ser nunca um caminho sem espaço.

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5 comentários sobre “Criativo Crônico - O ano em que faremos contato”

  1. Eduardo Costa escreveu:

    Balo texto, Gustavo. Quem é pai sabe e sente exatamente o que você está dizendo
    A autoria do poema (chame-se Instantes) do comercial da Samelo é uma das grandes polêmicasque já houveram na Internet. Ele é atribuído a Jorge Luis Borges, mas não consta como catalogado em sua obra. Inclusive, a letra da música Epitáfio, dos Titãs foi baseada nesse poema que, mesmo não sendo de Borges, é sensacional.

    Você pode ler um pouco sobre a discussão, dentre os milhares de links na Internet em http://chicoary.wordpress.com/2006/07/28/borges-labirintico/

  2. Guilherme Maia escreveu:

    A melhor campanha que eu vi de natal e ano novo, até hoje, é essa:

    http://www.youtube.com/watch?v=Z1zm4E9d1oo

    http://media.photobucket.com/image/merry%20xmas%20%28war%20is%20over%29/H2O_Man/recruiting.jpg

    http://2.bp.blogspot.com/_swxyV4_i-wU/R3DDdluhenI/AAAAAAAAABc/SeycZ42gvhM/s400/war_is_over.jpg

    http://lanceturner.files.wordpress.com/2009/09/war_is_over1.jpg

    E ainda teve a “ação” do John e da Yoko de mandar nozes de carvalho a 50 líderes mundiais, pedindo que eles as plantassem pela paz no Vietnã. Não lembro exatamente como foi, mas foi tudo integrado.
    John Lennon não era religioso, acreditava apenas nele mesmo e no seu poder para mudar algo. E, no fim das contas, com religião ou não, natal e ano novo são sobre o bem e a fraternidade.

    Aproveitando o post, hoje, 8/12, faz 29 anos que o mundo está sem John Lennon.

  3. Josué Brazil escreveu:

    É, Eduardo… será que os filhos (no meu caso minha filha) irão nos entender e perdoar um dia… tomara que sim! E acredito que sim. Os filhos se tornarão cada vez mais independentes e no final creio que será bom.
    Eu gosto desta linha de comerciais. O filme da Samello foi produzido pela O2 e dirigido por Fernando Meirelles. E eu também creditava este texto ao Borges, mas desconheço o autor verdadeiro. O Meirelles até citou o nome do autor em uma palestra no FESTUP em que ele mostrou este filme e contou sua histórinha (sim ele tem uma histórinha).
    Pra finalizar, acredito que qualidade de vida possa ser melhor traduzida hoje por tempo livre, tempo de lazer, tempo de ócio. Tempo para as pessoas e coisas que gostamos além de nossas atividades profissionais.

  4. Yara escreveu:

    No meio da correria do fim de ano, do trânsito louco de Taubaté, encontrei um tempo - assim como todos os que aqui deixaram seus comentários - para fazer um carinho no autor da crônica e aqui deixar minha opinião sobre ela. Afinal, a maior alegria do escritor é ser lido! O tema “tempo” tem sido constante por aqui. Deve ser porque, no íntimo, todos estão sempre divididos, culpados e infelizes com a escolha do momento. O Gustavo está certo: qualidade é melhor do que quantidade.

  5. Luis C. Braz escreveu:

    Bela reflexão Gustavo. Acredito em muitas coisas em 2010,esse também será meu ano. Planos e mais planos. Sou apaixonado por propagandas tipo “Filtro Solar”, mas realmente a o filme que mais me marca em todos os natais são os da “Sempre Coca Cola” http://www.youtube.com/watch?v=zJ6c25LpRbc, sempre me inspiros neles nos Fins de Ano.
    E ja te desejo um Feliz Natal e um ótimo e prospero Ano Novo. Abraço


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