CCVP, Clube de criação do Vale do Paraíba

Postado por Luiz Carioca, às 7:30, em artigos.

Segundo ano de faculdade, após um breve estágio numa agência, eu havia decidido que seria redator. Eu estava trabalhando numa locadora de vídeo de dia e fazendo faculdade de Publicidade e Propaganda à noite. Foi quando na Semana da Comunicação da faculdade surgiu uma oportunidade de mostrar meu potencial criativo.

Estavam abertas as inscrições para um concurso de slogan. O cliente, um curso de inglês. O prêmio, um curso de inglês. Me dediquei, fiz inscrição, escrevi vários slogans, mostrei pra amigos e parentes e enviei o escolhido. Eu estava realmente confiante.

No dia da divulgação do vencedor, um amigo decidiu apostar comigo umas cervejas. Depois de alguma espera, sobe ao palco do auditório a mulher que anunciaria o vencedor. Ela fez um discurso bacana e de repente começou a falar inglês. Eu não entendia quase nada. Foi então, que no meio de um monte de palavras desconhecidas eu ouvi um sonoro Luiz Henrique. Era eu mesmo. Ganhei o concurso de slogans e as cervejas, nada poderia estragar aquela noite.

Fui em direção ao palco sob os gritos dos amigos na platéia. Subi no palco e olhei o auditório, estava lotado. Algumas fotos, pego o envelope das mãos da mulher que anunciou meu nome. Ela me direcionou pro microfone. Todos estavam em silêncio, esperando a minha vez de falar.  Abro o envelope e começo a ler com os olhos. Meu nome estava lá, bem no topo. Continuei lendo e não vi meu slogan. Comecei a gelar.

No meio do envelope havia uma frase, pra mim estranha, que parecia um slogan. Mas eu jamais havia escrito aquilo. A mulher olha pra mim e diz: “pode ler o seu slogan”. Meu slogan? Mas onde ele está? Pensei comigo. Agora eu estava frio como uma pedra de gelo. Minha boca não me respondia. A mulher insistiu: “pode ler o seu slogan”. Se não fosse o pânico, seria fácil dizer: “mas este não é o meu”. Logo eu, que falava pelos cotovelos, não conseguia falar uma simples frase.

Meio impaciente, ela faz uma piada: “ele deve estar precisando de óculos”. Todos riram, agora, nem meu pescoço mexia mais. Os oradores do evento, amigos de faculdade, se propuseram a ler pra mim, perguntaram se eu precisava de ajuda. Mas eu não conseguia falar nem que sim, nem que não. Não conseguia nem mexer a cabeça direito.

Só quando o público ficou em silêncio pela segunda vez e a mulher perdeu a paciência de vez e soltou um: “lê logo o seu slogan”, que eu consegui falar algo. Respirei e li o slogan. Não sabia de onde ele tinha vindo, mas percebi que só o lendo eu poderia sair dali, foi o que fiz. Enquato todos aplaudiam, eu sai rapidinho dali. Recebia os parabéns dos amigos e continuava andando. Chamei meu amigo da aposta e falei: “preciso de uma cerveja”.

No bar, na esquina da faculdade, enquanto eu explicava pro meu amigo que aquele slogan não era meu, chegaram novas notícias. Enquanto eu corria, o dono do slogan, que estava no meio da platéia, protestou para esclarecer a confusão. Fiquei sabendo que o meu slogan e o dele haviam sido escolhidos como finalistas e foram encaminhados para o cliente. Pelo jeito, misturaram tudo, escolheram o meu nome e o slogan dele. Mas no fim, tudo acabou bem, o cliente e a faculdade resolveram premiar os dois.

Hoje, todos que ouvem essa história me perguntam: “mas porque você não falou que não era o seu slogan?” ou então, sugerem com outras mil soluções imagináveis. Até hoje não sei porque fiquei mudo. Mas uma lição que aprendi pro resto da vida é que, em situações como essa, a gente só sabe o que vai fazer, quando se está ali, sentindo na pele. Aprendi que é muito mais fácil falar depois, do que agir na hora. E aprendi também que a cada premiação, ganhando ou perdendo, a gente sai mais forte.

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8 comentários sobre “Prêmios, a gente sempre aprende com eles”

  1. Josué Brazil escreveu:

    Belo texto, Luiz.
    E essa é a riqueza de se passar por um curso superior e que, muitas vezes, também só se tem idéia da importância depois que ele já passou…

  2. Matheus Nerosky escreveu:

    Luiz, lembro da indigesta cerveja como se fosse ontem. To rindo muito. Ótimo texto, mesmo!

  3. Luiz Carioca escreveu:

    Putz, até hj conto essa história. Tudo bem que no bar ela fica muito mais engraçada…rs. Mas acho q fui feliz no texto. obrigado.

    Taí uma das maiores lições q aprendi na vida. Qdo vejo alguém agindo estranho numa situação de aperto, sempre penso 5 vezes antes de criticar.

    Como sempre digo, se falar o que se pensa numa hora de aperto fosse tão fácil, discursos cheios de verdades, bonitos e inflamados não fariam tanto sucesso no final dos filmes de hollywood…rs. Vai ver algum roteirista passou por isso e sempre insere nos filmes.

  4. Marcos Teles escreveu:

    putz, cara, eu lembro dessa.
    Tirou do armário hein!

  5. Josué Brazil escreveu:

    Onde eu estava que não vi essa cena???

  6. Luiz Carioca escreveu:

    Josué, a única professora que lembro de ter cumprimentado foi a Evelin, sai rapidinho do auditório, passei direto por todos….rs

  7. Josué Brazil escreveu:

    Na época, provavelmente, a Evelin era a coordwenadora e não eu. Talvez isso explique o fato de eu não ter visto tal cena…rsrsrs…
    mas é uma daquelas pequenas e deliciosas histórias que lembramos e contamos pela vida toda!

  8. Everton Vianna escreveu:

    Hehehehe que situação q te colocaram heim? Eu tbm acho que ficaria sem ação. Que bom que acabou tudo bem!


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