CCVP, Clube de criação do Vale do Paraíba

Postado por Gustavo, às 6:00, em Criatividade, Criativo Crônico.

A gente podia falar hoje sobre rótulo de garrafa, de compota, de qualquer outro tipo de embalagem que você possa imaginar agora. Mas pense comigo quantas vezes ao dia fazemos outros tipos de rótulos para coisas e pessoas. A gente nem percebe que está fazendo e, pimba, lá foi mais um: “Isso é coisa de criança”, “Coisa de intelectual”, “Coisa de vagabundo, de quem não tem o que fazer”, “Que Baiano!”, “Isso é muito étnico”, “Ô Português”,”Isso é muito gay”, “Coisa de pobre”, “Isso é coisa de gente rica, de gente fresca”, “Programa de Índio”, “Coisa de bicho grilo”, “Papo de mulher” e por aí vai.  Quando falamos que não temos preconceitos, isso é a prática? É cultural?  A propaganda reforça isso? Dá uma olhada no mapa do Brasil sob a visão dos paulistanos que recebi por e-mail.

_paulistas

Na Internet achei mais esses aqui, de Gaúchos, Paranaenses e Catarinenses.

_gauchos

_paranaenses

_catarinenses

Eu queria era saber o mapa do Brasil de acordo com os Acreanos, mas vê esse mapa aqui ainda:

american-world

Os paradigmas, essas crenças, acabam por limitar não as outras pessoas, mas nós mesmos, na nossa forma de pensar, _somefuriade agir, e de criar. Enxergamos as coisas com filtro, com esse guia, tapando os olhos da gente para só seguirmos em um caminho. Igual a um cavalo que puxa uma charrete. Isso pode ser a resposta perfeita para não ousar, não só para fazer o que é conservador, mas também para encaixar tudo somente ao que é considerado ‘moderninho’. Encaixar as coisas à própria visão de mundo, tanto faz a forma, é a mesma atitude. Fico pensando na campanha do Teatro Municipal de “Som & Fúria”, em que a agência “Sapo Martelo”, cujo diretor era o personagem de Rodrigo Santoro, cria uma campanha absolutamente modernosa para a temporada de Shakespeare e é um fracasso. Tem produto que é conservador e precisa de comunicação conservadora, porque tem cliente que precisa disso. Gilberto Gil disse outro dia numa entrevista ao Lázaro Ramos, no Canal Brasil: “É preciso tratar as diferenças diferentemente”. Inteligente é saber falar com o CEO de uma multinacional ou com a tia da limpeza, na linguagem de cada um.

Pense na água. Dentro de um copo, dentro de uma jarra, dentro de uma xícara, dentro de uma caixa d´água, dentro de um cano, esparramada pelo chão, em forma de vapor, num cubo de gelo, não importa onde, ela se adapta onde precisa estar, mas nunca deixa de ser água. Você não deixa de ser você por usar uma linguagem do outro para se fazer entender e dizer o que você deseja. Temos que ser flexíveis para criar e fazer de tudo, sendo nós mesmos, numa boa, autênticos e ao mesmo tempo respeitando as diferenças de públicos e clientes.

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20 comentários sobre “Criativo Crônico - Rótulos”

  1. Luiz Carioca escreveu:

    ótimo texto e veio muito a calhar nos pensamentos que tenho tido nos últimos tempos.

    sempre ouvi na faculdade que publicitário não pode ter preconceito. talvez os professores digam isso como uma maneira de remediar um triste quadro. pra mim, o publicitário é um dos profissionais mais preconceituosos que existe (no geral), só perdendo pra arquitetos e médicos talvez.

    para o publicitário, a classe D não entende nada além do “É só amanhã”. Tudo bem que ele funciona muito bem, mas se quiser comunicar algo diferente, fique tranquilo, ela entenderá. como vc explica o sucesso dos racionais MC, com letras mais bem elaboradas do que as de Sandy e Jr, e quem sabe até mesmo de MPBzeiros como Jorge Versilo?

    outro preconceito é com o próprio rótulo de publicitário, que tem que vender a mãe, ser extremamente capitalista e nunca pensar no bem-estar coletivo. pelo menos é isso q se ouve nos happy-hours (não sei se estou indo nos errados). Carlito Maia, (http://www.carlitomaia.etc.br/home.html) um dos maiores publicitários brasileiros, não é tão falado porque ele era de esquerda. Ele contribuiu para revistas como a Caros Amigos e foi um dos fundadores do PT, aí vc diz: PT é tudo FDP (olha o preconceito aí de novo). lembre-se que o PT não nasceu ontem.

