
Se precisávamos de um marco para dizer que o século XX realmente terminou, foi a última quinta-feira, sem dúvida. Numa das diversas edições de biografia rápida de Michael Jackson exibidas na TV, ele cumprimentava a Princesa Diana e aparecia ao lado de Ronald e Nancy Reagan, então presidente e primeira-dama dos EUA (foto). Tudo aquilo pareceu tão distante, passado, virou História definitivamente. Michael lembra discos de vinil, e não o CD, muito menos mp3. Nem mesmo todo o revival dos 80´s foi capaz de atualizá-lo. Quando a gente estuda ‘ciclo de vida do produto’, entende que ele é uma espiral que precisa ser contínua, dependendo de esforços de mkt para que continue existindo, com a necessidade de reinvenções constantes. Mas será que a Propaganda Brasileira e a da nossa região também conseguem se reinventar ou ainda estamos no século XX como Michael?
Logo no ano de Dois Mil e 9, a DM9 foi Agency of the Year, a mai
s premiada em Cannes. Almap, com Ouro em Film, teve o mesmo número de prêmios, mas o desempate foi nas Pratas. Excelente resultado. Não imaginava que pudesse ser tão expressivo. Fiquei feliz com dois trabalhos premiados em Mídia. Este de Itaú da DM9 e o Ouro para Lew,Lara TBWA com “Be the news”, de Nissan. Um case em que o Estadão foi coberto com uma sobrecapa branca e você votava pela internet nas notícias ideais, do futuro, que gostaria de ver impressas. Obama também foi outra barbada com dois Grand Prix, Titanium e Integrated. Aí é onde quero chegar. No Titanium não chegamos ao shortlist. Não vemos aqui ainda uma estratégia como a da campanha de Obama realmente integrada e compreendendo tão bem que o sucesso dela não se dá por usar só os meios digitais ou os meios tradicionais, mas por não ver a distinção entre eles, porque as pessoas normais também não veem assim. Do espaço na TV ao advergame, do twitter ao mero cartaz impresso, todos são importantes em seus papéis e atuam cooperados. Por falar em cartaz, parece obsoleto também, né? Mas justamente o cartaz vermelho e azul com o rosto de Obama se tornará um ícone histórico tão conhecido quanto o Tio Sam apontando para você. 

Aí fico juntando várias coisas que me passam à cabeça como se fossem ‘recortes do dia-a-dia’ (não sei se vc tb faz isso, ou se é loucura minha só) como Caetano em ‘Fora da Ordem’, “Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína” ou Cazuza em ‘o Tempo não para’, “Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades” com outros pedaços de reuniões e papos. Conversava outro dia com um amigo que dizia ‘não adianta, o mercado é ao mesmo tempo feroz e muito conservador’. Ou ainda outro dia em que estava numa reunião na qual me senti mal, porque uma das pessoas à mesa não compreendia que os tempos mudaram. Não é à toa que surgem boatos sobre fechamento de agências. Como pode um mercado que prega a inovação e o valor das idéias ser tão apegado a um modelo de negócio e às soluções de sempre? Isso não deveria acontecer. Eu reclamo indignado que quando fazemos as coisas para nós mesmos, publicitários, esquecemos tudo o que pregamos e no que acreditamos piamente e fazemos igualzinho ao cliente mais medroso. A ousadia e o risco fazem parte do ‘criar’, especialmente para termos idéias e soluções, mas também para oxigenar a forma de nos relacionarmos com clientes e cuidarmos de suas marcas, para rever como as agências se estruturam internamente e como administram suas finanças, pela ética que nunca deve ser colocada de lado e de, é claro, fazer com que nosso próprio mercado se renove e entenda que o século XX precisa terminar.
Ok, mas para acabar mesmo ainda falta o Sarney.
PS: deixo aqui meu abraço ao Zeca, leitor assíduo da coluna.



