
“Se você quer me seguir, não é seguro. Você não quer me trancar num quarto escuro. Às vezes parece até que a gente deu um nó. Hoje eu quero sair só.” Eu tava ouvindo essa música e acabei fazendo um paralelo entre ela e o twitter. De que seguir alguém nem sempre é seguro, do quanto às vezes queremos estar sós e nossa vida acaba exposta no mundo digital, do quarto escuro em que podemos entrar enquanto a visão do que somos for definida apenas pelas informações publicadas e dos nós que isso pode gerar. Filosofias à parte, um pouco a contragosto, fiz meu perfil no twitter essa semana. Apesar de conhecer o poder das ferramentas digitais, sou meio avesso, pessoalmente, às mídias sociais. Tenho meu perfil no Orkut há uns 5 anos e enfrentei problemas por causa dele. Já tive briga com namorada, gente fazendo intriga, gente bisbilhotando, gente que não descobria nada de mim e resolveu acompanhar os passos dos meus amigos para tentar saber coisas da minha vida(!?). Veja o que o tempo ocioso e disponível é capaz de fazer com o voyeurismo do ser humano. Por outro lado, muita gente bacana que está longe mantém contato comigo por ali, por isso nunca resolvi acabar com o perfil, como muitos acabam fazendo. Confesso que o perfil do Orkut anda meio empoeirado, precisando
de um trato, porque acabo passando ali de vez em quando para checar um scrap. O MSN então, mais abandonado ainda, nem entro, pois não consigo dar atenção para todo mundo. Ou vc consegue ficar tc com 4 ou mais janelas ao mesmo tempo? Bloquear é sacanagem, então não entro. Já fui até chamado de homem do século XX por causa disso.
Mas o que era uma tendência, restrita a um pequeno grupo, hoje virou mainstream. Twitter não é mais coisa de nerd ou de gente hype, mas de pessoas como Mano Menezes, José Serra, e o presidente do Palmeiras, o Belluzzo. Gente que eu seria incapaz de pensar em ser um viciado em internet está twittando. Então de onde viria a minha resistência? Quando se é adolescente, a mãe da gente fica igual uma sarna pra saber onde você está, o que está fazendo e com quem. Passei a vida inteira construindo uma vida independente em que não precisava fazer mais isso. E com o twitter? Não vou ter um só, mas vários ’seguidores’ acompanhando minha vida? Mas como vi numa entrevista com o Marcelo Tas, cada um se expõe o quanto quer e gente interessante sempre tem algo de bom a dizer, inclusive as empresas. Aí fui me convencendo. Mas tomar conta da vida real é complicado e já consome muito tempo, vou me consumir com a vida virtual? Administrar duas? O second life, em que ninguém mais nem fala e foi para o esquecimento da internet tal qual o ICQ, tinha esse conceito de você ter uma vida em paralelo à sua real. Mas é assim mesmo que funciona, ué… twitter, Orkut, MSN, facebook, blog (o meu também está abandonado) são meios em que você não é mais um só, você pode assumir diferentes facetas. O ano passado assisti a uma palestra de um antropólogo italiano chamado Massimo Canevacci. Naquela oportunidade, ele falava que as pessoas não se caracterizavam mais como indivíduos, seres únicos e indivisíveis, mas como multivíduos, seres múltiplos, de personalidades e faces diferentes assumidas conforme a hora e a conveniência, principalmente com as possibilidades que a internet traz. Tenho um amigo que na vida real é calado e tímido, mas, quando tecla, o cara é o demônio. Ele entra num bate-papo e vai atrás da mulherada, leva a vítima pro MSN e aí marca um encontro para jantar a ‘presa’. Diga que você também não conhece alguém assim. É fácil reconhecer um multivíduo.