    No ramo, pensar em bem-estar antes do lucro é utopia, inocência ou ridículo, enquanto isso, vemos um monte de profissionais frustrados, agências com ambientes insalubres e com péssima qualidade de trabalho.

    muitos publicitários alimentam o pensamento pequeno burguês, que se acha acima dos demais, sem saber que o plano de saúde e o FGTS do peão de fábrica é muito melhor do que o dele. enquanto os publicitários não perderem o preconceito, não rasgarem o véu e se virem como pedreiros da comunicação, não vejo outra saída pro mercado.

  2. Felipe Balista escreveu:

    Concordo com você Luiz.

    E é muito triste essa visão de que “a classe D não entende nada além do “É só amanhã””.

    Existe demaaais isso, que acaba influenciando numa série incontável de fatores sociais.

    Abs.

  3. Jair escreveu:

    Achei um link bem legal pra ajudar na discussão:

    http://www.chmkt.com.br/2009/07/o-que-e-beleza-para-populacao-de-baixa.html

  4. Eduardo Costa escreveu:

    “É que narciso acha feio o que não é espeho”, já dizia Caetano Veloso há quase 40 anos atrás.

  5. Josué Brazil escreveu:

    Luiz

    Vc vai me desculpar, mas sempre acho que toda generalização, além de perigosa, normalmente é errada.
    Uma das maiores preocupações das agências hoje é justamente entender e se conectar com a classe D.
    As campanhas de varejo não são ruins porque se acredita que o público não absorverá coisas melhores… são ruins porque são feitas as pressas, sempre. O Justus disse em uma entrevista que a Y&R chegou a “criar” e produzir 66 comerciais em um mês para as Casas Bahia. E tem que ser assim porque varejo neste nível precisa de agilidade e velocidade. E aacredito que vem dando certo, ou os Klein devem adorar jogar dinheiro fora…
    E, do fundo do meu coração: sou um dos professores que repete que publicitário não deve ter preconceitos. Só que acredito fielmente nisso.

  6. Gustavo Gobbato escreveu:

    Josué, o segredo das Casas Bahia é a mídia. 1 bilhão de mídia é muita inserção. Chega a ter break com 3 inserções diferentes dos caras. É muito. Não é propaganda, é o cúmulo da insistência.
    ——
    De qualquer maneira, acho mesmo que temos o discurso de q publicitário não tem preconceitos, e deveria não ter, mas é o primeiro que julga alguém pelo exterior e se deixa levar por isso. Julgamos e condenamos ideías, coisas e pessoas, antes de conhecermos, pq achamos q já sabemos. Acho sim que temos papel inerente em tipificar tudo e todos. Este cara é assim, pensa assim, se veste assim, age assim, come assim, portanto ele é isso. Isso não é receita para acerto algum.

  7. Josué Brazil escreveu:

    Mas não somos só os publicitários que som os assim. Todos são. Sei que condenei a generalização lá em cima, mas aqui é diferente: é um componente do comportamento humano. É cultural. É difícil de ser rompido. Nossa sociedade é classificatória. No Brasil lidamos muito melhor com isso porque levamos tudo para o humor, para a leveza. Sabemos, como poucos povos, rir de nossas próprias mazelas.
    Dizer que só publicitário faz isso é uma grande bobagem. Me desculpem! Todos fazem.
    O que ocorre é que temos que trabalhar com a média, com o consumidor tipo, uma vez que fazemos, na maior parte das vezes, comunicação de massa. E até mesmo essa colocação que vcs estão fazendo é um rótulo: estão rotulando o publicitário.
    Por outro lado, o que vem ocorrendo é que boa parte dos jovens publicitários vem da classe média alta, desconectada da realidade das outras classes (C, D e E). Já ouvi essa queixa em relação aos formandos da ESPM, FAAP, GV e outras.
    Acho que estou descordando demais de todo mundo nos últimos dias. Como diria o Zé Maria: vc tá ficando velho, chato e repetitivo…

  8. apolo magno escreveu:

    Olá…
    Achei muito interessante o post, especialmente os mapas bizarros do imaginário popular.
    Traduziu perfeitamente o que muitos pensam mas não tem coragem de dizer(rsrrsrs)engraçado no mínimo… Espero que pelo menos faça alguém pensar.

