Escrever é uma tarefa difícil. Para quem já está acostumado e vive disso nem tanto, mas para quem, assim como eu, apenas lê o que os outros escrevem, não imagina o trabalho que dá pra botar as idéias em forma de palavras. São mil e uma coisas e o pensamento é mais rápido do que eu digitando. Escrever a lápis? Nem pensar!
Então eu sento na frente do computador, ligo o meu som e começo a navegar à procura de algum tema bem atual pra comentar. Web 2.0, Second Life, a Blogosfera, o aquecimento global, enfim, são tantos assuntos em pauta que eu começo achar desnecessário mais uma pessoa escrevendo sobre eles. Um dos males da Internet, e da web 2.0, diga-se de passagem, é a redundância das notícias. O número de colunistas na web é tão absurdo quanto o que eles escrevem. Todo mundo falando sobre as mesmas coisas em todo o lugar. Parecem assuntos diferentes, mas no fundo, na essência do texto, tá todo mundo tentando prever o futuro.
Então no auge da minha navegação a energia em casa acaba e eu fico a ver navios. Ótima maneira de começar o meu post! Saio de casa para dar uma volta e pensar em tudo que li. Então me lembro de um trabalho que fiz na época da faculdade que rendeu ao meu grupo um belo 10 e alguns aplausos emocionados. O tema era “O Caipira - A sobrevivência de sua cultura face ao processo e velocidade de modernização” Taí! Ao invés de tentar prever o futuro eu vou falar do passado!
E assim começo a tocar em um assunto que há muito eu queria: A nossa cultura. Se por um lado tanto falamos que o mercado do Vale do Paraíba é ruim, que os empresários não vêem a publicidade como um investimento e sim como um gasto, e que nós da criação não conseguimos convencer nossos clientes a inovar, por outro lado temos que conhecer, entender, saber lidar e até respeitar essa cultura que ainda é muito forte na região, apesar de alguns negarem isso, talvez por vergonha ou puro desconhecimento.
O Vale do Paraíba é uma região originalmente rural, de um povo muito trabalhador, simples e tradicionalista. O tempo do caipira parece passar em velocidade diferente do normal. Ele dá valor ao ócio, tem um ritmo de vida lento e é resistente a mudanças. Embora o Vale tenha recebido muita gente de fora, e hoje a imagem daquele caipira Jeca não exista mais, a cultura é uma coisa difícil de medir e classificar. Ela está impregnada no modo de vida das pessoas que fazem com que elas não sintam isso. É uma cultura que contagia, passando de um para outro, e com o passar do tempo se modifica, mas não evolui.
Tendo esses fatores como base eu proponho uma reflexão sobre esse tema. Nós como criativos e prestadores de serviços, precisamos entender melhor o comportamento dos nossos clientes e “dançar conforme a música”.
“A cultura do caipira como a do primitivo, não foi feita para o progresso. A sua mudança é o seu fim”. Antonio Cândido.