Artigos do mês de janeiro, 2008

Árvores somos nozes, bicho.

quinta-feira, janeiro 31st, 2008

Autopromoção: 10 dicas de Luli Radfahrer

sexta-feira, janeiro 25th, 2008

Retirado do blog DWD:3

Escrito por Luli Radfahrer


1. Ofereça consultoria gratuita - as pessoas só são capazes de reconhecer o valor das coisas que lhes são familiares. Para quem não é um Gourmet, o preço de um bife Kobe sempre será abusivo. Como não há uma educação formal em design, comunicação visual e interfaces digitais, muitas vezes o seu cliente não faz idéia do trabalho que dá aquilo que ele pede - e a hora do aperto não é um bom momento de discutir, pois vai parecer desculpa esfarrapada. Para evitar isso, você pode recorrer a uma iniciativa muito mais simpática: marque reuniões e seminários educativos com seus clientes (reais ou potenciais) e, neles, explique, de uma forma bastante simples, clara e objetiva, seu processo de trabalho e, nele, o trabalho envolvido em cada tarefa, das mais simples às catastróficas.


2. Seja confiável - não apavore seu cliente. Cuidado com o que você fala, com a forma com que se apresenta, e, principalmente, com preços e prazos. Uma iniciativa em comunicação serve para construir uma imagem, por isso depende muito da confiança de ambas as partes. Se ele não sentir que pode colocar sua marca (vale relembrar que ela é o bem mais precioso de uma empresa) nas suas mãos, certamente não o fará. E só o chamará para trabalhos que não recheiam o bolso nem o portfólio.


3. Colabore - com o cliente, com seus colegas, com a concorrência, com profissionais de áreas relacionadas. Aquele fotógrafo precisa de um site? Faça na camaradagem, seja solidário. Se você pretende atuar por muito tempo na sua área, saiba que quanto mais amigos tiver, melhor será seu ambiente de trabalho e a qualidade das coisas que você fará. Isso sem contar a possibilidade de algum colega dar uma boa ajuda ou até arranjar algum cliente pra você, só porque você lhe deu um apoio descompromissado há tanto tempo que nem se lembra.


4. Seja coerente - não importa se esta ou aquela tendência de mercado são verdadeiras minas de ouro. Se você tem uma pizzaria, não pode vender sushi, hambúrguer ou churrasco. Seus potenciais clientes precisam saber claramente o que você faz, e em que coisas você simplesmente “é o cara”, o maior expert no assunto. Por isso seu discurso precisa ser claro e objetivo. Se o cliente precisa que você faça algo simples, muito bem pago, em uma área que você não domina, lembre-se do item anterior. E JAMAIS cobre comissão de seus colegas. É feio e eles não costumam esquecer, por mais zen que sejam.


5. Tenha paciência - se você não é o tipo que acredita em regimes ou programas de ginástica milagreiros, por que iria acreditar em uma carreira fulminante ou em fórmulas de enriquecimento instantâneo? Mesmo que você acredite em fórmulas mágicas, fica a dica: quem sobe rápido precisa fazer um belo esforço para não despencar ainda mais depressa. Se você pretende se aposentar na área em que trabalha, tenha em mente que provavelmente terá uns 60 anos de carreira. Não faz o menor sentido chegar ao topo nos primeiros três anos. Nem nos primeiros vinte. Eu ainda estou longe de chegar na metade da minha, veja você.


6. Não se venda barato - não acredite na conversa de clientes espertos que peçam trabalhos “em parceria”, “no risco”, “como parte de uma concorrência” ou qualquer outro eufemismo para que você trabalhe de graça. A servidão voluntária só dá frutos em filosofia. Se o cliente é sério, ele paga. Se não paga, é porque não dá valor. Se você acha que, ao emplacar alguns jobs subfaturados só pra “entrar lá”, vai atrair a simpatia do cliente, tenha consciência que você age como aqueles sujeitos carentes que fazem qualquer coisa por um fiapo de atenção. E que provavelmente vai se dar tão bem quanto eles.