    Já dizia Rosseau, a terra não pertence a ninguém… Logo as fronteiras, naciolidades, Países e estados(no sentido geográfico de ser)nada são que simples convenção humana, aprendida e repassada pelo Estado(que nos faz crer que isso é realmente verdade)logo todas esta particularização de nossos valores nada tem em sí além do que simples elemento desagregador de nós mesmos.
    Se num sentido valorizamos nossa cultura e costumes, por outro lado praticamos ostracismo quando esquecemos que não estamos sozinhos e que por sinal navegamos no mesmo barco… seja este barco o nosso estado, o nosso país ou mesmo todo este planeta azul.
    Se somos todos seres humanos, irmãos de uma só sociedade, plural e multiforme, de mil e uns trejeitos e peculiridades, as fronteiras econõmica e política que riscam o globo acabam por não tão prejudiciais quanto aquela velha e caducosa que carregamos em nossa mente.

  9. Felipe Balista escreveu:

    Acho que o ponto que o Josué quer chegar quando diz que “publicitário não deve ter preconceitos”, é que “nós” não devemos ter preconceito quando formos estudar algo que a princpio não nos agrada, ou não condiz com nossos costumes… Não se fechar para algo que temos um pré conceito.

    não?

  10. Josué Brazil escreveu:

    SIM!!!!

  11. Gustavo Gobbato escreveu:

    O fato de que não devemos ter preconceito quando formos estudar algo que a princpio não nos agrada é a mais pura verdade. O problema é que na prática isso não acontece. Minha intenção é levantar uma lebre para que a gente perceba o quanto isto está a nosso redor e procuro refletir aqui e alertar sobre esse papel. Ok, as outras profissões não deveriam fazer isso tb, mas a nossa em especial fala uma coisa, faz outra e ainda passa esse comportamento adiante. É como escrevi, encaixar as coisas à própria visão de mundo: o meu é que é in, o do outro é out.

  12. Josué Brazil escreveu:

    Mas, Gustavo… isso já não funciona mais…acho que nunca funcionou. não adianta eu empurrar um modo de ver as coisas: o público não se identifica! E agora com internet, informação a rodo, liberdade de imprensa e organização civil é que a coisa mudou de vez. O poder está totalmente na mão do consumidor, não mais na mão da propaganda ou do marketing.
    E, repito, apesar do comentário contrário às generalizações, que todos somos preconceituosos. E vemos muitas campanhas que rompem com estereótipos e são excelentes (vale lembrar o filme do novo Ford Fusion). Poderíamos fazer mais? Sem dúvida!

  13. Luiz Carioca escreveu:

    Josué, concordo plenamente q publicitário não deve ter preconceitos, alguns não tem, mas a maioria tem, não é generalização, é observação do meio em que vivo há 10 anos.

    certa vez uma atendimento chegou pra mim e disse, essa campanha tem q ser bem simples viu, é pra classe C, senão eles não entendem. Eu respondi, ah é? putz, eu sou classe C.

    Essa cena se repete muito, mais do que deveria. Agora, já encontrei muitos publicitários que não carregam esse preconceito, pois eles têm consciência de que são profissionais, não podem trabalhar em cima de generalizações. Infelizmente esses publicitários formam uns 15% de tods que conheço.

  14. Jair escreveu:

    Oi Luiz, temos um CLIENTE que vive pedindo isso pra gente. Ele às vezes fala: baixem a bola, nem minhas vendedoras vão entender. É f***.
    Mas baixar a bola não quer dizer que tem que ser feio e mal-feito, tipo Dolly Guaraná.
    Em termos de varejo Casas Bahia até passa, o pior é Magazine Luiza.
    Vivemos outros tempos (e já faz tempo), usar a sueca do stock photo não adianta mais, o público não se vê representado pela marca.
    Vcs já viram a pegada da Caixa? Tem gente parda, de cabelo castanho e cacheado na propaganda. E o filme deve ter sido criado por pessoas que tomam vinho de R$50 a garrafa.

  15. Josué Brazil escreveu:

    Luiz

    isso não é preconceito… é ignorância, má formação e baixa informação. Infelizmente, nossa profissão está cheio de medíocres. E os geniais, os bons, são vistos como arrogantes e metidos…
    O mesmo eu vejo em sala de aula. Tem aluno que esconde nota boa em prova difícil para que o resto da sala não “caia matendo”.
    Temos é que melhorar o nível das pessoas!

  16. Luiz Carioca escreveu:

    a Caixa é um puta bom exemplo de propaganda popular e de bom gosto.

  17. TATO COCHI escreveu:

    Comentando somente sobre os mapas…

    ahahahahahahah… que preconceito!
    Acre e Espírito Santo só se ferraram ahahahahaha

    Mas foi ótimo

  18. Guilherme Maia escreveu:

    Josué, você quis dizer “para que o resto da sala não caia matando” ou “não caia metendo”?

  19. TATO COCHI escreveu:

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  20. Josué Brazil escreveu:

    matando… rsrsrs…


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