25 mai
Nelson trabalhava em uma agência do interior do estado de São Paulo como atendimento. Era jovem, tinha boa oralidade, feeling, desenvoltura e criatividade. Estava sempre antenado no mercado, não se esquecendo das peculiaridades de cada cliente. Desde seu primeiro estágio, surpreendia com seu ponto de vista nas reuniões, sabia que o futuro ainda o levaria para longe. Com o apoio e incentivo de amigos, bem diferente da trajetória de sua família de origem simples, ele decidiu procurar emprego na cidade de São Paulo. Procurou contatos, passou dias enfiado na internet. Procurou ex-colegas de trabalho, importunou quem pudesse lhe arrumar uma oportunidade. Com muita insistência conseguiu uma entrevista numa agência de grande porte.
Chegado o dia da entrevista, Nelson se arrumou e pegou um ônibus para São Paulo. Suas roupas não escondiam suas origens simples. Ele estava bem vestido, mas seu cabelo penteado era uma agressão ao visual totalmente despenteado do metrô de São Paulo. Sua camisa abotoada nos punhos contrastava diretamente com os rasgos que desfilavam a sua frente. Em meio a um festival de modernidade, sentia que sua pinta acima dos lábios era a forma mais primitiva de manifestação de um piercing. Aos poucos isso foi incomodando ele, não tinha como não incomodar. Chegando ao endereço marcado, parece que ele saltou alguns anos na frente. As roupas estavam cada vez mais ousadas.
Após uns minutos de espera, Nelson foi chamado para a entrevista. Entrando na sala, viu um homem baixo, muito bem arrumado, com roupas que ele nunca havia visto na sua cidade, nem para vender. Até mesmo a cadeira da sala lhe era estranha. Deu o primeiro passo tímido, depois pensou que estava ali decidido de seu sonho, então, levantou a cabeça e caminhou até a cadeira com um ar decidido e confiante. O homem não podia esconder a sua surpresa. Nelson possuía um currículo muito bom e atualizado, mas parecia recém saído de um seriado americano na época da Guerra Fria. O diretor da agência resolveu não perder a chance de desafiar e tirar uma com a cara dessa figura que se apresentava tão estranha e ao mesmo tempo confiante na sua frente. Após algumas perguntas de praxe, deu início ao desafio.
— Nelson, gostei muito do seu histórico, mas me pergunto se o seu perfil, é o perfil empreendedor que a empresa procura.
— Posso garantir ao senhor — respondeu Nelson firme.
— Então, mas o atendimento hoje me dia precisa ser antenado, ser moderno e ate mesmo… digamos, sedutor.
— Eu garanto que nunca tive problemas com esses fatores.
— Então, façamos um teste.
Nelson consentiu com a cabeça.
— Vou apresenta-lo ao pessoal da agência. Se alguma mulher se interessar por você, comprovando que você tem o ar sedutor, o emprego é seu.
— Ok.
Os dois começaram a visita pela agência, que era enorme, tinha 3 andares. Começaram pela criação. Lá estavam as pessoas mais mal vestidas da agência. Talvez elas nem tivessem notado a presença de Nelson se ele não estivesse acompanhado do diretor da agência. Passaram pelo administrativo, pessoas bem arrumadas, muito bem educadas e altamente concentradas. Nenhuma das mulheres quebrou a concentração por causa da presença de Nelson. E assim foi, passaram por todos os departamentos, terminando a visita pelo atendimento, onde estavam as mulheres mais bonitas e mais bem vestidas. Todas altamente sedutoras. Algumas não escondiam o leve escárnio causado pelas roupas de Nelson. O diretor da agência, em sua frieza, também não conseguia esconder um sorriso malicioso no canto da boca brilhante, isso mesmo, até a boca dele brilha, e eu, um fosco completo, pensou Nelson. A cabeça de Nelson já não estava mais tão erguida. Era hora de voltar à sala do chefe, pegar suas coisas e voltar para o interior.
No corredor, em sentido contrário, caminhava Dona Maria, conhecida pela grande maioria como a tia do cafezinho. Enquanto o diretor caminhava quase que saltitante na frente, Nelson levantou sua cabeça e estampou um sorriso em seu rosto. Deu o bom dia a Dona Maria e pediu-lhe um café.
— Bom dia. Posso pegar um cafezinho?
— Lógico. — respondeu com um sorriso.
— Nossa, que delícia de café. Muito obrigado.
— De nada.
Agora era a Dona Maria que não conseguia esconder o sorriso no rosto. Tinha achado Nelson extremamente simpático. Ela já não se lembrava do último elogio que havia ouvido no trabalho. Nelson seguiu com o diretor da agência, para a sala dele, observados cuidadosamente pelo olhar totalmente seduzido de Dona Maria.
- Luiz Carioca



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Josué Brazil
É bom ver o CCVP de volta a ativa!!!Michelli
cadê?André Leone
Gostaria muito de um desafio. Como não atuo ainda 24hs do meu dia trabalhando, acaba sobrando um tempinho para freelances. Grato pela atençãomarushio
A Globo pelo jeito gostou da ação criada pela Molotov. http://globoesporte.globo.com/lutas/noticia/2012/01/ring-girls-brasileiras-chamam-atencao-eMarcosTeles
Caros, Gostei muito do logo. simples e direto


maio 26th, 2007 as 11:51 pm
Ah, excelente texto!
maio 28th, 2007 as 2:54 am
Rapaz!
Muito bom seu conto.
Coloquei no meu blog até.
Abração turma.