11 jul
Como publicitário, acho que me encaixo no quadro dos criativos idealista. Sou daqueles que pira e vai até outro planeta buscar a melhor idéia para o cliente. Muitas vezes tive idéias reprovadas, algumas por serem realmente alienígenas, mas outras por puro gosto e capricho do cliente. Isso me revolta, e em várias revoluções de mesas de bar já planejei diversos atentados terroristas contra os clientes que querem ser publicitários por um dia, ou por uma campanha inteira. Mas será que os atentados fariam efeito? Acredito que não, pois o problema está além do cliente, mas não é nada de outro mundo, Freud explicaria. Quando vamos a um médico ele não puxa uma maleta de trás de sua mesa e coloca-a a nossa disposição para escolhermos qual remédio queremos. Imagine o diálogo:
- Eu tenho para você comprimidos amarelos, azuis e rosas. Qual você prefere tomar?
- Putz doutor, não gosto de amarelo…
- Então fique com o rosa, eles são pequenos e fáceis de engolir.
- Pô rosinha doutor?
- Ok. Você toma remédios no trabalho, em restaurantes, realmente comprimidos rosa seriam uma afronta a sua posição na sociedade. Fique com o azul mesmo, eles combinam com a sua gravata e afinal azul é cor de homem mesmo.
Para não dizer que essa fórmula de comparação com médico já é manjada e não tem nada a ver, pensei em outra. Imagine um momento um pouco menos racional, o casamento. O padre chega para os noivos e diz:
- Declaro-os marido e mulher. Pode beijar a noiva. Mas temos também a opção de bater no sogro, ou ainda, se preferir, pode beijar a irmã da noiva, que por sinal é muito bonita.
Essas atitudes podem estragar o relacionamento de qualquer um. Gritamos para todo mundo escutar que somos profissionais de comunicação, e por isso somos nós, e não o cliente, quem entende de comunicação. Porém, posso parecer radical, mas não acho uma atitude profissional deixar uma campanha depender do gosto, do capricho e até mesmo do humor do cliente, com uma opção para cada temperamento, que varia de acordo com o dia. Parece um absurdo, mas muitos atendimentos e criativos acabam fazendo isso. Levam cinco opções para o cliente, sendo que sempre ele preferirá aquilo que já está em sua mente, o comum a ele. Até que um dia uma nova agência o surpreenda e abra seus horizontes e ele nos chute para outro planeta. Aí além de publicitários alienados, nos transformaremos também em pobrecitários.
Luiz Henrique Nascimento



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Josué Brazil
É bom ver o CCVP de volta a ativa!!!Michelli
cadê?André Leone
Gostaria muito de um desafio. Como não atuo ainda 24hs do meu dia trabalhando, acaba sobrando um tempinho para freelances. Grato pela atençãomarushio
A Globo pelo jeito gostou da ação criada pela Molotov. http://globoesporte.globo.com/lutas/noticia/2012/01/ring-girls-brasileiras-chamam-atencao-eMarcosTeles
Caros, Gostei muito do logo. simples e direto


julho 12th, 2007 as 2:39 am
O gosto do cliente é o gosto da mãe pelo filho - “ele é o mais lindo de todos”. Gosto, no mínimo, duvidoso.
E atendimento e criativo que aceitam isso é porque não tem conhecimento de causa.
Noves fora, nada. A comparação do casamento foi excelente… rs
Abraços a todos.
julho 13th, 2007 as 5:51 pm
UMA vez me disseram: trabalho bem feito e cliente satisfeito nem sempre combinam, por isso, naun importa fazer um bom trabalho e sim o cliente “sastifeito”(sic)… é triste, mas várias vezes tive q fazer uns trabalhos q me arrependi de pôr mue nome naquilo mas o cliente amou…
julho 20th, 2007 as 2:24 pm
O Percival caropreso, ex McCan, tem uma história ótima que ilustra bem essa situação.
Troco-se o dietor de mkt de uma importante conta da agência. E esse novo executivo chamou o Percival e lhe disse: “daqui pra frente vc terá que trazer sempre três opções de campanha para eu aprovar”. O Perci ficou puto, mas teve que engolir o sapo (isso prova que isso não é prerrogativa só do nosso mercado).
passados alguns dias, ele encontrou esse executivo de mkt do cliente em uma festa, conversando animadamente numa rodinha. Ele se aproximou da roda e alguém disse: “Oi, Perci, fica aqui, o fulano vai contar uma piada pra gente.” Ao que ele respondeu de pronto: “Fico, mas desde que ele conte a piada em três versões para eu escolher de qual delas dou risada…”
Só não perdeu o emprego na McCan porque ele era fodão mesmo!!!