7. Saiba administrar seu negócio - por mais que você não goste de administração financeira ou contabilidade, saiba que vai precisar ter uma noção, mesmo que pequena, desses assuntos. Senão você jamais saberá se está ganhando dinheiro com seu trabalho. Uma consulta a um advogado também pode ajudar a poupar dores de cabeça com clientes e fornecedores. Acima de qualquer coisa, lembre-se que o principal patrimônio do seu negócio é a sua imagem. Ter inimigos é prejuízo, por isso eles precisam ser poucos (e merecerem). Um cliente que não dê muito dinheiro mas considere você a reencarnação de Sua Santidade o Dalai Lama, sob esse ponto de vista, é extremamente valioso. Não é nem preciso dizer como podem sair caras algumas bobagens ditas por você (ou pior, atribuídas a você) nas vielas escuras do Orkut, não?


8. Seja controverso - essa dica só vale para quem tem um grau razoável de conhecimento em sua área de trabalho. Sempre que possível, e sem exagero, manifeste opiniões que destoem do senso comum. Identifique uma ou outra vantagem no Windows Vista, mostre como o iPhone não é bom para se digitar textos longos… Sempre com argumentos sensatos e desprovidos de emoção. Mas cuidado para não servir de vidraça, defendendo coisas como o SecondLife. Se seu ponto de vista for sólido a ponto de fazer com que sua audiência pense no assunto, isso será uma boa promoção. Mas essa dica é controversa (como não sê-lo?), pois o tiro pode sair pela culatra.


9. Conheça suas fraquezas - todo mundo as têm. Você é um cara de grandes idéias mas tem problemas em viabilizá-las? Ou é um grande ilustrador, mas pisa na chapinha cada vez que precisa desenvolver algo novo? Você toca seus projetos com precisão, mas escorrega nos prazos? Ou cobra mal? Sabe tudo de CSS mas não consegue escolher uma combinação decente de cores? Isso acontece. É melhor perceber suas falhas e, enquanto procura melhorá-las, se associar a alguém - ou até mesmo evitar determinados trabalhos. Mas para identificar suas fraquezas (veja bem, eu não disse forças) é preciso uma boa dose de humildade e autocrítica. Mesmo que seja devastador para a auto-estima, esse processo costuma levar a um melhor conhecimento de sua área de atuação e seu espaço no mercado. E certamente livra você do mico de ser um daqueles imbecis autocentrados que acreditam só ter qualidades.


10. Seja o melhor que você puder - por último, a mais importante de todas as recomendações. Esforce-se para se superar a cada instante, alegre-se se seus trabalhos feitos há 5 anos parecerem primários, estude e procure melhorar sempre. Você é seu maior adversário nessa corrida. E ela não tem fim.

Faça o que você gosta

segunda-feira, janeiro 21st, 2008

Há mais ou menos 8 anos atrás eu decidi fazer o que eu gostava. Fiquei entre uma vaga numa grande empresa, num departamento burocrático de comunicação e uma carreira em agências de publicidade. Escolhi trabalhar em criação, em agências de publicidade, eu iria fazer o que eu gostava. Criar, redigir, gravar VTs, spots, jingles, etc.




O tempo foi passando e fui mudando de agências, mas sempre na criação. Um dos motivos que me levava a mudar de agência quase sempre era o salário. Era uma forma de se obter aumento. Evolui bastante, aprendi muito, estudei pra caralho e hoje sou um redator pleno. Com experiência nas mais diversas mídias, desde tablóides, passando por VT’s, jingles, indo até webwritting e SEO. Sei que não cheguei no topo de nada, nem sei se esse topo existe. Seria medido por prêmios, dinheiro, fama? Qual seria a sua medida justa para se medir o topo? Mas voltando ao assunto, dentro da profissão que escolhi, estou apto a fazer de tudo.




E nessa, se passaram 8 anos. Hoje, eu tenho 2 filhos, e o que gosto de fazer é me divertir com eles. Viajar, meter a mão na areia, sentar no chão pra comer, entre outras mil coisas que esquecemos o quanto é bom, enquanto o tempo passa e a gente cresce. Só que atualmente, o salário de um redator pleno (pelo menos o praticado pela maioria das agências do interior) não permite que eu faça o que eu goste. Não dá para se ter uma família com esses salários praticados. Meus irmãos falam da minha tatuagem, mas hoje acredito que meus 2 filhos sejam maior empecilho pro empregador do que a tatuagem que nem mesmo fica à vista. É desumano pensar assim, mas muitos donos de agência pensam. Talvez porque quem é pai, sabe o que é bom e tende a lutar pela família.




