
Os artistas da Renascença faziam de tudo. Física, Matemática, Astronomia, Pintura… a lista é longa. Osny Guarnieri era assim também. Fazia de tudo. Era publicitário, jornalista, fotógrafo, era formado em Direito, lutava pelos museus, escrevia a coluna com sua maledetta Nonna, amava Quiririm, foi autor de livros como ‘Propaganda no Agribusiness’, era contador de piadas e causos, se metia na política, era professor do Depto. de Comunicação Social da Unitau e era fundador dele. Acho que tinha muito mais atividades que eu nem devo fazer lá muita idéia. Era um personagem. Prof. Osny veio a falecer nesta semana. Li no jornal e senti vontade de colocar algumas palavras, apesar de ser diretor de arte, sobre essa figura que conheci e que hoje dá nome ao prédio da Comunicação, uma homenagem que recebeu em vida. Se nós, alunos e ex-alunos da Unitau, estamos aqui, esse homem tem culpa no cartório.
Sempre que o prof. Osny me encontrava já me chamava lá de longe: “Meu criatiiiiiiivo!!!!” E lá íamos discutir os caminhos da propaganda e falávamos de tudo que andava acontecendo por esse mundo de que tanto a gente gosta: “Viu aquela campanha? Que sacada!” Ele sempre dizia que aquelas pérolas eram fruto de muito trabalho: “Meu criativo, a propaganda não foi feita para homens preguiçosos”. Me lembro que uma vez o tirei num amigo secreto. E ele também me tirou, mas nossa amizade não era lá muito secreta mesmo. Ele sempre me convidava pra ir a Quiririm tomar uma cachacinha e provar uma codorninha. Mas a vida dá voltas e a codorninha sempre ficava pra depois e acabamos perdendo contato. Fiquei sabendo que realmente não estava bem de saúde. A última vez em que o vi foi numa padaria no início de 2007. Mais um papo de propaganda, é claro.
Quem foi aluno da Comunicação pode até nem ter tido aula com ele, mas deve se lembrar de suas impagáveis aparições aos finais de palestras no Departamento. Sempre com o mesmo ritual. Ele tomava o microfone, falava uns elogios ao palestrante, quase sempre alguém de agência de São Paulo, e oferecia um pequeno ‘mimo’: um galinho feito pelas figureiras de Taubaté. Entregava o presente e falava de novo. Agora de que o presenteado era parte de um seleto rol. De Ehr Ray a Lula Vieira, todos faziam companhia a Nizan Guanaes, que fazia questão de ter uma peça daquela em sua mesa. Com certeza, o território de maior conquista para um galinho de Taubaté, um troféu peso-pluma diante de tantos Cannes Lions peso-pesado. Um lugar onde galinho nenhum jamais esteve. E descia do palco, feliz e satisfeito. O galo, como a gente sabe, é o símbolo da propaganda, uma paixão desse senhor de sangue italiano como o dos homens da Renascença. Espero que a paixão que tinha pela propaganda renasça dentro de cada um de nós. Sem dúvida, esse seria seu maior legado.
por Gustavo Gobbato.