Artigos do mês de fevereiro, 2007

Quero Aparecer.

quarta-feira, fevereiro 28th, 2007

Estava conversando com um cliente, uma loja de pneus, e ele me dizia da necessidade de divulgação de sua loja – necessidade vital e comum a todos.

E é justamente aí que nós, profissionais de comunicação, entramos. A melhor forma de raciocinar sobre tal necessidade é avaliando essas duas qualidades: VITAL e COMUM A TODOS. Fato é pequenas empresas, em sua esmagadora maioria, analisarem apenas a primeira delas, ou seja, o velho “temos que fazer” vem à tona e nunca ponderam o “como vamos fazer”, seguido do “assim muita gente já faz”.

Com isso vem aquele panfletinho tamanho A5, preto e branco e literalmente lotado de informação. Ou um anúncio de diagramação duvidosa em algum jornalzinho do bairro ou da empresa tal. Seguidos ou não de um cartão de visita auto-explicativo com logo, nome de alguém, telefone e endereço na frente e no verso tudo que a empresa faz. E tudo isso justificado pela falta de verba do cliente.

Resumindo toda a ópera: fazer propaganda assim é como consertar o furo do radiador com chiclete, também é devido a falta de verba, mas só dá certo nos filmes.

Uma questão de cultura

quinta-feira, fevereiro 22nd, 2007

Escrever é uma tarefa difícil. Para quem já está acostumado e vive disso nem tanto, mas para quem, assim como eu, apenas lê o que os outros escrevem, não imagina o trabalho que dá pra botar as idéias em forma de palavras. São mil e uma coisas e o pensamento é mais rápido do que eu digitando. Escrever a lápis? Nem pensar!

Então eu sento na frente do computador, ligo o meu som e começo a navegar à procura de algum tema bem atual pra comentar. Web 2.0, Second Life, a Blogosfera, o aquecimento global, enfim, são tantos assuntos em pauta que eu começo achar desnecessário mais uma pessoa escrevendo sobre eles. Um dos males da Internet, e da web 2.0, diga-se de passagem, é a redundância das notícias. O número de colunistas na web é tão absurdo quanto o que eles escrevem. Todo mundo falando sobre as mesmas coisas em todo o lugar. Parecem assuntos diferentes, mas no fundo, na essência do texto, tá todo mundo tentando prever o futuro.

Então no auge da minha navegação a energia em casa acaba e eu fico a ver navios. Ótima maneira de começar o meu post! Saio de casa para dar uma volta e pensar em tudo que li. Então me lembro de um trabalho que fiz na época da faculdade que rendeu ao meu grupo um belo 10 e alguns aplausos emocionados. O tema era “O Caipira - A sobrevivência de sua cultura face ao processo e velocidade de modernização” Taí! Ao invés de tentar prever o futuro eu vou falar do passado!

E assim começo a tocar em um assunto que há muito eu queria: A nossa cultura. Se por um lado tanto falamos que o mercado do Vale do Paraíba é ruim, que os empresários não vêem a publicidade como um investimento e sim como um gasto, e que nós da criação não conseguimos convencer nossos clientes a inovar, por outro lado temos que conhecer, entender, saber lidar e até respeitar essa cultura que ainda é muito forte na região, apesar de alguns negarem isso, talvez por vergonha ou puro desconhecimento.

O Vale do Paraíba é uma região originalmente rural, de um povo muito trabalhador, simples e tradicionalista. O tempo do caipira parece passar em velocidade diferente do normal. Ele dá valor ao ócio, tem um ritmo de vida lento e é resistente a mudanças. Embora o Vale tenha recebido muita gente de fora, e hoje a imagem daquele caipira Jeca não exista mais, a cultura é uma coisa difícil de medir e classificar. Ela está impregnada no modo de vida das pessoas que fazem com que elas não sintam isso. É uma cultura que contagia, passando de um para outro, e com o passar do tempo se modifica, mas não evolui.

Tendo esses fatores como base eu proponho uma reflexão sobre esse tema. Nós como criativos e prestadores de serviços, precisamos entender melhor o comportamento dos nossos clientes e “dançar conforme a música”.

“A cultura do caipira como a do primitivo, não foi feita para o progresso. A sua mudança é o seu fim”. Antonio Cândido.

Simplificando.

terça-feira, fevereiro 20th, 2007

O slogan de um produto ou marca, de uma campanha é sem dúvida a parte que mais exige do pessoal de criação – ou que mais deveria exigir.

O Brasil tem campanhas excelentes, com assinaturas idem. Mas também é comum vermos filmes maravilhosos sem aquele grande desfecho, literalmente sem a famosa “moral da história”.

Segundo João Anzanello Carrascoza em seu livro Criação Publicitária – Estudos sobre a Retórica do Consumo, ele define slogan como o minimalismo na propaganda, onde, se explica em poucas e precisas palavras sensações ou conceitos profundos, indo à essência da expressão, captando seu vasto universo.

Slogan quando é bom, deixa de ser slogan e vira dito popular. Esse meu texto, por exemplo, não é assim uma Brastemp, mas já que você chegou até aqui, faça uma forcinha e leia até o final, por favor.

Atualmente um slogan que me enche os olhos, não que eu já esteja precisando do produto, é o do Viagra, produzido pelo laboratório Pfizer: “Prazer. Nós somos a Pfizer.”

Mas também não poderia deixar de citar um antigo slogan do cigarro Chanceler que seria um outro conceito deste anterior, mas como o mesmo mote, o prazer: “Chanceler. O fino que satifaz.”

Ainda bem que esses dois slogans são de épocas diferentes, senão poderia virar até moda um Viagra antes e um Chanceler depois.

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