Então, o maior conselho que posso dar hoje para quem está começando, é realmente pensar no que gosta. Pensar que isso pode ser relativo. Que muda com o tempo. Que trabalhar na criação pode se tornar uma rotina. E dependendo da agência, essa rotina e os seus títulos serão controlados por clientes que você só conhece por telefone. Mas é claro, isso tudo pode valer a pena, escolha bem as agências em que você trabalha. Cuidado com anúncios de estágio que procuram profissionais especializados, com conhecimento avançado em diversos softwares, isso quase sempre significa fria. Não vai ter ninguém pra te ensinar, vão te cobrar como profissional e pagar como estudante. Na minha opinião, o interessante é que o estagiário tenha boas idéias, bom gosto e caráter, software todo mundo aprende. Lute por salários melhores, normalmente, as agências podem pagar, mas nunca dirão isso de primeira. E, finalmente, não deixe ninguém atrapalhe ou impeça que você faça o que você gosta.

JWT na mira dos comentários

quinta-feira, janeiro 17th, 2008

Uns podem achar que é inveja dos que não trabalham na JWT. Outros que realmente a JWT vem metendo o pé na jaca. Eu, particularmente acho que isso é um reflexo da crise na propaganda brasileira. São diversos motivos que levam a isso na minha opinião, mas não vem ao caso agora.


O que quero mostrar é que depois do vídeo postado abaixo, começou uma discussão boa nos comentários do CCSP dessa notícia. Entre alguns deles eu destaco:


fabio noronha - Vai trabalhar e sai do youtube!


Herbert - Pô, podia pelo menos ter ficado engraçado como a “referência”.


Candy - Inveja mata. Alguém gostaria de ter se inspirado antes.


Sabrina - Eu achei irado!!! Esta referência “Bollywood” está super em alta!!! Parabéns JWT




E tem também um, que na minha opinião foi fatal:


Re - vcs lembram daquele outro ‘case’ de halls da jwt? leiam aqui. os caras estao se especializando


Veja os vídeos do ‘case’ de halls da JWT

Chupada - Coca-cola Clothing

segunda-feira, janeiro 14th, 2008

Coca-Cola Clothing é resultado do licenciamento da marca Coca-Cola à AMC Têxtil, criada há quatro anos. Veja o vídeo criado pela JWT do Brasil, depois veja abaixo o vídeo referência, original, a fonte, o copiado, chupado, ou chame do que você quiser. Clique aqui para ver mais sobre a nova campanha da Coca-cola Clothing no CCSP.

## Um próspero 2008 [para a Ivete, para o Nizan e para o Justus] ##

segunda-feira, janeiro 7th, 2008

blog_02_01_nizan_justus_ivete.gif

Retirado do Blog de Guerrilha

 

É longo, mas vale muito a pena ler. Muito mesmo.

 

A última edição do ano do jornal Estado de S. Paulo discutiu os desafios do mercado publicitário em 2008. A matéria afirma que “a publicidade brasileira atravessa um dos períodos de maior transformação da sua história. Estão ocorrendo mudanças profundas no modelo de negócios, no mercado de consumo, no modo como as pessoas se comunicam e na relação das agências brasileiras com os grandes grupos internacionais”.

 

Para endossar esta tese e apontar o caminho a ser seguido, o jornal entrevistou os dois principais executivos do mercado, Nizan Guanaes e Roberto Justus, presidentes respectivmente do Grupo ABC, maior conglomerado nacional com 13 agências e mil funcionários, e do grupo Newcomm, com 7 empresas e controlador da maior agência brasileira em faturamento (boa parte em função de ter a conta do maior anunciante do Brasil, as Casas Bahia).

 

A matéria de uma página foi dividida ao meio entre os 2 tycoons _ Guanaes diz querer ser a Vale do Rio Doce da publicidade brasileira e Justus se compara ao criador da Virgin, Richard Branson, um grupo com mais de 300 negócios _ mas traz apenas uma tendência para o mercado de comunicação e mídia.

 

O que seria uma visão de futuro digna de dois executivos deste porte, com pretensões gigantes para seus negócios?

 

Uma parceria com o Google para vender geladeira dentro do Orkut para os seus 50 milhões de membros?

Uma rede de blogs segmentada e com uma audiência total maior que horário nobre da Rede Globo?

Product placement em filmes e games com distribuição dos CDs grátis via camelô no estilo Tropa de Elite?

Uma parceria com uma operadora de celular nos moldes da CBS Mobile para falar com 100 milhões de celulares?