Voltando a falar em twitter, ainda estou me adequando à casa e à linguagem, coisas como #, @fulanodetal, RT ainda não são muito familiares. Ouvi ainda que às vezes você passa a seguir alguém famoso que admira e se decepciona, porque o cara escreve mal, pensa coisas nada a ver e desfaz a imagem que você havia construído. Outra afirmação é que Twitter é feito para homem e Orkut é feito para mulher. Twitter é rápido, curto e direto ao ponto, 140 caracteres e chega, sem blábláblá. Orkut tem comunidade de amigos, discussão da relação, tem álbum de fotos, tem recadinho. Pensando bem, é verdade. Pensando de novo no Lenine, o verso “vai ver se eu to lá na esquina, devo estar” também nunca teve tanto sentido. Estamos mesmo aqui e lá na esquina, em qualquer uma, de qualquer lugar, de qualquer cidade, de qualquer país, basta entrar lá e me seguir (www.twitter.com/gustavogobbato). Mas já deu minha hora e eu não posso ficar. Tchau.



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Josué Brazil
É bom ver o CCVP de volta a ativa!!!Michelli
cadê?André Leone
Gostaria muito de um desafio. Como não atuo ainda 24hs do meu dia trabalhando, acaba sobrando um tempinho para freelances. Grato pela atençãomarushio
A Globo pelo jeito gostou da ação criada pela Molotov. http://globoesporte.globo.com/lutas/noticia/2012/01/ring-girls-brasileiras-chamam-atencao-eMarcosTeles
Caros, Gostei muito do logo. simples e direto


agosto 19th, 2009 as 9:18 am
Gustavo, como sempre ótimo post. Só discordo da visão do twitter para homem e orkut para mulher, acho que ela funcionaria senão fosse uma Rede Social. Na Exame passada , Kotler escreveu uma matéria dizendo por que se rendeu ao Twitter. Essas coisas de Social Media andam arrastando transformações na comunicação com a Internet e (vejo) que é difícil ainda para quem ainda é “aventureiro” de informática se adequar. Aí entram em discussões aquelas gerações X, Y ou Z. As empresas olham para as redes bem atentamente por que elas são como uma fazenda cheia de ovelhas para o “lobo mal” devorar. Só que como o mundo não é uma fábula as empresas tem que descobrir formas criativas de entrar sem agredir o espaço. tem que construir sua imagem, pedir licença, fazer acordos políticos com hubs sociais (etc). Acredito que não há nada mais socialista do que a internet. Seguem a gente quem quer e postamos o que quizer, só que erros e gafes podem ser eternizadas no youtube e mesmo nas retwitadas.
agosto 19th, 2009 as 7:02 pm
Muito bom o Post Gobatto.
Sou novo no twitter tb, com a mesmíssima resistência que tu.
São tantas novas ferramentas sociais que nos convidam a cada semana, que espero pra ver qual tem maior longevidade.
Estou gostando do twitter até o momento, pela velocidade de comunicação. E pelo fato que podemos seguir pessoas que admiramos, sem ter que ir até a página pessoal da pessoa. Basta acompanhar o que lhe aparece na tela.
A utilidade comercial? não sei ainda… Será q faz “boom” falar algo q vai aparecer com dezenas de outras infos ao mesmo tempo? Só testando e aferindo
agosto 19th, 2009 as 7:06 pm
Pois é…”se você quer me seguir, não é seguro” é ótimo! Perfect!
Eu li muito sobre Cibercultura esses dias e também tinha o Massimo Canevacci nas referências para estudar. Me encantei com o livro dele, A cidade polifônica, com um trecho disponível no Google Livros em: <http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=W0kP6DobUJYC&oi=fnd&pg=PA9&dq=massimo+canevacci&ots=2M31vNeFBg&sig=f1wGFVBPK0RvH0QjXzHFzYl-eSo#v=onepage&q=&f=false.. Li só um trecho, pois tinha muita coisa pra estudar, mas quero ler todo. Vale a pena.
