CCVP, Clube de criação do Vale do Paraíba

Postado por Gustavo, às 6:00, em Criatividade, Criativo Crônico.

Criatividade é um dom nato?  Sinceramente, acho que não. Desenvolver a criatividade é um exercício. Quanto mais você faz, melhor fica. Acho estranho como nós, publicitários, nos apropriamos da palavra ‘criativo’. Um adjetivo que deveria qualificar uma receita de bolo diferente, um nome diferente de um cachorro… qualquer coisa que nos impressione pela associação de idéias inusitadas, tornou-se um substantivo que caracteriza uma profissão. “O que você faz?” “Sou um criativo”. Criativo para mim, de verdade, é o cara lá da favela que consegue construir e manter de pé um sobrado de até 3 andares feito de compensado. O tipo de coisa que engenheiro aprende e rala pra fazer em cálculo estrutural, na favela isso se ajeita num barraco com um material frágil e ainda com várias pessoas morando dentro. Na publicidade, somos mesmo tão dignos de nosso título de criativo?

Ninguém precisa, é claro, colocar o ovo em pé, mas o que quero dizer é que antes mesmo de aprendermos a fazer títulos e layouts, precisamos aprender a imaginar e a associar coisas diferentes e surpreender. Nossas fronteiras precisam ir além da própria publicidade. A música, a arte, as viagens e tantas outras coisas nos abrem caminhos para sermos mais diferentes. E as idéias boas são simples.Tem um site que eu acompanho, chamado Bem Legaus que traz coisas muito interessantes e que me abrem a cabeça. Veja só essas aqui que guardo comigo:

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Outro dia, eu estava acompanhando o twitter do Átlia Francucci e ele postou algo sensacional que foi tema de matéria no Estadão e depois em Blue Bus. Jarbas Agnelli, também publicitário, e conhecido por ter sido o criativo (olha o termo aí de novo) de peças como o filme “A Semana” de Época, vencedor do Grand Clio, e também de uma série de comerciais da Fnac, vencedora em Cannes, que se destacam pelo som. Não é à toa que hoje ele é proprietário do AD Studio. Mas o que Jarbas fez (e que tem tudo a ver com o nosso tema aqui)  foi , ao observar uma foto no jornal em que pássaros estavam pousados nos fios de eletricidade, perceber que as posições deles se pareciam com notas musicais em uma partitura e a partir da foto criou uma melodia. Nada de jingle, nada de usar isso em algo, nada de nada. Apenas música e muita criatividade, num resultado muito bonito.

Veja o vídeo “Birds on the wires” com a música de Jarbas Agnelli aqui.

estadao

Sermos criativos significa que podemos também ir além das ‘quatro linhas’ da propaganda. O que podemos fazer para associar idéias em nossas vidas pessoais só nos ajuda a trabalharmos e a exercermos sim a criatividade. Antes mesmo de aprendermos a fazer criação publicitária, devemos aprender a criar. Isso somos capazes de fazer e, quem sabe, trazermos como Jarbas, coisas belas para o nosso mundo.

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3 comentários sobre “Criativo Crônico - criatividade fora das 4 linhas”

  1. Guilherme Maia escreveu:

    O foda é que só ficam saltos de terça, quinta e sétima na música dos passarinhos. Sem ré, nem si, fica praticamente em fá, dó, lá menor…=P

    É bem legal isso, me lembrou um poema do Cassiano Ricardo, que tem a mesma associação.

  2. Jair escreveu:

    Odeio o título “Criativo”. Acho que serve pra designar algo que muitos não são. E acaba parecendo que o resto da agência não tem valor (criativo) algum, não é mesmo?
    Acompanho o Bem Legaus também e como o Gustavo disse a gente tem que ficar antenado em coisas fora da Publicidade minha gente, senão vai parecer cachorro correndo atrás da própria cauda.

  3. Josué Brazil escreveu:

    Concordo integralmente com o Jair!!!
    Toda a atividade publicitária deve ser criativa. Buscar soluções pede criatividade. Sempre!


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