Um novo modelo de negócio baseado em valor e não em BV?

 

Nada disso. A tendência apontada pelos gênios da comunicação nacional é que as agências que faturam muito com o modelo “quanto mais o cliente gasta, mais a agência ganha” vão continuar defendendo este modelo no ano que vem, no outro ano também e enquanto puderem e os clientes aceitarem.

 

O interessante é que para justificar este mesmo modelo, os dois executivos usam teses completamente opostas.

 

O dono da “Vale da propaganda” se apoia no discurso nacionalista do país continente, que não precisa se dobrar ao dumping internacional, como ele chama os alinhamentos de conta. Para Nizan, este modelo que vem de fora é injusto para as agências brasileiras, pois “fraciona, estabelece os birôs de mídia, acaba com a BV, estabelece hot shops. O que acontece nesse cenário?” Sobra muito pouco dinheiro para as agências do Nizan, que diz ser “natural, dentro da dinâmica do capitalismo, que cada player defenda seus interesses. Devemos fazer em condições iguais e defender a nossa lógica”.

 

“Sir Richard Justus”, por ser associado a um dos 4 grandes grupos internacionais e, ao mesmo tempo, ser a agência do maior anunciante brasileiro, que vende para o povão, tem um discurso complemente diferente. Resumindo, para Justus o brasileiro é burro e não estamos preparados para estas coisas modernas que acontecem no exterior. Em suas palavras, Sir Justus diz que a “modernização que se dá lá fora não é igual ao que acontece aqui dentro. Temos que tomar cuidado. A grande massa de consumo não tem condição de absorver a tecnologia do jeito que ela é oferecida lá fora. A televisão aberta continuará sendo o canal de consumo de mídia, e isso é totalmente diferente do que acontece no resto do mundo. Não vou falar com o público das Casas Bahia através de mensagens de celular, mas sim pelos comerciais televisivos que tem resposta imediata. Ainda vou vender muita cerveja pela televisão”.

 

Ou seja, se depender dos homens mais criativos e antenados do Brasil, 2008 será um ano de prosperidade para a Ivete Sangalo que vai continuar vendendo muita TV Philips e muita cerveja Nova Schin. Além de muito shampoo, muito cartão de crédito, muito sabonete, muito apartamento, muita sandália.

 

E também será um ano de prosperidade para as agências de propaganda, apoiadas nas comissões recebidas das poucas empresas brasileiras de comunicação, a maioria delas com concessão do Estado.

 

E se o povo continuar a pedir a cerveja da Ivete ou a TV da Ivete, mesmo depois que a Ivete mudar de marca, é porque os profissionais de Marketing da empresa Ivete Sangalo são muito bons.

 

Aos guerrilheiros, ainda que 2008 não seja um ano tão pró$pero quanto o da Ivete, o do Nizan e o do Justus, esperamos que todos nós saibamos aproveitar esta paralisia mental das agências de propaganda _ motivada não pela falta de qualidade dos seus profissionais, mas sim pela grande quantidade de dinheiro gerada por este modelo de negócio engessado _ para criar conteúdos surpreendentes, modelos de negócios inovadores, ações mais inteligentes e continuarmos crescendo nos corações, mentes e orçamentos das grandes marcas.

 

Aos leitores que nos acompanham há cinco anos, agradecemos a discussão dos conceitos e replicação das idéias.

 

Aos clientes da Espalhe e da Fan em 2007, agradecemos por, de alguma forma, pensarem diferente:

 

Klabin Segall, Microsoft, Cyrela, Coca-Cola, Agência Click, Fesa, Warner Channel, Johnson&Johnson, Whirlpool (Brastemp e Consul), Vale, Conspiração Filmes, Escola Panamericana, Tetra Pak, Museu Lasar Segall, Procter&Gamble, Jack Liberties, Citroën, Danone, Satya Mandir, Agra, Editora Zeiz, Rossi, IdeiasNet, Cury, Editora Digerati.

 

 

E para inspirar a nós todos, pegamos esta frase na revista Wired de dezembro:

 

    The future of advertising isn’t writing better slogans or using cool photography or video. It’s creating interactive stories people can explore over their phones, on the web, maybe even through a flash drive hidden in a bathroom. It’s a new art form.

 

Abraços e feliz ano novo, Gfortes

 

Leia a matéria do Estadão: introdução / parte do Nizan / parte do Justus

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