Vê se para de falar que Orkut é coisa de menina! Menina pode ser prolixa, mas pode ser suscinta tb…tudo depende da ocasião! hahahaha
Seja muito bem vindo ao mundo dos 140 caracteres! Aliás, eu te cobrei tanto por isso, né? Me sinto sua madrinha de Twitter! hahaha
To seguindo seus passos, cada vez mais de perto, ou de longe, sei lá, enfim, virtualmente…”Tão longe, tão perto”, vai saber…Castells que o diga…o que é o virtual?
Grande beijo e parabéns pela coluna…tá “twittado” e “retwittado” o link =]
agosto 20th, 2009 as 10:48 am
Bem, foi graças á twitada da @LucimaraRett que cheguei aqui e pude ler seu artigo…
Também tive que dar muita satisfação da minha vida aos meus pais e meus tantos irmãos, mas acabei me acostumando e criando meu blog que, no princípio, há alguns anos, era pra ser um “siga-me, se quiser!”.
Nesse meu pouco tempo de twitter, maior do que a minha decepção com pessoas famosas e ou amigas que acabaram bloqueadas, foi a minha surpresa inicial com as minhas próprias publicações. Ora me percebia mau-humorada ou agressiva demais, ora ‘menininha’ demais, e em algumas horas nem entendia direito a diferença entre a intenção e a real sensação … Tudo bem que o que vai pro papel, digo, para a tela, são os acontecimentos mais interessantes, com mais emoção, mais expressão. E algumas vezes nem era para tanto… Mas até que estou me achando bastante interessante! hehe!
Vou pensar melhor no lance do Orkut-menina / Twitter-menino, porque migrei de um pra outro com muita facilidade!
E já ReTwittei pra que outros possam encontrar esse seu delicioso artigo.
agosto 20th, 2009 as 10:53 am
Nos meus tempos de BBS haviam tags automáticas que eram inseridas no rodapé de suas mensagens e uma delas dizia:
“Bão abro uma igreja porque tenho medo que me sigam”
O Twitter veio acabar com os custos da construção …
Este link pode ajudar alguns http://business.twitter.com
agosto 20th, 2009 as 11:07 am
A frase correta é “Não abro uma igreja porque tenho medo que me sigam”
agosto 24th, 2009 as 11:00 am
Falando de Twitter que tal a gente postar o nosso aqui pra galera que acompanha o CCVP começar a nos seguir.
http://twitter.com/1criativo
tá aí o meu.
agosto 24th, 2009 as 1:04 pm
Boa, Alexandre!
Taí o meu: http://twitter.com/LucimaraRett
=]
agosto 24th, 2009 as 5:12 pm
http://www.twitter.com/Adrianosoul
http://www.twitter.com/Anhanguera_comu
E meu facebook tbm naum podia fica de fora:
http://www.facebook.com/publicidade.adriano
Opa..esquecendo mais um ,meu humild e simples blog
http://www.ensaiocriativo.blogspot.com
Agora foi..rsrs
agosto 26th, 2009 as 5:41 pm
http://twitter.com/jair_jr
agosto 31st, 2010 as 7:03 pm
Olá, estava procurando outra coisa na net, daí apareceu esse texto, muito bom mesmo. Gustavo conseguiu traduzir em palavras aquilo que eu, e creio que muita gente, já sentia a algum tempo.
Realmente, pra mim tb é difícil digerir a fragilidade que a vida da gente pode ter quando se expõe muita coisa nossa na rede.
Quando quero falar com alguém mando e-mail e sms, NO MÁXIMO, e ainda funciona muito bem pra mim. Essa coisa EGÓLATRA de ficar se exibindo na rede já me rendeu problemas tb, saí e voltei pro ORKUT algumas vezes, mas na verdade estou ali para constar….
Tomei precauções de fazer um e-mail que nada tem haver com meu nome, para não ser achada facilmente, assim como na descrição do meu nome e não adiciono mais pessoas que mal conheço no ORKUT, somente no TWITTER, por pura questão de ter o contato da pessoa, caso eu precise. Orkut + p/ família e pessoas que gosto, o resto é o resto. Abçs!