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Josué Brazil
É bom ver o CCVP de volta a ativa!!!Michelli
cadê?André Leone
Gostaria muito de um desafio. Como não atuo ainda 24hs do meu dia trabalhando, acaba sobrando um tempinho para freelances. Grato pela atençãomarushio
A Globo pelo jeito gostou da ação criada pela Molotov. http://globoesporte.globo.com/lutas/noticia/2012/01/ring-girls-brasileiras-chamam-atencao-eMarcosTeles
Caros, Gostei muito do logo. simples e direto


junho 30th, 2009 as 10:05 am
Ótimo texto, bem bacana.
Mas se me permite somente uma correção, o trabalho de mídia, feito para o Itaú que levou bronze em Cannes, foi feito pela agência ÁFRICA e não pela DM9.
Abraços e Parabéns.
junho 30th, 2009 as 11:08 am
Acho que dificilmente vamos ficar head to head com o que vem sendo feito hj no mundo. Dá pra mudar a cabeça de uns 3 clientes mas não dá pra mudar a cabeça do mercado, pelo menos a curto prazo. Hoje somos fazedores de anúncios de revista, qdo agências de todo mundo estão buscando estratégias que fogem da mídia convencional. Há 10/15 anos éramos fazedores de folheto, qdo a onda era estar na TV e na Veja. Estamos sempre atrás. Internet então… nem se fala. O cliente não entendeu ainda que, no mínimo, precisa ter alguém que saiba português pra responder e-mails. Hj com Blog e Twitter de graça já é difícil convencer um cliente a fazer algo diferenciado. Há algum tempo recebí a visita de uma empresa com uma proposta de midia diferenciada em internet, meu visitante disse que em Campinas era muito requisitado, aqui ele mal conseguiu marcar uma reunião com as agências. Pessimismo? Não, realismo. No Vale tem que ser no choque. Enquanto um cliente não faz algo diferente o concorrente não vai atrás. Cabe a nós dar o start.
junho 30th, 2009 as 3:26 pm
Muito bem dito Jair.
Muitas vezes o que falta são “culhões” pra fazer as coisas realmente mudarem. Não é simples assim, eu sei, mas tem que começar por algum lugar.
junho 30th, 2009 as 4:58 pm
O texto, mais uma vez, é fabuloso!
E eu tive tantas lembranças - nem todas muito boas - ao ver, ouvir e ler as notícias da morte de Michael Jackson… vários flashs espocando na cabeça… acho que é o mesmo que vc experimentou Gustavo.
Lembro-me que uma vez fui convidado a falar em nome do curso de PP da Unitau num evento da Rede Difusora, em Taubaté, e usei a seguinte frase para tentar explicar as mudanças: “O futuro não é mais como era antigamente”(Renato Russo). Boa parte das pessoas ainda não se deu conta disso.
Ao mesmo tempo acrdeito que este estado de coisas se deve muito mais a um problema de formação (educacional mesmo) ddo que a qualquer outra coisa. As pessoas, sejam elas clientes, agência e/ou fornecedores tendem a ficas “na superfície”e pegar o que está mais a mão, mais fácil! Mais imediato… não temos a tradição de pensar, de nalisar e de refletir. Achamos que O BACANA É FAZER. Ma minha aula de sábado passado na pós insisti neste ponto.
Se alguém ouviu, entendeu e vai tentar aplicar… aí já é outra coisa.
Ahhh… meu amigo Gustavo: as vezes é extremamente necessário PEGAR PESADO… entendeu???!!!
julho 6th, 2009 as 7:46 pm
Jair,
Sabe que eu sempre tive esta impressão:
“Hoje somos fazedores de anúncios de revista, qdo agências de todo mundo estão buscando estratégias que fogem da mídia convencional. Há 10/15 anos éramos fazedores de folheto, qdo a onda era estar na TV e na Veja. Estamos sempre atrás.”
Vira e mexe me pego pensando nisso. Algumas coisas que eu vejo hoje são positivas, mas seria melhor que tivessem acontecido há alguns anos atrás.
E o pior é que pensamos que o problema é sempre com a gente.
Risos …